No dia 11/03/2026, a Pesca com Botos do Sul do Brasil¹, foi registrada como um Bem Cultural de Natureza Imaterial no Livro dos Saberes² do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)³, aprovado pelo conselho consultivo do órgão em processo instruído por um Dossiê produzido por pesquisadores da UFSC em parceria com a UFGRS Litoral.

O registro resultou do esforço de pesquisadores, estudantes, pescadores, sociedade civil organizada e comunidades locais, dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, ao longo de mais de uma década.

Dois professores do curso de Gestão Pública e Desenvolvimento Regional contribuíram nesse processo fazendo parte como pesquisadores e extensionistas do Projeto “Botos da Barra do Rio Tramandaí”: Prof.ª Marlise Amália Reinehr Dal Forno e Prof. Olavo Ramalho Marques.

O Projeto “Botos da Barra do Rio Tramandaí”, coordenado pelo prof. Ignacio Benites Moreno, é realizado pelo Centro de Estudos Costeiros Limnológicos e Marinhos (CECLIMAR) do  Campus Litoral Norte da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O  Projeto atua no engajamento efetivo entre pesquisadores/extensionistas e a comunidade de pescadores, buscando gerar visibilidade a este raro fenômeno cultural, fortalecer a comunidade local e contribuir para a conservação da população de botos e pescadores artesanais de tarrafa, da pesca cooperativa e do ambiente onde ela ocorre.

Além da participação no projeto, o prof. Olavo Marques contribuiu com o processo de registro ao realizar, no âmbito do projeto, o filme etnográfico “Pesca do Boto” (2024, 38’), disponível no link:
https://www.youtube.com/watch?v=5Lx9CjKnOKg

 

Notas:

¹A Pesca com Botos no Sul do Brasil consiste em uma prática tradicional realizada por pescadores artesanais em estuários do litoral sul, especialmente em Laguna (SC) e na barra do Rio Tramandaí (RS), caracterizada pela colaboração entre pescadores humanos e botos na captura de tainhas. A atividade envolve complexa comunicação interespecífica, na qual os botos conduzem os cardumes e sinalizam o momento adequado para o lançamento da tarrafa. Transmitida entre gerações de pescadores e também entre os próprios botos, a prática constitui um modo de vida associado a conhecimentos ecológicos, técnicas de pesca e formas de sociabilidade próprias das comunidades pesqueiras, integrando cultura, ambiente estuarino e relações singulares entre humanos e animais.

²Criado para receber os registros de bens imateriais que reúnem conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades. Os Saberes são conhecimentos tradicionais associados a atividades desenvolvidas por atores sociais reconhecidos como grandes conhecedores de técnicas, ofícios e matérias-primas que identifiquem um grupo social ou uma localidade. Geralmente estão associados à produção de objetos e/ou prestação de serviços que podem ter sentidos práticos ou rituais. Trata-se da apreensão dos saberes e dos modos de fazer relacionados à cultura, memória e identidade de grupos sociais.

³Acompanhe a notícia na íntegra neste endereço: 
https://bcr.iphan.gov.br/bens-culturais/pesca-com-botos/

Foto do post:

Prof. Ignacio Benites Moreno – @iggy.moreno