Histórico

Missão

A missão do IGEO UFRGS é a excelência nas atividades de educação superior no que tange os campos da Geologia, Geografia e Engenharia Cartográfica, promovendo a qualidade do conhecimento geocientífico nas esferas do ensino, pesquisa avançada e extensão com sua comunidade.

Visão

A visão do IGEO UFRGS é formar profissionais capacitados a difundir as Geociências com consciência ética para o desenvolvimento humano e tecnológico na área das Ciências Exatas e da Terra.

Valores

  • Qualidade e excelência no Ensino Superior
  • Valorização e respeito a sua comunidade
  • Promoção de pesquisa avançada
  • Difusão da extensão universitária
  • Comprometimento humano e ético

A História

Texto do professor Raphael Copstein, publicado no volume comemorativo aos 25 anos do Curso de Geologia
(Modificado e atualizado pelo Prof. Iran Carlos Stalliviere Corrêa em 2007)

O atual Curso de Geologia tem suas raízes na extinta Escola de Geologia, fundada na segunda metade da década de cinquenta. Até então, inexplicavelmente, cursos profissionais de Geologia não integravam o esquema de ensino brasileiro.

O crescimento do País e a necessidade de obtenção de independência econômica em diversos setores da economia nacional passaram a exigir técnicos que as instituições existentes não tinham condições de satisfazer. Entre estes setores, o relacionado com o domínio dos conhecimentos geológicos sobressaía-se pela modéstia. Respondendo a inequívoca pressão de uma exigência nacional, criou-se no âmbito do Ministério de Educação e Cultura a ” CAMPANHA DE FORMAÇÃO DE GEÓLOGOS ” – CAGE. Coube-lhe a patriótica tarefa de armar o país com pessoal, quantitativa e qualitativamente, capaz de satisfazer tanto a demanda dos órgãos públicos como a da iniciativa privada. Para conseguir seu desiderato, articulou recursos financeiros existentes e criou quatro Cursos de Geologia. O Rio Grande do Sul, onde a Universidade dispensava certa atenção a disciplinas geológicas, foi contemplado com um deles. CAGE e Rio Grande do Sul, através da Universidade, trabalharam celeremente. Formada a Comissão em 11 de janeiro de 1957, já em abril, sob sua égide, instalava-se o primeiro Curso de Geologia.

Desde o momento inicial, a Coordenação do Curso de Geologia passou a ter preocupação quanto à excelência dos componentes do corpo docente. Para sua organização selecionou, no meio sul-rio-grandense, os mais gabaritados. Apelou para a colaboração de pessoas experientes tanto na Universidade do Rio Grande do Sul como em outras entidades como o Departamento Autônomo do Carvão Mineral, o Instituto Tecnológico do Rio Grande do Sul, a Secretaria da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, entre outros. Procurando especialistas não existentes aqui, chamou elementos do estrangeiro. O “Servicio Geologico Del Uruguay”, através do USAID o ” United States Geological Survey” e ” Lousiana Coastal Institute” e posteriormente os governos alemão e francês forneceram preciosa colaboração. Presenças iniciais e constantes através do tempo têm sido o Conselho Nacional de Pesquisas e a Campanha de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

A rapidez com que foi posto a funcionar e a própria conjuntura, não permitiram sediar o curso em instalações satisfatórias. O extinto Instituto de Ciências Naturais e os Institutos de Física e Química da Escola de Engenharia foram os abrigos de suas primeiras secções. Na medida em que cresceu, foi se expandindo por diversos prédios do quarteirão universitário, alguns de construção precária, outros de escassa adequação. O espírito estudantil, naturalmente irreverente, batizou-os com denominações pitorescas (Chatô, Palácio, etc).

As dificuldades apresentadas pelo espaço físico foram superadas pela capacidade e ânimo do corpo docente, organização impressa pela Coordenação e entusiasmo dos primeiros discentes. O curso foi programado com quatro séries, cada uma com duração de um ano, e 25 vagas. Suas atividades, ainda na primeira fase pioneira, não se cingiam à duração do ano letivo consagrado na Universidade. O currículo, em uma antecipação do que a última reforma propiciou a todos os universitários, oferecia ensino obrigatório de línguas abrindo, assim, as perspectivas de consultar a melhor bibliografia existente e o maior contato com os mestres que tinham, no inglês, a língua materna.

Os altos níveis alcançados pelo ensino e pesquisa cedo deram frutos. Iniciado o Curso de Geologia em abril de 1957 (aula inaugural), dois anos após a Comissão Coordenadora da CAGE, em resolução que constituiu um marco na História da Geologia Nacional, transformou-a na primeira Escola de Geologia do país. Era coordenador o Professor Dr. Irajá Damiani Pinto que, poucos dias após o início do curso (26 de abril de 1957) assumia aquele posto em substituição ao Professor Athos Pinto Cordeiro. O Dr. Damiani Pinto permaneceu à testa da Geologia por 11 anos.

Ligada à Universidade do Rio Grande do Sul por vários liames, a Escola de Geologia, entretanto, não a integrava como uma de suas instituições. Somente em 1965, extinta a CAGE, a Escola de Geologia de Porto Alegre passou a ocupar a posição que lhe era devida no âmbito educacional superior, sendo incorporada à Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Não dispondo de congregação, coube ao Conselho Universitário, em virtude da legislação vigente, as atribuições inerentes àquele órgão acadêmico. A autonomia plena foi alcançada em 1969, quando medida legal possibilitou a instalação de sua primeira congregação.

No ano de 1968 iniciaram-se os Cursos de Mestrado e Doutorado. Estes obtiveram seu reconhecimento pelo Conselho Nacional de Pesquisa, sendo o Mestrado aprovado em 04 de junho de 1969 e o Doutorado em setembro de 1972. Através do Processo nº 116 de 1972, o Conselho Federal de Educação reconhece o Curso de Pós-Graduação em Geociências, em nível de Mestrado e Doutorado.

No início de 1973, em virtude de eficiência demonstrada pelo Curso de Pós-Graduação, o Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) reconheceu-o como Centro de Excelência, podendo ministrar cursos de mestrado e doutorado em Estratigrafia, Geologia Marinha, Geoquímica, Micropaleontologia e Paleontologia. Atualmente (2007), além das citadas pós-graduações, o Instituto de Geociências ministra em nível de graduação, cursos de Geologia, Geografia e Engenharia Cartográfica, segundo currículos organizados pelas respectivas Comissões de Graduação, COMGRAD/GEO – Comissão de Graduação de Geologia, COMGRAD/GEA – Comissão de Graduação de Geografia e COMGRAD/CAR – Comissão de Graduação de Engenharia Cartográfica. Em Geografia oferece as porções herdadas da Faculdade de Filosofia, o Bacharelado e a Licenciatura. Para a consecução das tarefas docentes em graduação, o Instituto possui os seguintes departamentos: Geografia, Geologia, Mineralogia e Petrologia, Paleontologia e Estratigrafia e Geodésia. Atendem os cursos específicos e ainda ministram aulas, em sua especialidade, para os Cursos de Engenharia de Minas, Engenharia Química, Engenharia Metalúrgica, Agronomia, Arquitetura, Ciências Biológicas, Ciências Sociais, História e Engenharia Civil. Integram o Instituto, como órgãos auxiliares, o Centro de Investigação do Gondwana (CIGo), o Centro de Estudos de Geologia Consteira e Oceânica (CECO) e o Centro de Estudos em Petrologia e Geoquímica (CPGq). O Instituto de Geociências conta ainda com uma muito bem estruturada Biblioteca, considerada uma das melhores do Brasil e em alguns campos especializados, das melhores internacionalmente.

O Nascimento do Instituto de Geociências

Com o crescimento industrial e econômico na década de 1950, firmado pela campanha Governamental “O Petróleo é Nosso”, o País sentiu a necessidade de formar profissionais geólogos capacitados para atender a demanda apresentada pelo avanço do desenvolvimento social e tecnológico[1].

Nesse sentido, em 1957 o Ministério da Educação instituiu a Campanha de Formação de Geólogos (CAGE), com o objetivo de formar profissionais de Geologia para executar as atividades inerentes à área e de exploração petrolífera.

O curso de Geologia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IGeo/UFRGS), foi um dos quatro cursos que iniciaram suas atividades de ensino no País. Devido ao seu desempenho tanto no ensino quanto na pesquisa, dois anos depois de sua criação o curso foi transformado pela CAGE, na primeira Escola de Geologia do País. Com a extinção da CAGE em 1965, a Escola de Geologia foi oficialmente incorporada à UFRGS.

Em 1970, com a implantação da reforma universitária do ensino, através da Lei nº 5.540/68[2], a Escola de Geologia foi extinta. Foi então criada uma nova unidade de ensino, o Instituto de Geociências (IGeo/UFRGS), abrigando os cursos de graduação de Geologia e Geografia.

Com o objetivo de promover o ensino e a pesquisa em nível avançado, em 1969 foi criado o curso de Pós-Graduação em Geociências, atendendo ao Mestrado e Doutorado. Em 1973, recebe o credenciamento do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) como Centro de Excelência.

Além do curso de Geologia o IGeo/UFRGS provê os cursos de graduação em Geografia e Engenharia Cartográfica. O primeiro tem como finalidade graduar bacharéis e licenciados naquele ramo do conhecimento, além de promover pesquisas na área geográfica. O segundo, curso de Engenharia Cartográfica, possui características multidisciplinares com atuação nas áreas de Geodésia, Cartografia, Sensoriamento Remoto e Fotogrametria, buscando atender esse segmento profissional no sul do País. Em 1998, a Instituição implementa o curso de Pós-Graduação em Geografia, contemplando os níveis de Mestrado e Doutorado.

O IGEO/UFRGS dedica-se as atividades de ensino, pesquisa e extensão na área de Ciências da Terra, através dos campos da Geologia, Geografia e Engenharia Cartográfica. Para atingir suas finalidades o IGeo/UFRGS estrutura-se em cinco departamentos dedicados ao ensino de graduação (Geografia, Geologia, Mineralogia e Petrologia, Paleontologia e Estratigrafia e Geodésia), dois programas de pós-graduação (Geografia e Geologia) e quatro órgãos auxiliares, voltados basicamente à pesquisa e ao ensino de pós-graduação (Centro de Estudos Costeiros (CECO), Centro de Investigação do Gondwana[3] (CIGO), Centro de Pesquisas em Geoquímica (CPGq) e Centro de Pesquisas Climáticas (CPC), três museus (Museu de Topografia, Museu de Mineralogia e Museu de Paleontologia), Biblioteca, laboratórios, e setores de apoio administrativos. Atua em projetos de extensão, envolvendo principalmente a realização de cursos, seminários e palestras e na prestação de serviços através de análises laboratoriais, emissão de pareceres e consultoria em geral, levantamentos fotogramétricos e de imagens orbitais, entre outros a órgãos públicos, privados e à comunidade em geral.

Desde sua implantação em 1957, a Instituição tem mantido expressiva contribuição na formação de novos geólogos para o País e, principalmente, no desenvolvimento de novos conhecimentos nas diferentes áreas das Geociências. Ao longo desses anos, a pesquisa científica e sua divulgação é incentivada por todas as administrações do IGEO/UFRGS e sempre houve preocupação, também, em estabelecer parcerias com organizações nacionais e internacionais, propiciando maior inserção social do Instituto.

[1] Como um dos pioneiros do país, a Geologia na então Universidade do Rio Grande do Sul, configurou-se e ainda configura-se, na forma do Instituto de Geociências, num dos principais centros formadores de recursos humanos e de pesquisa na área, tendo sido, sem dúvida, fundamental no triunfo da Campanha Governamental “O Petróleo é Nosso”, estabelecida na década de 50, e que deu origem, dentre outras companhias e órgãos à “Petrobrás”. […] através da pesquisa básica, no desenvolvimento da área de Exploração e Prospecção do Petróleo. Ambas as atividades foram imprescindíveis na transferência do gerenciamento de pesquisas geológicas no Brasil para as mãos dos brasileiros e no desenvolvimento de uma tecnologia totalmente nacional aplicada à Exploração e Prospecção do Petróleo com padrão reconhecidamente internacional […] (IANNUZZI e FRANTZ, 2007, p. 9).
[2] O Congresso Nacional aprova a Reforma Universitária, pela Lei n° 5.540, de 28/11/68, fixando normas de organização e funcionamento do ensino superior.
[3] A Gondwana foi uma grande massa de continente localizada no hemisfério sul há cerca de 180 milhões de anos e composta pelas atuais América do Sul, África, Oceania, Antártica e o sub-continente indiano. A deriva dos continentes iniciada há 200 milhões de anos originou a fragmentação desta grande massa de terra, dando origem aos continentes que atualmente ocupam o hemisfério sul.