A edição de 2023 da Feira do Livro de Porto Alegre entra na reta final. A programação que movimenta o centro da Capital segue até quarta-feira (15), com atrações para os mais diversos públicos. Para fazer um balanço do que passou e do que ainda vem por aí, o Humanista conversou com o patrono da 69ª edição do evento, Tabajara Ruas.
O escritor e cineasta destaca que a primeira edição do evento literário após o encerramento oficial da pandemia de covid-19 tem registrado recordes de público e vendas. Além de novidades nos horários e atividades, a Feira também conta com um ponto de arrecadação de doações de livros destinados às bibliotecas dos municípios atingidos pelas enchentes no Vale do Taquari. Ruas também falou de sua última obra, que resgata a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial.
“São muitos números positivos nestes primeiros dias, como os 166 mil exemplares vendidos entre 27 de outubro e 5 de novembro, com uma média de obras comercializadas 3% acima da registrada no ano passado”
Tabajara Ruas
Uma Feira renovada
Aos 81 anos, o escritor e cineasta gaúcho, que foi exilado político de 1971 a 1981, produziu uma ampla obra bibliográfica, com 10 livros publicados no Brasil. Foi essa trajetória respeitável que levou Tabajara Ruas à posição de 69º patrono da tradicional Feira do Livro de Porto Alegre.
— É muito agradável a sensação de ser nomeado patrono da Feira, principalmente a reação das pessoas quando me encontram nos corredores ou nos estandes — diz Ruas.
O autor também refere que ficou contente por seus filmes terem sido exibidos gratuitamente na Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mário Quintana, na mostra “O Cinema do Patrono”.
— Muito bom também o reencontro com leitores, com amigos, as homenagens, como a da Cinemateca Paulo Amorim, que exibiu gratuitamente os meus filmes na mostra O Cinema do Patrono”. Tudo isso faz um bem danado! — salienta Ruas.
Um outro ponto de destaque é que esta edição da Feira do Livro está sendo a primeira após a decretação oficial do fim da pandemia. E Ruas destaca que a movimentação da Feira respondeu bem ao novo contexto, inclusive contando com novidades importantes.
— A feira está bem mais leve, todos bem descontraídos. A programação é multifária, para todas as idades e, além da escrita, temos outras expressões como a música, o teatro e o cinema. Nesta edição uma das novidades é o horário, todas as áreas – geral e infantil – abrem às 10h. Outro ponto alto é a presença de autores gaúchos, são 258 na 69ª Feira do Livro — destaca o patrono.
Uma obra para reconstruir a identidade nacional
Além de reedições de seus livros, nesta Feira Tabajara Ruas lançou a obra, “Você Sabe de Onde Eu Venho – A conquista brasileira do Monte Castelo” (Editora AGE). No livro, o autor aborda um tema que considera ainda pouco conhecido pelos brasileiros: como se deu a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial.
Resgatando detalhes que determinaram a entrada do Brasil no conflito mais sangrento do século XX, o escritor relata que entre 1944 e 1945 foram enviados para Itália pelo menos “25 mil pracinhas, que participaram de uma série de combates, enfrentando a falta de preparo e a neve nos Pirineus”. Para Ruas, essa história precisa ser contada porque é “uma monumental saga da moderna história do Brasil, que todos nós devemos conhecer”.
— O que me levou a escrever este livro foi o pouco conhecimento da maioria dos brasileiros sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, o conflito mais sangrento do século XX. Relato, por exemplo, como em 1942 a nação foi atacada em seu litoral pelos submarinos nazistas, quando o Governo de Getúlio Vargas foi obrigado a criar uma Força Aérea e uma Marinha para defender sua vasta costa. Foram afundados 33 navios brasileiros com mais de 2 mil mortos — aponta Ruas.

Reta final
Na reta final para o encerramento da Feira do Livro de 2023, o patrono afirmou que as expectativas apontam para recordes de público e vendas. — São muitos números positivos nestes primeiros dias, como os 166 mil exemplares vendidos entre 27 de outubro e 5 de novembro, com uma média de obras comercializadas 3% acima da registrada no ano passado. Até domingo, segundo a Câmara do Livro, foram 75.434 livros vendidos e na área infantil mais 40.500 comercializados — comemora Ruas. Com tantos números satisfatórios, o patrono ainda destacou a iniciativa de ser colocado na Feira um ponto de coleta de livros a serem doados às bibliotecas dos municípios atingidos pelas enchentes de setembro no Vale do Taquari. Segundo o patrono, já foram arrecadados pelo menos 1.500 exemplares. Essa ação social vai até o último dia da Feira (15) e o ponto de coleta fica em frente ao Memorial do Rio Grande do Sul.




