![]() ![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
BIBLIOTECA ...................................... |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| ARTIGOS | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| LUGAR DO ATELIÊ: ENTRANDO PELOS BASTIDORES | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ateliê é um espaço onde o processo acontece e é como um caderno de esboços do artista, pois há uma performance rica e intimista neste espaço. Percebo que, quando recebo visitas no ateliê, as pessoas se interessam muito pelo processo criativo e querem saber de onde surgiu cada idéia. Geralmente, tem-se a ilusão de que o “como se faz” é legado ao técnico/ artesão, e que esse é um fazer exclusivamente da manualidade. Então, o que eu pretendo colocar é um processo de criação explicitado pela prática de ateliê – daí a importância do “lugar do ateliê”, que é um espaço onde há um registro da singularidade de quem o usa, não importando as dimensões, nem a sofisticação, ou não, dos equipamentos – o que importa é que se trata de um espaço a ser preenchido. Por isso, em primeiro lugar, sugiro que o espaço de criação e de trabalho seja organizado e o mais livre possível de informações externas e sem medo do “vazio”. Na nossa sociedade, muitas vezes, sentimos medo do vazio, porque ele se confunde com a solidão – mas são coisas diferentes – para se criar, é necessário este vazio.1 O ateliê Meu ateliê é meu ponto de partida. Olho para trás e vejo, em perspectiva, o percurso trilhado que se encontra em um ponto: as origens de minha produção artística visual. A partir do ateliê, e num percurso retroativo, mostro a obra como manifestação da vida, pois considero que é nesse espaço que posso manifestar a totalidade de minhas preocupações, de ordem existencial, conceitual e estética, abrangendo também a prática e a técnica, transformando-as em poéticas visuais.
________________________________________________ |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Fotos do ateliê de Norma Fonte: www.normagrinberg.com.br |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Quanto mais próximo estiver de um espaço que o artista julgue ideal para a realização de seu trabalho, mais o ateliê cria condições para que a arte se manifeste em sua totalidade, se aprofunde, se alargue, ultrapasse limites, abra portas. Um ateliê não faz a obra, mas permite que a obra seja feita em condições – tanto quanto possível – ótimas. Um ateliê também guarda um caráter de obra autoral, na medida em que, nele, expressam-se na arquitetura, na disposição das obras em processo e finalizadas, até na simples disposição dos acessórios, dos equipamentos, dos objetos, reflexões pessoais entre a vida do artista e seu processo de criação. Para falar do processo, mostro primeiramente o nosso ateliê do CAP (Curso de Artes Plásticas da Universidade de São Paulo) – um projeto que pensei com o arquiteto João Cohn, dentro de um espaço que me foi determinado, e que tem se mostrado eficiente, apesar das condições precárias da nossa universidade. A disposição das bancadas e equipamentos funcionam satisfatoriamente, bem como a iluminação e a ventilação, que são apropriadas ao ambiente para este trabalho específico. Peço licença também para falar do meu ateliê – não por arrogância, mas como transmissão de várias referências que coletei nos meus percursos por ateliês, escolas, universidades e pesquisas em livros e revistas da área. Sempre estive atenta a estas questões de organização espacial e tais referências me foram necessárias no desenvolvimento do meu processo e do meu ambiente de produção artística. O meu espaço atual de trabalho não surgiu de um momento para o outro, nem é um espaço “ideal”. É resultado de um longo processo vivo que, portanto, continua e se modifica a cada momento. Cada obra exige adaptações e reformulações de toda natureza, porque a criação não é um processo linear e a realização de uma idéia requer materiais e performances distintas. Durante o dia nossos pensamentos e idéias vêm como um turbilhão – parece um verdadeiro caos, mas há nisso uma “ordem” que com o tempo descobrimos que é singular: é a maneira como pensamos e como optamos diante do fazer. O lugar do ateliê também se apresenta como o nosso trabalho: é um percurso de escolhas. Por isso, eu o considero como um espaço singular, diferentemente do “não lugar” que é o lugar impessoal, que conhecemos muito bem nessa supermodernidade repleta de números, senhas e acessos impessoais. Segundo Marc Augé2, o não lugar é um espaço diametralmente oposto ao lar, à residência, ao espaço personalizado. A proposta aqui é tomar um lugar para o ateliê e personalizá-lo, isto quer dizer um espaço que você ocupa com um esboço, com um trabalho em andamento, com suas ferramentas de uso – é um lugar que tem um vínculo com os seus insigths – um lugar vital e atrativo (que esteja limpo, organizado e bonito), porque sempre há algo a elaborar, desenvolver, concluir... Essa qualidade não se dá necessariamente pelo tamanho, pela localização ou pela sofisticação dos equipamentos. Com isso quero dizer que é possível instaurar o lugar do ateliê nos lugares mais improváveis, mesmo num espaço improvisado, dentro de casa, é possível demarcar um campo de criação, no qual o artista se dê o direito de sonhar – e sonhar, inclusive, com a posse e a ampliação desse espaço. Este pequeno oásis pode ser a simples fixação dos ensaios numa parede ou em uma prateleira (para os que preferem registrar as suas idéias diretamente no barro). E um local para que o artista possa revisitar seus ensaios cada vez que passar por ali, mesmo que não tenha tempo hábil para um envolvimento mais concreto com a produção naquele momento. No meu caso, ao conceber o ateliê com o saudoso arquiteto Gilberto Nascimento, juntei elementos da História da Arte, conceitos sobre o fazer artístico e imposições de caráter técnico inerentes à cerâmica, meio com o qual, todos os dias, experimento a transformação do conceito em forma e da forma em matéria. A partir do ateliê, escrevo boa parte da minha vida. _________________________________________________________________ Uma visita Como a proposta é de uma entrada pelos bastidores da criação em cerâmica, nossa chegada se dá, já com alguma intimidade, pelo corredor lateral onde nos deparamos com mobílias inerentes à prática da cerâmica: a mesa de fundição, a mesa da esmaltação, o depósito de minerais, o apoio para as formas de gesso e os fornos – que por segurança exigem um ambiente ventilado. Logo à direita deste espaço, ocorre a modelagem, com suas mesas, balcões auxiliares com rodapé, cuba para água, tomadas, prateleiras, estaleiros, iluminação e ventilação adequada. Os estaleiros são os suportes para a secagem de trabalhos que requerem uma atenção especial, pois eles estão em desenvolvimento, secagem e finalização. Os estaleiros são estruturas de uma estante com boa profundidade (70 cm) para colocar prateleiras de madeira soltas que também servem de apoio para os trabalhos. Para a secagem mais lenta dos trabalhos em processo, é importante observar o posicionamento dos estaleiros de modo que seja evitada a secagem direta ao sol. Há ainda, nesse ambiente, um espaço de atenção especial para as “coisas” recolhidas ou modeladas que gestam outras possibilidades e idéias. Um espaço silencioso, interno, mas latente. Especificidades a partir do meu processo em cerâmica As mesas de trabalho podem ser mesas com 80 cm de altura – um padrão comum entre mesas. Sugiro a utilização de bancos de 55 cm (aproximadamente) e não de cadeiras, pois estas limitam mais os movimentos do corpo – eu trabalho com o corpo todo – e a experiência de diversos tipos de apoio é muito importante. Os balcões funcionam como apoios laterais e são fundamentais para quem desenvolve vários trabalhos ao mesmo tempo. O barro, que é a matéria com a qual trabalhamos, tem seu próprio tempo para ser manipulado. São necessários vários estágios de umidade para que se possa dar continuidade a um trabalho – desde a plasticidade total, para plasmar a forma, até a rigidez que é a evaporação da água que foi acrescentada ao barro em pó, chegando ao material que será levado ao forno. A boa iluminação é fundamental, de preferência com a luz natural complementada pela luz fria e indireta. A mesa de fundição consta de duas pranchas com um intervalo central para que se possa derramar a barbotina que corre numa canaleta abaixo deste centro. A girândola é um liquidificador para grandes volumes e é importante para mesclar a barbotina, deixando-a suspensa e homogênea antes do uso. Vale lembrar que todos estes equipamentos, exceto os fornos, são móveis e podem ser adaptados a cada projeto de trabalho. Os moldes de gesso propiciam a reprodução dos modelos que utilizo não necessariamente como duplos, mas como elemento criativo. Os fornos, uma vez que emitem gases tóxicos pela queima dos minerais, por segurança exigem um ambiente ventilado. O próximo passo é a biblioteca que guarda, além dos livros, revistas e catálogos, uma pequena coleção de obras de outros artistas e uma pasta de desenho. A organização dos projetos, seja numa pasta ou numa biblioteca, registra a gênese do trabalho e dá ao autor um retrato de seu percurso. Isso mantém o processo ativo e enriquece a elaboração. Quanto à arquitetura do espaço, apoiei-me na idéia do “Cubo Branco”3– espaço que na contemporaneidade designa o local expositivo acessível e que tem a obra como foco de atração, sem interferências do mundo externo. É o espaço formado por um maior número de paredes sem janelas. O espaço expositivo é também um laboratório, no qual a obra continua sendo elaborada por meio das possibilidades compositivas e dos olhares do público – ela nunca está fechada. Posso considerar que o processo é contínuo até para um mesmo módulo, afinal, este é desdobrável em infinitas
______________________________________________________________________________ acolhem o acaso, o lúdico e o jogo desafiador da composição – despertado pelo desejo da continuidade4. _______________________________________________________________________________ |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||