O capítulo “Comunicação organizacional e cultura no Batuque Gaúcho: dos processos da oralidade às significações do rito de axé de fala no comunicacional batuqueiro”, produzido pelo doutorando Sérgio Gabriel Fajardo e pelo professor Rudimar Baldissera, está publicado na obra Diversidade, Raça e Gênero na Comunicação, da Editora Sulina. O texto apresenta resultados do estudo, como um recorte da pesquisa de mestrado que foi realizada por Fajardo (2022), que investigou, principalmente, como a oralidade conforma, mantém e/ou transforma a comunicação e a cultura organizacional dos terreiros de Batuque Gaúcho.
Com o objetivo de “analisar aspectos da oralidade e a significação do rito de axé de fala no comunicacional batuqueiro”, os autores, neste capítulo, se alicerçam em aportes teóricos que possibilitam a análise do dados de campo que Fajardo coletou realizando entrevista com pais e mães de santo batuqueiros.
Como principais resultados, Fajardo e Baldissera inferem que os processos da oralidade nos terreiros batuqueiros preservam as interações em presença, exigindo capacidade de escuta atenta e memorização para um aprendizado que preserve a manutenção da comunidade batuqueira e da própria tradição. Além disso, a oralidade ainda estabelece, com processos pedagógicos particulares, quem pode, quando pode e onde pode acessar as entranhas dos conhecimentos/saberes do Batuque Gaúcho, ou seja, o conteúdo simbólico orientador da tradição.
Especialmente sobre as significações do rito de axé de fala nos processos do comunicacional batuqueiro, destaca-se que, mais do um rito de passagem, trata-se de um rito de instituição de forte relevância na cultura batuqueira, principalmente porque legítima (comunica e faz reconhecer) importante canal de comunicação direta e sagrada entre os humanos e os/as Orixás. Os autores evidenciam que o ritual é um processo de ampla carga simbólica, mas também objetiva, que eleva o estatuto do Orixá, conferindo direitos e deveres nos terreiros e na comunidade batuqueira. Isso porque o rito de axé de fala cumpre papel relevante na modelação do comportamento do ser batuqueiro (seja humano, seja Orixá), vigiando e preservando aspectos do segredo e do sagrado do Batuque Gaúcho. Diante da análise das percepções dos pais e mães de santo sobre esse ritual, neste estudo Fajardo e Baldissera compreendem o rito de axé de fala como processo fulcral do comunicacional batuqueiro.
Sobre o livro Diversidade, Raça e Gênero na Comunicação
Os 9 textos que foram selecionados para comporem o livro foram apresentados e discutidos no XV Seminário Internacional de Comunicação, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) em novembro de 2022. O livro é dividido em duas partes, “Estudos de Gênero e Raça” e “Diversidade na Comunicação”. Na organização da obra, publicado pela Editora Sulina em formato físico e como e-book, estão os professores André Pase, Deivison Campos e a professora Camila Kieling.
O capítulo “Comunicação organizacional e cultura no Batuque Gaúcho: dos processos da oralidade às significações do rito de axé de fala no comunicacional batuqueiro”, localizado entre as páginas 106 e 133, abre caminhos na segunda parte da obra.
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