A pesquisa “Panorama do Consumo de Livros no Brasil”, da Câmara Brasileira do Livro (CBL), aponta que, em 2025, pessoas negras representaram 49% do total de leitores no Brasil; e mulheres pretas e pardas da classe C fazem parte de um dos maiores grupos de novos consumidores de livros. O racismo estrutural atravessa diferentes camadas da sociedade, e o universo literário não é exceção. Pela primeira vez em 72 edições a Feira do Livro de Porto Alegre, que inicia nesta sexta-feira (30), terá como patrona uma mulher negra. Trata-se de Heloisa Pires Lima, escritora e antropóloga com mais de 30 obras publicadas.
No episódio desta semana, o #ConversaHumanista recebe Angela Xavier, pesquisadora gaúcha, poeta, e autora da obra O Lanceirinho Negro (Editora Coralina). Ela explica a importância da literatura para o enfrentamento do racismo estrutural e para que crianças pretas se sintam representadas pelos livros didáticos. Quem também conversa com o Humanista é Jeferson Tenório, escritor de O Avesso da Pele (Companhia das Letras), professor e pesquisador carioca, que se radicou em Porto Alegre. O autor defende que a literatura indígena e negra são a própria literatura brasileira, uma vez que remontam a história de construção do país, atravessada pela aniquilação de povos originários, escravização e sequestro de corpos negros.
Os convidados compartilham com as repórteres Izadora Domingues e Maryanna Ferreira suas vivências enquanto pessoas pretas na literatura, como o preconceito reflete suas obras e a importância de combater o racismo estrutural presente, especificamente, no meio literário. Ouça!
Racismo no RS


O Rio Grande do Sul ocupa o segundo lugar no ranking nacional de registros oficiais de racismo, com 26,1 casos a cada 100 mil habitantes. O estado fica atrás somente de Santa Catarina, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Tenório compartilha que foi em Porto Alegre que conheceu o racismo e se entendeu como pessoa preta. Para Xavier, a história da população negra é marcada por um passado de dores, mas tem um futuro potente de representatividade e reivindicação dos espaços.
Ao longo de 72 edições, a Feira do Livro, considerada “o maior evento literário a céu aberto da América Latina”, teve somente duas pessoas negras ocupando o patronato: Jeferson Tenório, em 2020, e Heloísa Pires Lima, agora em 2026.




