Para o trimestre Outubro/Novembro/Dezembro (OND) os dados de temperatura da superfície do mar (TSM) do oceano Pacífico Equatorial apontam a continuidade do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) [probabilidade > 90%], cujo ápice tende a ocorrer no trimestre NDJ. Seguimos estimando um El Niño de moderado a forte a partir do segundo semestre de 2023 (índice ENOS/CPC superior a 2.0 no trimestre NDJ/2023-24). Nas últimas semanas, as anomalias de TSM na região do ENOS apresentaram um leve recuo em relação ao mês anterior, porém ainda consistente com o padrão do evento. Salientamos que o Oceano Atlântico permanece com anomalias positivas de TSM, sendo os maiores valores observados desde o início das medidas sistemáticas por meio de satélites.
Com relação à precipitação, no referido trimestre, por conta do fenômeno El Niño que persiste (e tende a se intensificar até o verão), a previsão climática continua apontando altos volumes de chuvas para a região como um todo. Conforme já discutido em inúmeros estudos, o fenômeno desencadeia precipitação acima da média no sul do Brasil, com sinal mais forte no RS durante a primavera. Esse sinal já foi percebido neste mês de setembro, que registrou precipitação excessiva, especialmente no referido Estado. Lamentavelmente, muitas pessoas perderam a vida e há incontáveis prejuízos materiais. Infelizmente, este padrão tende a permanecer, dado que o El Niño segue se intensificando e que o período em que o sinal do evento é mais forte, é justamente na primavera. Assim, a previsão para a estação, tanto do nosso modelo, quanto da grande maioria dos demais modelos globais e regionais analisados, mostram precipitações acima da Normal, ao longo dos próximos três meses. Para as temperaturas, os desvios tendem a ficar entre dentro a ligeiramente acima da média nos três estados.
Conforme discutido na previsão do mês passado, a distribuição espacial da precipitação prevista, tanto pelo nosso modelo, quanto de outros centros (em especial do Centro Europeu – ECMWF), indica que os maiores volumes de chuva tendem a se concentrar no noroeste do RS e oeste de SC e do PR. Esse ‘sinal’ condiz com a formação de sistemas convectivos, em especial os Complexos Convectivos de Mesoescala (CCM), que atuam nesta região na primavera e tendem a ser mais frequentes em anos de El Niño. Esses sistemas, conforme descrito na literatura, costumam estar associados a tempo severo e chuvas volumosas.
A previsão para o trimestre SON pode ser acessada na íntegra no link abaixo, bem como ‘Indicadores-Modelo’.
Denilson Ribeiro Viana, Glauco Freitas, Francisco Eliseu Aquino
VIANA, D. R.; GLAUCO, F.; AQUINO, F. E. Modelo Regional de previsão Climática para o Sul do Brasil (MoReClima-SUL) – Outubro a Dezembro de 2023.
Indicadores Oceano-Atmosféricos e Modelos Climáticos para a América do Sul – Setembro de 2023
Denilson Ribeiro Viana, Glauco Freitas, Francisco Eliseu Aquino
VIANA, D. R.; GLAUCO, F.; AQUINO, F. E. Indicadores Oceano-Atmosféricos e Modelos Climáticos para a América do Sul – Setembro de 2023.









