LUHMANN, Nicklas. Introdução à teoria dos sistemas. Petrópolis: Vozes, 2009.

Para Luhmann, a única operação capaz de basear o social de maneira autônoma é a comunicação. Ela deve ser o ponto de partida de uma reflexão social, já que ao ser a estrutura basal mais abarcadora, inclui a ação ou a racionalidade da consciência.

A comunicação, em seu sentido mais abstrato e geral, é uma observação, na medida em que efetua uma diferença. Portanto, o maior nível de abstração em que ela pode ser colocada é a operação da observação. Segundo a terminologia de Spencer-Brown […], observar constitui a utilização da diferença para designar um lado e não outro daquilo que se observa. O ponto de partida reside em um conceito extremamente formal do ato de observar, definido como operação que utiliza uma diferença, e a descrição desta diferença. [20]

Portanto, a diferença (operação/operação) que se realiza em todo ato de comunicar é um começo que supera qualquer outro ponto de partida aceito como possível para a sociologia. Ao se duvidar de sua universalidade, seria novamente preciso efetuar uma comunicação (portanto, uma diferença entre operação/observação), que confirmasse o caráter inquestionável do ponto de partida. (Nafarrate apud LUHMANN, 2009:19-20)

[…] a comunicação é uma operação provida da capacidade de se auto-observar. Cada comunicação deve comunicar ao mesmo tempo em que ela própria é uma comunicação; e também deve dar ênfase a quem e ao que foi comunicado, para que a comunicação articulada possa ser determinada, e possa dar continuidade à autopoiesis. Consequentemente, como operação, a comunicação não apenas produz uma diferença. Ela certamente o faz; mas, para observar que isso acontece, ela também usa uma

Nicklas Luhmann

distinção específica: aquela que existe entre o ato de comunicar e a informação. Esta ideia tem consequências de grande importância. Não significa somente que a identificação do ato de comunicar, como ação, é elaboração de um observador; ou seja, a elaboração do sistema da comunicação que observa a si mesmo. Essa ideia significa, principalmente, que os sistemas sociais (incluindo a sociedade) só podem ser construídos como sistemas que se observam a si mesmos. Essas reflexões – que nos confrontam a Parsons e a tudo o que está disponível no mercado, enquanto teoria da ação – levam a renun- [21] ciar a uma fundamentação da sociologia na teoria da ação (e portanto, individualista) [NT!] (Nafarrate apud LUHMANN, 2009:20-21)

Aula II: Sistemas abertos

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Ficha de Leitura: DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL: AS FIGURAS DA REVOLUÇÃO, de Ismail Xavier

Sertão Mar

Deus e o Diabo na Terra do Sol: As Figuras da Revolução
In: Sertão Mar – Glauber Rocha e a Estética da Fome

a) Entre o passado e o futuro, a brecha do presente

“[…]câmara e atores se deslocam de modo a traduzir visualmente o que é dito nos versos, numa representação que funde o espaço das imagens e o espaço da canção de cordel.” (XAVIER, Ismail. Deus e o Diabo na Terra do Sol: As Figuras da Revolução. In: Sertão Mar: Glauber Rocha e a Estética da Fome. São Paulo, SP: Brasiliense, 1983, p. 70)

“A montagem nos fornece uma composição que se recusa a procurar aquela exposição clara de uma sucessão de gestos contínuos e perfeitamente situados na evolução das manobras de perseguidaor e perseguido. Estamos longe da alongada batalha ou tiroteio que marca os confrontos finais de Griffith a John Ford, de O Cangaceiro, de Lima Barreto, a Mandacaru Vermelho, de Nélson Pereira dos Santos. Em Deus e o Diabo, a regra do espetáculo é outra. E a sucessão de imagens esquematiza a ação diegética de modo a conformá-la e compatibilizá-la com a canção em seu ritmo e tonalidade.” (XAVIER, Ismail. Deus e o Diabo na Terra do Sol: As Figuras da Revolução. In: Sertão Mar: Glauber Rocha e a Estética da Fome. São Paulo, SP: Brasiliense, 1983, p. 70)

“A teatralidade impressa ao duelo, seu toque cavalheiresco e, em particular, o estilo da morte de Corisco (grita “mais forte são os poderes do povo” e cai de braços abertos com a espada na mão) são indicações claras: a organização das imagens não quer assumir o tom da ação natural ilustrada por uma canção. Todo o discurso parece estar comandado pelas coordenadas da lenda, como se as palavras do cantador e a série de imagens fossem ambas produto de uma única ‘visão das coisas’.” (XAVIER, Ismail. Deus e o Diabo na Terra do Sol: As Figuras da Revolução. In: Sertão Mar: Glauber Rocha e a Estética da Fome. São Paulo, SP: Brasiliense, 1983, p. 71)

“[…]o estilo telegráfico […]se afasta da montagem típica ao cinema-indústria” (XAVIER, Ismail. Deus e o Diabo na Terra do Sol: As Figuras da Revolução. In: Sertão Mar: Glauber Rocha e a Estética da Fome. São Paulo, SP: Brasiliense, 1983, p. 71)

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ÚLTIMO FILME DA MOSTRA GLAUBER EM TRANSE

No último encontro, nesta quarta, dia 15/09, assistiremos ao filme O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro. É o primeiro filme em cores de Glauber e retoma os personagens apresentados em Deus e o Diabo, porém em um contexto diferente, engendrando novas relações e problemas surgidos num Brasil tomado pela ditadura militar.

no Auditório 2, da FABICO*, às 14h30min.

*Rua Ramiro Barcelos, número 2705, Campus Saúde – UFRGS

Cronograma completo e mais informações sobre a mostra aqui.

Santaella e Larrosa no UniRitter

VII Seminário Linguagem, Discurso e Ensino ocorre de 14 a 16 de setembro no UniRitter Porto Alegre

Um dos nomes mais respeitados em semiótica, a doutora e professora da PUC/SP, Lúcia Santaella e Jorge Larrosa, doutor em Filosofia da Educação e professor da Universidade de Barcelona, são nomes confirmados para o VII Seminário Linguagem, Discurso e Ensino e o I Seminário Internacional Linguagem, Interação e Aprendizagem, que ocorrem de 14 a 16 de setembro no campus Porto Alegre do UniRitter (Rua Orfanotrofio 555, Alto Teresópolis).

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MOSTRA GLAUBER EM TRANSE: ANOS 60


O GPESC (Grupo de Pesquisa Semiótica e Comunicação) organiza a mostra de filmes Glauber em Transe: Anos 60, que exibirá os quatro primeiros longas do cineasta em ordem cronológica. Sob a coordenação do Prof. Alexandre Rocha da Silva, os encontros acontecerão semanalmente no Auditório 2, da FABICO, sempre as quartas-feiras a partir das 14h 30min.

Glauber Rocha foi um dos principais realizadores na história do Cinema Nacional, porém grande parte de sua obra ainda permanece pouco explorada pelas novas gerações. Para tentar promover uma maior divulgação de sua obra, ocorrerá na FABICO uma mostra de filmes do cineasta intitulada GLAUBER EM TRANSE: ANOS 60, organizada pelo GPESC (Grupo de Pesquisa Semiótica e Comunicação) sob a coordenação do Prof. Alexandre Rocha da Silva, onde serão exibidos os 4 primeiros filmes de Glauber, todos eles realizados ao longo da década de 60. A mostra será realizada semanalmente no Auditório 2 da FABICO, sempre as quartas-feiras, iniciando dia 25 de agosto, a partir das 14h30min. Em cada encontro teremos a exibição de um filme, seguida de um breve debate com os participantes. A Mostra é aberta e gratuita, mas, por ser uma atividade de extensão, os alunos da UFRGS podem se inscrever no primeiro encontro pelo valor de 5 reais e ganhar os créditos complementares correspondentes e um certificado de participação

No primeiro encontro, dia 25/08, será exibido o primeiro longa de Glauber Rocha, Barravento. No filme, são retratados pescadores de uma vila no interior da Bahia que, influenciados um ex-morador que se mudou para Salvador, começam a questionar a exploração do trabalho a que são submetidos. Após o filme, ocorrerá uma discussão mediada por André Araujo e Cássio de Borba Lucas sobre as questões levantadas pela obra.

Já no dia 01/09, o filme escolhido é Deus e o Diabo na Terra do Sol, passado no sertão da Bahia numa narrativa que relembra a literatura de cordel e joga com uma série de mitos brasileiros – cangaço, coronelismo, messianismo – sendo assim o mais importante filme da primeira fase do Cinema Novo – que projetou Glauber ao reconhecimento internacional.

Dia 08/09, o terceiro filme de Glauber, Terra em Transe, será exibido. Nele, são problematizadas as políticas populistas ou fascistas que se desenvolviam na América Latina na década de 60. O filme foi lançado em plena ditadura militar, às vésperas do AI-5 e foi de extrema importância para a formação do pensamento político da classe intelectual da época.

No último encontro, dia 15/09, assistiremos ao filme O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro. É o primeiro filme em cores de Glauber e retoma os personagens apresentados em Deus e o Diabo, porém em um contexto diferente, engendrando novas relações e problemas surgidos num Brasil tomado pela ditadura militar.

Também estará disponível uma bibliografia, composta de textos relevantes a respeito de cada um dos filmes, escritos por Glauber ou críticos de cinema e estudiosos de sua obra. Os textos estarão disponíveis para Xerox na própria FABICO.

CONTATO: andrecsaraujo@gmail.com
arsrocha@gmail.com
cassioblucas@gmail.com


CRONOGRAMA

GLAUBER EM TRANSE: ANOS 60
14h30min – Auditório 2 – FABICO

(Rua Ramiro Barcelos, número 2705, Campus Saúde – UFRGS)

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Barravento
Dia 25/08

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Deus e o Diabo na Terra do Sol
Dia 01/09

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Terra em Transe
Dia 08/09

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Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro
Dia 15/09

Lançamento Revista Semeiosis

“A semiótica ganha, a partir de setembro, um espaço a mais de divulgação de pesquisas. Com atualizações mensais e em fluxo contínuo, a revista online semeiosis (www.semeiosis.com.br) acolhe trabalhos experimentais dedicados à investigação de fenômenos geradores de sentidos, incentivando uma visão sistêmica e transdisciplinar do conhecimento científico. Trabalhos para publicação na edição de lançamento da revista devem ser enviados até o dia 30 de setembro.”

Release de Divulgação: Revista Semeiosis

Ficha de Leitura: ALGUNS, de Júlio Bressane

“Para J. Cocteau, humano é a voz humana. Lê-se um livro para ouvir a voz de seu autor,

como se pode também ouvir a voz de uma… pintura.” (BRESSANE, Júlio. Vassourinha: Ulisses na Record. In: Alguns. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1996, p. 7)

“Vassourinha […] fez crítica, e o fez via voz. Digo melhor: há uma forma de tradução, mais complexa, que se diz de ordem intrasemiótica, ou eja, transposição de uma linguagem para outra: quando Vivaldi faz pintura (Fra Angelico), quando Drummond faz Tarsila (“Cidadezinha qualquer“), quando Ravel faz cinema (Tombeau de Couperin), quando Hitchcok faz Mallarmé (Vertigo), quando Mário Reis faz desenho animado (Moreninha da praia/Betty Boop) ou caricatura (Cadê Mimi/J. Carlos), quando a pitangueira começa a dar manga, bem aí…” (BRESSANE, Júlio. Vassourinha: Ulisses na Record. In: Alguns. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1996, p. 7-8)

“Como há tradução de uma linguagem para outra – intersemiótica -, há tradução feita na mesma linguagem – intra-semiótica. Tem Vassourinha uma voz-mosaico, voz-manta-de-detalhes, voz-ônibus, voz-metáfora, onde passeiam Mário Reis, J. Veiga, C. Galhardo, Isaurinha Garcia, D. Caymi e muito O. Silva, o Multidão.” (BRESSANE, Júlio. Vassourinha: Ulisses na Record. In: Alguns. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1996, p. 8 )

“A letra e a cor, o cheiro e a palavra (chineses e japoneses perfumavam os livros de tal maneira que os dotavam de uma linguagem olfativa), a voz e o cinema… mudo. Persigamos este centauro vendo o som e ouvindo as cores…” (BRESSANE, Júlio. Vassourinha: Ulisses na Record. In: Alguns. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1996, p. 9)

Júlio Bressane

“Ainda [Pe. Antônio] Vieira: suponhamos que,

diante de uma visão estupenda, saiam os sentidos humanos fora de sua esfera e inaugurem o ver com os ouvidos e o ouvir com os olhos!” (BRESSANE, Júlio. Vassourinha: Ulisses na Record. In: Alguns. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1996, p. 10)

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Roberto Pires em exibição no Santander Cultural

Desde anteontem o Cine Santander exibe filmes de Roberto Pires, pioneiro cineasta baiano que inspirou, entre outros, o jovem Glauber Rocha. Pires foi o responsável por indicar Glauber para a direção de Barravento. É dele, também, o primeiro longa-metragem rodado na Bahia, Redenção. A mostra vai até domingo (5 de setembro), com três filmes diários, entre os quais Tocaia no Asfalto (1962, foto ao lado), tida como a obra prima do diretor.

Programa completo e detalhes no site do Santander Cultural.

CISC recebe Prof. Dr. Thomas A. Bauer

O Centro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e da Mídia (CISC), com o
apoio da Fapesp, recebe nos próximos dias o Prof. Dr. Thomas A. Bauer, do
Departamento de Comunicação da Universidade de Viena, para uma série de
eventos inter-institucionais. Segue abaixo a  programação e o nosso convite
a todos que queiram participar das conferências (gratuitas).
Abraços
Malena Segura Contrera

Thomas Bauer é professor doutor da cadeira de Mídia Audiovisual, no
Departamento de Mídia da Universidade de Viena, membro da Associação
Austríaca de Ciências da Comunicação e membro da Associação Alemã de
Ciências da Comunicação, pesquisador da European Research and Development
Projects (ECN, ENCE, EUROMEDIA, PEGASUS).

Links para artigos de Thomas Bauer e PROGRAMAÇÃO a seguir:
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