Eixo 1: Pensamento Popular e suas manifestações
Responsáveis: Magali Mendes de Menezes e Ana Lúcia Castro Brum
Local: Salas 412 e 413
Refletir sobre o pensamento popular é fazer um mergulho profundo no que nos constitui enquanto povo. Tecido pela memória entranhada na pele, na oralidade da palavra ou em sua escrita inventada para dizer o que muitas vezes não cabe na gramática científica, o popular cria caminhos de existência. Mas como compreendemos o que é o popular? Como ele se manifesta na estrutura social, cultural, política de um território e de sua gente? Quais os traços, linguagens, produções, lógicas que emergem do pensamento popular? O pensamento popular não é somente pensamento, é vida, força, alma, manifestação de coletivos que se nutrem da simplicidade de um existir permeado pela dureza do cotidiano e pela beleza de viver “sem mais”. Trazemos estas questões para impulsionar nosso debate em torno de um pensar muitas vezes negado e, ao mesmo tempo, capaz de promover movimentos de resistência (de) coletivos.
Eixo 2: Mulheres, sabedorias e lutas: o feminino na Améfrica Profunda
Responsáveis: Ana Luisa Teixeira de Menezes, Fátima Rosane Silveira Souza e Aline Gobetti Oliveira
Local: Salas 511 e 512
O objetivo desse eixo é estabelecer diálogos sobre e com as mulheres negras e indígenas da periferia da Améfrica Profunda através de suas narrativas, histórias de vida e sabedorias, nos coletivos em que vivem. Essas histórias e sabedorias constituem seus modos de re-existência, evidenciando o sentido de criação e da capacidade de se reinventarem, inspiradas pela ancestralidade e vivências de seus povos.
Eixo 3: Ações Afirmativas nas Universidades
Responsáveis: Simone Valdete dos Santos e Marinês Castro Lemes
Local: Sala 304
A presença indígena, negra, quilombola e popular, propiciada principalmente por Ações e Políticas Afirmativas na universidade tem forjado espaços inovadores e democráticos, de vida e re-existência. São corpos que representam coletividades historicamente excluídas da academia; são presenças que trazem consigo conhecimentos e metodologias de saberes e práticas de nossa Améfrica profunda. Como repercute essa presença nas universidades? Que potência apresentam para constituir pluralidades epistêmicas nos espaços acadêmicos? Que possibilidades antirracistas e descolonizadoras propiciam essas presenças? Nesse sentido, convidamos à reflexão acerca das Ações Afirmativas e suas possibilidades para a democratização das instituições de ensino superior.
Eixo 4: Interculturalidade, Bem-Viver e as experiências filosóficas
Responsáveis: Neusa Vaz e Silva e Marcia Rosmann
Local: Salas 503 e 510
A Interculturalidade nasce de uma compreensão da multiplicidade cultural de nossos contextos. É uma maneira de ver, uma atitude comprometida com o Outro que é distinto de Mim. Os movimentos sociais contemporâneos junto com a filosofia e a educação intercultural, o cuidado e a luta por uma vida saudável e afetiva propiciam o reviver das raízes profundas que nutrem nossa América e nos convidam a recuperar o sentido do bem comum de todas as pessoas. Lélia Gonzalez, nos fornece elementos para a prática intercultural por meio de sua reflexão filosófica, de seu trabalho com mulheres e movimento negro. Rodolfo Kusch vivenciou a postura intercultural ao estabelecer o diálogo com as culturas populares e indígenas, respeitando e valorando a heterogeneidade de todos os povos. Convidamos a refletir sobre um desses temas.
Eixo 5: Améfrica profunda, democracias e movimentos sociais
Responsáveis: Juçara Benvenuti e Laura Mansur
Local: Sala 402
Os povos da Améfrica Profunda estão se reconectando com suas ancestralidades como forma de se conhecer/reconhecer e existir/resistir. É com esse pensamento que este eixo abre espaço para discussões pautadas em Rodolfo Kusch, Lélia Gonzalez e outras/os pensadoras/es que contribuem para compreender os sentidos da democracia e dos movimentos sociais, os quais demonstram os avanços da direita bem como os movimentos de resistência a esse modelo de sociedade. Além disso, são bem-vindas discussões que abrangem os processos de colonização, assim como os processos de fagocitação que constituem caminhos da resistência e descolonização da Améfrica Profunda.
Eixo 6: Corporeidade, espiritualidade e narrativas ancestrais
Responsáveis: Juçara Benvenuti e Laura Mansur
Local: Sala 402
As narrativas ancestrais trazem até a contemporaneidade os ritos, as cosmologias, as práticas sociais da Améfrica Profunda, perpetuando os valores de cada sociedade ameríndia e afrodescendente. Nesse sentido, este eixo acolhe discussões, estudos, práticas e investigações que refletem a corporeidade e a espiritualidade na perspectiva de uma Améfrica Profunda, feminina e popular, bem como as questões ligadas à memória e ritos em práticas sociais que marcam a permanência dos saberes milenares, manifestados nas comunidades como elementos de conhecimento, de formação e perpetuação das cosmologias ameríndias e afrodescendentes.
Eixo 7: Povos da terra, educação, cosmologias e línguas
Responsáveis: Maria Aparecida Bergamaschi e Jade de Oliveira Monteiro
Local: Salas 403 e 404
Os povos da terra, contém em seu seio uma diversidade de conhecimentos teóricos e práticos relacionados com cosmologias ancestrais, modos de vida, línguas e pedagogias próprias. No entanto, enfrentam o desafio histórico e atual de lidar com questões interculturais, coloniais e decoloniais, em uma sociedade onde predomina a imposição de padrões culturais, linguísticos e educacionais euronortecentrados. Este eixo acolhe reflexões que integram o pensamento de Rodolfo Kusch, Lélia Gonzalez e de outras/os autoras/es, com conhecimentos, metodologias e compreensões da Améfrica profunda, incluindo cosmologias, sistemas organizacionais, línguas, tecnologias e processos educacionais próprios, de modo a contribuir para uma maior compreensão do pensamento amefricano.
Eixo 8: Artes como práticas culturais na Améfrica Profunda
Responsáveis: Ana Lúcia Liberato Tettamanzy e Cristiano Rocha Piton
Local: Salas 603 e 612
As artes, enquanto prática cultural, transcendem a estética para se tornar um espaço de resistência, identidade e transformação social. A partir do olhar de Rodolfo Kusch e Lélia Gonzalez, emergem expressões profundas do sentir-estar amefricano, vinculadas às raízes populares da Améfrica. Para Kusch, as artes se configuram como atos de existência, diálogos entre o humano e o cosmos, em que sagrado e cotidiano se entrelaçam. Lélia Gonzalez nos convida a enxergar as artes como instrumento de luta e afirmação das culturas negras e indígenas, como ato político para descolonizar mentes e corpos, reafirmando saberes ancestrais e identidades marginalizadas: artes como espaços de re-existência, onde a memória e a criatividade se unem. Nesse sentido, convidamos a pensar as artes como um processo vivo, que nos conecta às nossas raízes e nos projeta em direção a um futuro mais plural e intercultural.