Para Luhmann, a única operação capaz de basear o social de maneira autônoma é a comunicação. Ela deve ser o ponto de partida de uma reflexão social, já que ao ser a estrutura basal mais abarcadora, inclui a ação ou a racionalidade da consciência.
A comunicação, em seu sentido mais abstrato e geral, é uma observação, na medida em que efetua uma diferença. Portanto, o maior nível de abstração em que ela pode ser colocada é a operação da observação. Segundo a terminologia de Spencer-Brown […], observar constitui a utilização da diferença para designar um lado e não outro daquilo que se observa. O ponto de partida reside em um conceito extremamente formal do ato de observar, definido como operação que utiliza uma diferença, e a descrição desta diferença. [20]
Portanto, a diferença (operação/operação) que se realiza em todo ato de comunicar é um começo que supera qualquer outro ponto de partida aceito como possível para a sociologia. Ao se duvidar de sua universalidade, seria novamente preciso efetuar uma comunicação (portanto, uma diferença entre operação/observação), que confirmasse o caráter inquestionável do ponto de partida. (Nafarrate apud LUHMANN, 2009:19-20)
[…] a comunicação é uma operação provida da capacidade de se auto-observar. Cada comunicação deve comunicar ao mesmo tempo em que ela própria é uma comunicação; e também deve dar ênfase a quem e ao que foi comunicado, para que a comunicação articulada possa ser determinada, e possa dar continuidade à autopoiesis. Consequentemente, como operação, a comunicação não apenas produz uma diferença. Ela certamente o faz; mas, para observar que isso acontece, ela também usa uma

Nicklas Luhmann
distinção específica: aquela que existe entre o ato de comunicar e a informação. Esta ideia tem consequências de grande importância. Não significa somente que a identificação do ato de comunicar, como ação, é elaboração de um observador; ou seja, a elaboração do sistema da comunicação que observa a si mesmo. Essa ideia significa, principalmente, que os sistemas sociais (incluindo a sociedade) só podem ser construídos como sistemas que se observam a si mesmos. Essas reflexões – que nos confrontam a Parsons e a tudo o que está disponível no mercado, enquanto teoria da ação – levam a renun- [21] ciar a uma fundamentação da sociologia na teoria da ação (e portanto, individualista) [NT!] (Nafarrate apud LUHMANN, 2009:20-21)
Aula II: Sistemas abertos

Contra o Santo Guerreiro. É o primeiro filme em cores de Glauber e retoma os personagens apresentados em Deus e o Diabo, porém em um contexto diferente, engendrando novas relações e problemas surgidos num Brasil tomado pela ditadura militar.
Um dos nomes mais respeitados em semiótica, a doutora e professora da PUC/SP, Lúcia Santaella e Jorge Larrosa, doutor em Filosofia da Educação e professor da Universidade de Barcelona, são nomes confirmados para o VII Seminário Linguagem, Discurso e Ensino e o I Seminário Internacional Linguagem, Interação e Aprendizagem, que ocorrem de 14 a 16 de setembro no campus Porto Alegre do UniRitter (Rua Orfanotrofio 555, Alto Teresópolis).





Desde anteontem o Cine Santander exibe filmes de Roberto Pires, pioneiro cineasta baiano que inspirou, entre outros, o jovem Glauber Rocha. Pires foi o responsável por indicar Glauber para a direção de Barravento. É dele, também, o primeiro longa-metragem rodado na Bahia, Redenção. A mostra vai até domingo (5 de setembro), com três filmes diários, entre os quais Tocaia no Asfalto (1962, foto ao lado), tida como a obra prima do diretor.