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TOXICOLOGIA ...................................... |
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| METAIS PESADOS | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Muitos materiais usados em Cerâmica são tóxicos e devem ser manipulados com cuidado, entre eles estão os metais e os metais pesados. |
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O Hidrogênio (H) e o Oxigênio (O) que obviamente não são metais e sim gases, tem número atômico respectivamente de 1 e 2. Ou seja, todo átomo de hidrogênio tem um próton no núcleo, enquanto todo átomo de oxigênio tem dois prótons no núcleo.
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Os seres vivos necessitam de porcentagens ínfimas de alguns metais, também chamados oligoelementos, incluindo cobalto, cobre, manganês, vanádio e zinco, entre outros, para a realização de funções vitais no organismo. Porém níveis excessivos podem ser extremamente tóxicos. Outros metais pesados como mercúrio, chumbo, cádmio não possuem nenhuma função dentro dos organismos e a sua acumulação pode ser fatal, sobretudo nos mamíferos. Mesmo em pequenas quantidades, o prejuízo pode ser grande em nosso organismo, pois a curto prazo eles provocam sinais e sintomas não específicos como fadiga, insônia, irritabilidade, dor de cabeça, etc que dificultam o diagnóstico e a longo prazo, podem causar inúmeras doenças e mesmo levar a morte. Não é minha intenção fazer um tratado sobre patologias causadas pelos metais e metais pesados, pois não sou especialista no assunto e receio que num primeiro momento você possa se “assustar” e desistir deste texto ou mesmo da Cerâmica, o que seria uma grande perda. Por outro lado, acredito que o conhecimento é fundamental para nossa segurança e de terceiros e espero que você continue sua pesquisa em livros e revistas sobre Toxicidade e mesmo em sites especializados na Internet. |
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A toxicidade aguda refere-se aos efeitos tóxicos gerais que se produzem em homens e animais a curto prazo. A medida de toxicidade aguda é dada pelo valor da DL 50 (Dose Letal 50) que é a quantidade de uma substância capaz de provocar a morte de 50% dos indivíduos de um grupo de animais submetidos ao ensaio, depois de uma única aplicação por via oral ou cutânea. A Lei de Produtos Químicos da União Européia define três categorias de toxicidade aguda, nas ratas por via oral, de uma substância, segundo tabela abaixo:
Um vidrado pode ser cru, ou seja, manipulado no ateliê, ou na forma de frita. As fritas são o resultado de um processo industrial da fusão de matérias-primas inorgânicas e apresentam uma solubilidade muito mais baixa do que a de seus ingredientes. Portanto, os efeitos de toxicidade aguda das fritas também diminuem em relação aos de seus ingredientes e aos vidrados crus. Em fritas com alto conteúdo de chumbo, cádmio ou bário, encontram-se valores de DL 50 maiores de 2000 mg/kg. A toxicidade aguda por inalação em fritas com alto conteúdo em chumbo também é baixa, embora algumas fritas contenham chumbo em forma solúvel e bio-disponível. Os estudos sobre toxicidade crônica implicam a administração repetida da substância a ensaiar durante vários dias ou meses em animais. Como a fisiopatologia dos mamíferos é mais ou menos semelhante, os resultados são transpostos aos seres humanos e as cobaias de laboratório continuam sendo abusiva e cruelmente utilizadas. Deixo bem clara minha posição: por questões éticas e de respeito aos direitos dos animais, sou contra a vivissecção. Os animais são capazes de sofrimento físico e emocional e não devem ser usados como se fossem “objetos”. Permitam-me um exemplo: uma decisão dos 27 países da União Européia proíbe, a partir de março de 2009, testes com animais na indústria de cosméticos. As empresas de cosméticos não querem perder este mercado e trabalham na busca de novas tecnologias. Nos últimos 20 anos, a L'Oréal teria investido 800 milhões de dólares no desenvolvimento de alternativas aos testes em animais. Como vimos, muitos materiais usados em Cerâmica são tóxicos e talvez quase todos sejam potencialmente tóxicos, por isso devem ser manipulados com extremo cuidado. Ao manipular pós, use máscara, luvas e avental, que deve ser mantido limpo assim como o próprio ateliê. Rigorosamente, não coma, não beba e não fume durante a manipulação destes pós. Aliás, abandone o cigarro que é carcinogênico segundo a International Agency for Research on Cancer. Não despeje todos os resíduos do seu ateliê no ralo da pia. Esta água voltará. O correto é lavar 3 vezes pincéis, potes e etc, e guardar esta água contaminada num galão. Periodicamente você deve chamar (e pagar) uma empresa que recolhe estes resíduos químicos. Pessoalmente optei em não usar chumbo, cádmio, bário, cromo, níquel, antimônio e vanádio no meu ateliê. Manipulo com cuidado outros óxidos e os descarto num balde com argila reciclada. Afinal as argilas coloridas são coloridas com óxidos, certo? Quanto aos "restinhos" de vidrado, eu não jogo pelo ralo da pia e sim coloco-os num recipiente conforme temperatura de queima e uso-os em peças escultóricas nas quais não me preocupo com um resultado "certinho". Como já vimos, por exemplo, as cinzas vegetais são solúveis em água e muito causticas para os nossos pulmões e também para os animais que vivem no ecossistema aquático. Fritas ou vidrados crus com chumbo, cádmio ou bário, não devem ser usado em hipótese alguma dentro de utilitários (recipientes para comida). Evite também óxidos metálicos dentro de utilitários pois algumas bebidas e comidas mais ácidas (frutas e seus sucos, por exemplo) podem atacar o vidrado com baixa resistência química e liberar os metais e metais pesados intoxicando o consumidor. Em outros países pode-se pagar a análise de cada vidrado quanto à resistência química. No Brasil, alguns laboratórios já prestam este serviço. Para produzir um vidrado seguro, prepare-o em proporções adequadas e queime-o na temperatura correta. Vidrados queimados em underfiring (sub-queima) ou overfiring (sobre-queima) podem se tornar instáveis e liberar metais tóxicos. No Brasil, alguns vidrados comerciais já tem disponível orientações do tipo: "seguro para utilitários desde que queimado em cone ...". Neste sentido, sempre é bom comparar a temperatura marcada pelo seu forno com os cones pirométricos correspondentes. Mantenha seu forno em local ventilado ou se estiver dentro do ateliê deve ter um sistema de exaustão adequado. A queima libera gases como dióxido de carbono (gás carbônico) e monóxido de carbono, além de outras substâncias que serão inalados pelas pessoas que estiverem próximas ao forno durante a queima. Por exemplo, a antimônio volatiliza próximo aos 800 o C enquanto o cádmio próximo aos 1000 oC; ambos vão perdendo a cor. O chumbo, também volatiliza durante o processo de queima mas somente será completamente volatilizado acima de 1200ºC. Em outros países, a indústria é obrigada a fornecer a ficha técnica das matérias primas. No Brasil ainda temos que lutar por este direito. Certamente, são necessários mais estudos para que possamos relacionar a solubilidade das fritas com a toxicidade. Mas sem vivissecção, afinal existem métodos alternativos e as tecnologias devem ser reinventadas. Sabe-se que a atividade humana, na qual a Cerâmica se inclui, é poluente. Neste sentido, existem pressões e regulamentações ambientais cada vez mais restritivas no mundo. Somente o conhecimento nos permitirá fazer Cerâmica de forma segura e sustentável. |
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZEVEDO, F. A. & CHASIN, A. A. M. Metais – Gerenciamento da Toxicidade. São Paulo, Atheneu, 2003. CHAVARRIA, Joaquim. Esmaltes. Lisboa, Estampa, 1999. CHITTI, Jorge Fernandez. Tóxicos Cerámicos . Buenos Aires, Ed. Condorhuasi, 2000. ESCRIBANO, P; CARDA, J.B. e CONDONCILLO, E. Esmaltes y Pigmentos Cerámicos. Castellón, As&A Design, 2001. GALE, John. Pottery. Londres: McGraw-Hill, 2001. GIARDULLO, Caio et al. O Nosso Livro de Cerâmica. São Paulo, s/ed., 2005. MAYER, Ralph. Manual do Artista. São Paulo, Martins Fontes, 1996. MATTISON, Steve. The Complete Potter. New York, Barron’s, 2003. ZAMEK, Jeff. Safety in the Ceramics Studio. Iola, Krause, 2002. www.iarc.fr (International Agency for Research on Cancer) |
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