TÉCNICAS
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Rodrigo Núñez


M
ACIÇO OCADO
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Ilustração: Rodrigo Núñez

   
 
   
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Maciço Ocado é uma das técnicas de construção cerâmica mais antigas. Ela nada mais é do que um modelado tradicional (escultórico) que passa por um processo de ocagem
Se oca uma peça por dois motivos: primeiro para economizar material pois, retiramos de dentro de cada peça até 70% do volume de massa que usamos para modelá-la;



Segundo, porque evitamos as temidas bolhas de ar que podem existir no meio da massa; elas, ao se expandirem com o calor do fogo e não encontrarem uma saída podem provocar a quebra da peça em alguns casos de forma tão violenta que poderá danificar outras peças e até mesmo o forno.

Após modelar qualquer forma é necessário antes de ocar, deixar a forma modelada exposta ao ar sem nenhum tipo de cobertura (exceto nas extremidades muito finas) para que a massa, ao secar, ganhe estrutura e deforme menos ao cortarmos a peça.


Sobre o corte da peça

O momento da ocagem deve ser muito bem estudado, e de preferência obedecer as seguintes
recomendações:

 

1º O corte, preferencialmente, deve ser em ângulo para facilitar o encaixe posterior.


2º Se for possível, a maior parte do ângulo deve estar na horizontal pois, a gravidade ajuda na fixação
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3º Fugir dos detalhes e texturas que sejam de difícil reprodução.


4. Somente cortar a peça quando ela estiver estruturada evitando sua deformação (mais ou menos de 24 a 48 horas depois de pronta), dependendo do tamanho da peça e das condições climáticas. A consistência da massa deve ser um meio termo entre o estado plástico de quando começamos a modelar e o pontode couro (que é o primeiro indício da secagem), ou seja, temos que ainda poder movimentar uma certa quantidade de massa sem correr o risco de deformá-la.

Sobre a Ocagem

No momento da ocagem, as paredes da peça devem ser deixadas na mesma espessura, quanto maior a peça, maior será a espessura da parede, podendo variar de 1 à 5 cm, dependendo do tamanho da peça. Tente ocar o máximo possível; se uma parte não estiver acessível, faça mais de um corte e se ainda não conseguir alcançar alguma extremidade, reze um pouco e tudo bem!

Dica: Quando estiver ocando a peça, pode acontecer de fazer um buraco. Não se assuste. Se tiver sangue frio e o buraco não afetar a estrutura da peça, deixe-o aberto até terminar a ocagem daquela área. A luz que passa por ele ajudará na visualização da área, sem contar que o próprio buraco é um indicativo de que naquele ponto a parede está fina demais. Para fechá-lo, pegue um volume de massa de no mínimo o dobro do tamanho do buraco e acrescente no local, fazendo pressão, tanto de dentro para fora quanto de fora para dentro.

Sobre a costura

As paredes onde a peça foi cortada devem ser costuradas e isso pode ser feito com uma faca de serra ou qualquer objeto que produza este tipo de textura. Esta textura ajuda na colagem das duas partes.

Depois de feita as ranhuras, una as partes tomando cuidado para não deformar a peça. Este procedimento pode ser facilitado com o uso de barbotina que ajuda na fixação das duas partes (barbotina é uma argila com consistência pastosa que pode ter em sua composição até 10 % de vidrado transparente alcalino). Se a peça começar a deformar durante o processo de ocagem e costura, coloque dentro dela um jornal bem amassado; isso dará mais estrutura evitando que a peça desmorone.


O jornal não deve, de preferência, ficar dentro da peça. Deixe-o até a peça ganhar estrutura e quando estiver mais firme, faça um buraco e retire o jornal. Costure novamente.

 

Quando isso não for possível, avise aos colegas que durante a queima o local ficará um pouco – ou bastante! – enfumaçado, mas é só isso.

 


Para peça cortada e justaposta é necessário que unamos estas duas metades. Aí vem a costura. Imagine um tecido: quando costuramos amarramos um lado a outro, de certa maneira. Já na argila usamos para esta amarração a própria massa, ou seja, com movimentos contínuos a carregamos de um lado do corte para outro e vice-versa, fazendo um X, assim, misturamos os dois lados criando uma massa uniforme onde antes estava o corte.

A posição do esteco deverá ser como se estivéssemos passando manteiga no pão. O objetivo é carregar a argila de um lado para outro e se simplesmente usarmos a lâmina para cortar, não estaremos carregando a argila nenhuma.

A barbotina pode ajudar na fixação na maioria dos casos. Ela não substitui a costura e sim, contribui para sua eficácia.

Após a costura feita é necessário restaurar o que foi “estragado” pela própria costura. Para isso, é importante um acréscimo de massa no local do corte. Faça uma minhoquinha ou rolinho da largura do estrago feito. Costure-o no local retirando o excesso para poder restaurar a peça.




E agora, está tudo pronto? Em princípio, sim, mas espere 24 ou 48 horas e faça um pequeno orifício que transpasse a parede até o interior peça. Pode ser pequeno mesmo, da espessura de uma agulha, por exemplo, mas certifique-se que esta agulha ou qualquer outro objeto tenha realmente transpassado a parede, pois, se isso não aconteceu, você terá uma imensa bolha de ar que não encontrará espaço para sair, e com isso, a peça poderá explodir.