Em 2020, o número de exemplares de livros vendidos caiu, mas o número de livros lidos aumentou.
Apesar de ser uma alternativa para “viajar sem sair de casa” como Julia definiu a leitura, a venda de livros físicos enfrentou uma grande queda no ano de 2020, de acordo com informações da SNEL (Sociedade Nacional dos Editores de Livros), em comparação ao ano de 2019.
A pesquisa da SNEL é feita em conjunto com a Nielsen Bookscan, empresa cujo objetivo é prover dados sobre a venda de livros e está presente em mais de 10 países. A metodologia da pesquisa consiste na coleta de dados feita diretamente no “caixa” das livrarias, já que os associados, sejam livrarias, e-commerce ou varejistas, enviam as informações para um banco de dados. Esses dados são enviados e atualizados semanalmente de forma online. São considerados apenas livros físicos.

A queda da venda de livros, em 2020, pode ser justificada pela pandemia do novo coronavírus e o fechamento das lojas físicas, como aponta o presidente da SNEL. Durante os meses de junho e julho, quando houve a reabertura de lojas físicas, também houve o aumento na venda de livros. Agosto e setembro apresentam os melhores números, chegando a 4 milhões de cópias vendidas — após o lançamento de Sol da Meia Noite, que como apresentamos anteriormente vende mais de 1 milhão de cópias em apenas uma semana.
“O setor editorial mais uma vez deu uma enorme demonstração de resiliência em 2020. Em meados de março, com a decretação da pandemia, o fechamento das livrarias e o início da quarentena, o ambiente geral era de muito medo e incerteza. Livreiros e editores renegociaram pagamentos, muitos funcionários foram colocados em regime de suspensão de trabalho, e os lançamentos foram interrompidos. Passados os primeiros 60 dias, o varejo online começou a reagir, e as vendas que haviam caído quase à metade se recuperaram. Em agosto vimos o mercado crescer em relação a 2019, as lojas físicas estão reabrindo, e a perspectiva é de fecharmos o ano com vendas praticamente iguais ao ano passado, o que será motivo de grande comemoração.” afirmou Marcos.

Apesar das vendas parecerem constantes, houve uma queda no número geral. Entre 2014 e 2018 foram 74 milhões de exemplares totais a menos vendidos no país. Enquanto em 2014 e 2015 praticamente todos os meses alcançaram a média de 3 milhões de exemplares vendidos, em 2018 e 2019 essa média não foi sempre alcançada; e enquanto em 2015 muitos meses se aproximaram dos 4 milhões de exemplares, essa média não se repetiu em 2018, 2019 ou 2020. Apesar disso, a maior queda é em 2020, tanto pelo fechamento das lojas físicas quando pela crise econômica que se aproxima.
Mas para um país com mais de 209 milhões de habitantes, a venda de 3 milhões de exemplares por mês pode ser considerado algo positivo?
Quem lê?
A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita pelo Instituto Pró-Livro busca analisar o comportamento do leitor brasileiro. De acordo com a pesquisa, é considerado leitor quem leu pelo menos um livro em três meses.

Apesar de leitores ainda serem a maioria, houve uma queda no número entre 2015 e 2019. Entretanto, entre crianças de 05 a 10 anos, que estão sendo alfabetizadas, esse número aumentou de 61% para 71% da população. Mulheres leem mais que homens e a porcentagem de pessoas com ensino superior que leem é de 68% — em 2015 esse número era de 85% — enquanto de quem tem apenas o ensino fundamental I (até o quinto ano) é de 49%.
As classes altas, em porcentagem, são as que mais leem, chegando a 67% da população que recebe mais de 10 salários mínimos, enquanto 41% das pessoas que recebem até um salário mínimo são leitoras.
Se contarmos, entretanto, a população, o número se apresenta de forma diferente: 22,6 milhões de leitores recebem apenas um salário mínimo, enquanto 3,5 milhões recebem mais de 10. Um número menor de pessoas recebe 10 salários mínimos, mas o fato de 22,6 milhões de leitores receberem apenas um salário mínimo e serem consideradas leitoras pode demonstrar que a fala do Ministro da Economia, Paulo Guedes, de que livro é um produto para elite é equivocada.
Adaptação editorial a “nova realidade”
Uma das formas encontradas para estimular e aumenta a venda do mercado editorial foi a adaptação de eventos que normalmente ocorreriam no formato presencial para o formato online. É o caso da Feira do Livro de Porto Alegre, da FLIP e da Bienal do Livro de São Paulo — que havia sido cancelada previamente.
A Feira do Livro de Porto Alegre
A tradicional Feira do Livro de Porto Alegre está em sua 66ª edição. Ela ocorre desde 1955, sempre na Praça da Alfândega. Sua versão online ocorreu entre os dias 30 de outubro a 15 de novembro e reuniu escritores de todo estado. Houve lançamento de livros, contação de histórias, também entrevistas pelo Coletivo Mulheres Jornalistas, além de diversas palestras que variam de literatura infantil para o tempo, passando pelo processo de escrita durante a pandemia e representatividade negra.
Entre as bancas estavam editoras conhecidas, como a L&PM Editores; editoras menores, como a Dom Quixote e a Metamorfose; também livrarias conhecidas da cidade, como a Traça e a Aurora. As atividades que ocorreram nos 15 dias de feira estão disponíveis em seu canal no Youtube.
FLIP
A Festa Literária Internacional de Paraty surgiu em 2003 com o objetivo de promover a cidade por meio das artes. Em 2020, está em sua 18ª edição e também ocorrerá de forma virtual entre os dias 3 e 6 de dezembro.
O evento contará com nomes do mundo todo, como o cantor Caetano Veloso, o filósofo espanhol Paul Preciado, a autora estadounidense Eileen Myles, e o autor nigeriano Chigozie Obioma
Bienal do Livro de São Paulo
A Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorreria nos dias 30 de outubro a 8 de novembro, foi cancelada em junho pela Câmara Brasileira do Livro, “no momento, a principal preocupação é garantir que o público e expositores possam voltar a frequentar o espaço do evento em segurança”, a organização afirma no comunicado.
O evento iniciou-se ainda na década de 50, organizado pela CBL, mas tornou-se internacional apenas em 1970. Na 25ª edição, que ocorreu em 2018, mais de 600 mil pessoas participaram da Bienal. A próxima 26ª edição está marcada para o ano de 2022.
Mas o ano de Bienal não poderia passar em branco, por isso foi criada a 1ª Bienal Virtual do Livro de São Paulo, que se realizará entre os dias 7 e 13 de dezembro: “realizada totalmente online — na tradição de sucesso dos 50 anos de realização da Bienal do Livro — ela foi feita especialmente para conectar pessoas e livros em um evento com portas abertas para o mundo”, explicam os organizadores no site do evento. Entre os expositores estão a Companhia das Letras, Panini, LeYa, Harper Collins, e outros.
As atividades ainda não estão disponíveis, mas as inscrições já estão abertas.




