Edifício Rogério – Novo livro de Rogério Sganzerla

A Editora UFSC lança este mês a caixa de livros Edifício Rogério – Textos Críticos 1 e 2, uma série de artigos e críticas cinematográficas publicadas por Rogério em jornais de grande circulação do país. O primeiro livro reúne textos publicados entre 1964 e 1967 no Suplemento Literário do jornal O Estado de São Paulo, o segundo, tem publicações de 1980 a 1990, de vários jornais.

Sganzerla, claro, revive os filme de sua época, e comenta obras de Jean Luc-Goddard, Orson Welles, Ruy Guerra, Glauber Rocha, Samuel Fuller, Michelangelo Antonioni, Nelson Pereira dos Santos, dentre outros.

Rogério Sganzerla (1946-2004), nascido em Joaçaba, SC, foi o criador de grandes clássicos como O Bandido da Luz Vermelha, Copacabana Mon Amour, Nem Tudo é Verdade, O Signo do Caos e A Mulher de Todos. Aos 17 anos já escrevia críticas de cinema para O Estado de São Paulo e em 1968 rodou o consagrado O Bandido da Luz Vermelha.

Veneno do Amor

por Daniel Feix (Zero Hora)

A Erva do Rato não é um filme fácil, como podem presumir os cinéfilos que conhecem a obra de seu diretor, Júlio Bressane. Mas se trata de um dos seus trabalhos mais acessíveis – e um dos melhores, além disso. O longa foi inexplicavelmente esquecido em listas e premiações de fim de temporada no país, a exemplo do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Chega agora ao DVD, em lançamento da pequena distribuidora de filmes nacionais Microservice. É Bressane, ou seja, não é programa leve para ver relaxado, sem exercitar a reflexão, mas A Erva do Rato vale a pena.

A história é a do encontro de uma mulher (Alessandra Negrini) que tem um passado obscuro com um homem solitário (Selton Mello). Ele fica obcecado por ela. Oferece proteção, mas em troca a submete às suas vontades. Usa-a primeiro pedindo para ela escrever os textos que ele recita, depois para posar para suas fotografias. Trata-se de uma exploração da figura feminina, que começa no campo intelectual e vai migrando para o físico – embora o sexo, mesmo que sugerido a toda hora, não apareça de fato consumado.

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Vertentes do Cinema Brasileiro na Sala Redenção

Em dezembro, a Sala Redenção – Cinema Universitário apresenta uma programação em diálogo com as Conferências UFRGS 2010, que tem como ponto central o debate sobre a brasilidade. Se o questionamento a respeito de uma possível identidade nacional e sobre a consciência de uma nacionalidade perpassam os módulos das conferências, na Sala Redenção o debate se estende para a produção cinematográfica no Brasil da metade do século XX.

 

período: dezembro

local: Sala Redenção – Cinema Universitário

Confira a programação completa.

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Mesa redonda sobre Semiótica da Comunicação no lançamento da semeiosis

No próximo dia 10 de dezembro, sexta-feira, ocorre o lançamento do primeiro número da revista eletrônica semeiosis – semiótica e transdisciplinaridade em revista (www.semeiosis.com.br). O evento acontece na Sala da Congregação da Escola de Comunicações e Artes da USP (no primeiro andar do prédio central da Escola, ao lado da diretoria), às 19h.

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Ficha de Leitura: AS TEORIAS DOS CINEASTAS, de Jacques Aumont

Enfim unificados todos os capítulos. Fichado por Luiza Muller.

 

Introdução

“Mas que é cineasta? No que diz respeito à teoria dos cineastas, a questão parece secundária (ou já resolvida): a história do cinema foi feita pelos diretores (AUMONT, Jacques. Introdução. In: As Teorias dos Cineastas. Campinas, SP: Papirus, 2004, p. 9)”

“Não é (…) a definição da teoria por critérios externos que designará os cineastas teóricos, mas, antes, os critérios internos. Existem muitos critérios internos de validade, ou de interesse, e até de definição de uma teoria. Considero três importantes: a coerência, a novidade, a aplicabilidade ou pertinência (AUMONT, Jacques. Introdução. In: As Teorias dos Cineastas. Campinas, SP: Papirus, 2004, p. 10)”

“A existência de cineastas teóricos deve então ser lida de acordo com dois eixos potenciais (e opostos): ou eles formulam em alto e bom som o que os outros pensam para si mesmos, a doxa (Pudovkin, Lewis, Bergman, Fassbinder); ou, ao contrário, vão contra a corrente, constituindo núcleos de resistência à concepção majoritária do cinema (Tarkovski, Rohmer, Duras, Straub) (AUMONT, Jacques. Introdução. In: As Teorias dos Cineastas. Campinas, SP: Papirus, 2004, p. 13)”

“O cineasta é um criador de um tipo particular: “sem mãos” (sem relação imediata com qualquer material ou ferramenta); coagido por uma instituição de tipo não apenas comercial, mas semi-industrial; que trabalha segundo um ritmo insólito, porque, mesmo se faz um filme após o outro, sem interrupção, como Walsh e Fassbinder, a fabricação de um filme deve passar por estágios de natureza muito diferente (roteiro, filmagem, montagem). Como esse criador cria? É uma velha questão à qual a noção de autor respondia em termos estéticos. Falar de teoria talvez permita dar outras respostas, pelo menos parciais, mesmo se um cineasta, em seus momentos de teoria, continue sendo um cineasta antes de mais nada. Minha aposta é que os cineastas teóricos esclarecem, sem simplificá-los, os problemas teóricos mais importantes, porque os enfrentam em nome de uma prática. A teoria dos cineastas não é perfeita nem completa, mas é mais sedutora, mais vibrante, muitas vezes mais límpida do que a teoria dos teóricos. Isso basta (AUMONT, Jacques. Introdução. In: As Teorias dos Cineastas. Campinas, SP: Papirus, 2004, p. 13)”.

Jacques Aumont

A teoria dos teóricos

Bresson e o encontro

“Robert Bresson (1904 – 1999) não é autor de um tratado nem mesmo de muitos textos teóricos. No entanto, em pouco mais de cem páginas, suas Notes sur Le cinématographe (Notas sobre o cinematógrafo) oferecem uma concepção do cinema insuperável por seu rigor e uma das mais influentes jamais propostas (AUMONT, Jacques. A Teoria dos Teóricos. In: As Teorias dos Cineastas. Campinas, SP: Papirus, 2004, p. 16)”.

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Seminário de Artes com transmissão online

Nos próximos dias 17 e 18 (quarta e quinta-feira) de novembro acontece o Seminário Práticas Artísticas e suas Inserções. Com participação de artistas e teóricos da arte de São Paulo a Pelotas/RS, o seminário é uma realização da Revista Panorama Crítico, através do Programa Rede Nacional Funarte de Artes Visuais.

A novidade do seminário, que acontece no Auditório Barbosa Lessa – Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo (Rua dos Andradas, 1223 – Centro – Porto Alegre/RS), é a transmissão pela internet. O seminário tem início às 18h30min nos dois dias, e as transmissões são abertas às 18h00min. Para assistir pela web, basta acessar a página da revista: http://www.panoramacritico.com/seminario/

Para assistir no local, a inscrição é gratuita, e pode ser feita antecipadamente pelo endereço eletrônico cultural@cccev.com.br, pelo telefone (51) 3228.9710/3221.6872, ou no próprio local. Informações: www.panoramacritico.com/seminario ou www.cccev.com.br. O seminário tem apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, do Instituto de Artes – IA da UFRGS, do Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo e da Fundação Nacional de Artes – FUNARTE, através do Ministério da Cultura.

A programação é a que segue:
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Ficha de Leitura: AS TEORIAS DOS CINEASTAS, de Jacques Aumont, 2º Capítulo

O visível e a Imagem, a realidade e sua escrita

“Por mais poderosa que seja a força da impressão da realidade, ao assistir a uma sessão de cinema, a princípio, só a um fluxo perceptivo, o das manchas luminosas veiculadas pela luz do projetor e materializadas na tela (AUMONT, Jacques. Introdução. In: As Teorias dos Cineastas. Campinas, SP: Papirus, 2004, p. 54)”.

Entre linguagem e visão: Godard

“Entre seus primeiros artigos, um afirma que não existe decupagem clássica (…).  O que existe é a direção, isto é, o estilo, a ser redefinido por cada cineasta e até por cada filme; é o conteúdo que faz a forma e não uma forma gramatical que enquadra e transmite o conteúdo. Um outro artigo precisa que a direção às vezes pode assumir a forma da montagem, porque dirigir é exercer o domínio sobre o espaço, ao passo que montar é exercer esse domínio sobre o tempo (AUMONT, Jacques. Introdução. In: As Teorias dos Cineastas. Campinas, SP: Papirus, 2004, p. 55)”.

“Quinze anos depois, chega paradoxalmente a filmes inteiramente realizados na montagem (…). (…) montar já não é fazer um coração bater, é encadear argumentos; o verbal abafa o visual (AUMONT, Jacques. Introdução. In: As Teorias dos Cineastas. Campinas, SP: Papirus, 2004, p. 55)”.

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