Caso Clínico 17DT4
Identificação
Espécie: Felina
Raça: SRD
Idade: 6 anos
Sexo: fêmea
Peso: 3,85 kg
Anamnese
Tutor relata que há cerca de uma semana notou a paciente menos ativa e com hiporexia. Foi realizado uma consulta domiciliar, tendo sido constatada febre no exame físico. Iniciado tratamento com dipirona e prednisolona para possível doença periodontal. Ao decorrer da semana não houve melhora do quadro clínico, além da paciente apresentar vômito. Nova consulta realizada com as queixas de letargia, anorexia, prostração e náusea.
Exame físico
Dia 5
- Temperatura retal: 37,0 °C (int. ref.: 37,5-39,3)
- Linfonodos submandibulares aumentados
- Discreta algia em região epigástrica
- Doença periodontal grau IV (int. ref.: I a IV)
Dia 12
- Temperatura retal : 39,6 °C (int. ref.: 37,5-39,3)
- Lesão edemaciada no braço, sinal de godê positivo.
Exames complementares
Dia 0 – PCR para Felv: não detectado.
Dia 5 – Ultrassonografia abdominal
- Baço com dimensões discretamente aumentadas, medindo até 1,2 cm de espessura em região de hilo, ecogenicidade levemente reduzida de forma difusa (esplenopatia inflamatória/infecciosa).
- Fígado com ecogenicidade reduzida de forma difusa (processo toxêmico sistêmico/hepatopatia reativa).
- Vesícula biliar parede discretamente espessada, preenchida por conteúdo anecogênico e homogêneo, associado a moderada lama biliar amorfa. Ducto colédoco levemente dilatado, com paredes finas e hiperecogênicas e trajeto levemente tortuoso. Papila duodenal com dimensões aumentadas, medindo 0,57 x 0,34 cm, hipoecogênica e levemente heterogênea. (sugestivo de colangiohepatite)
- Pâncreas levemente espessado em ramo esquerdo e ecogenicidade discretamente diminuída (reatividade pancreática/pancreatopatia de aspecto agudo inicial).
- Cavidade gástrica com peristaltismo reduzido, paredes espessadas, com importante proeminência de camada submucosa e moderada proeminência de camada muscular.
- Alças intestinais com peristaltismo reduzido, paredes levemente espessadas em segmentos de jejuno e íleo (enteropatia inflamatória/parasitária/infiltrativa difusa). Presença de pelo menos 3 imagens nodulares hipoecogênicas e homogêneas em mucosa de cólon descendente, sendo a maior 0,3 x 0,22 cm. (compatível com proeminência de folículos linfoides)
Dia 8 – Ultrassonografia abdominal
- Bexiga bastante distendida com moderada quantidade de conteúdo ecogênico amorfo em suspensão (celularidade/cristais/gordura).
- Glândula adrenal, ambas com dimensões aumentadas (adrenomegalia bilateral).
- Baço com dimensões discretamente aumentadas
- Fígado com parênquima hepático com ecotextura homogênea e ecogenicidade discretamente aumentada (pode estar relacionado a infiltrado gorduroso/hepatopatia).
- Vesícula biliar pouco distendida por conteúdo anecogênico com pequena quantidade de sedimento ecogênico amorfo (lama biliar). Parede espessada, medindo cerca de 0,24 cm de espessura com aspecto de dupla parede e mucosa lisa (pode estar relacionado a edema/processo inflamatório). Ducto cístico dilatado, com parede espessada medindo 0,17 cm, e colédoco dilatado.
- Pâncreas com ecotextura grosseira (pode estar relacionado a pancreatopatia)
- Notou-se duodeno e segmentos jejunais com submucosa evidente (pode estar relacionado a processo inflamatório).
Dia 9 – PCR para Mycoplasma: não detectado.
Tratamento e evolução
Dia 5 – Realizado internamento da paciente. Prescrito antieméticos (ondasetrona e maropitant), omeprazol e vitamina B12. Pela a noite a paciente automutilou as patas na tentativa de retirar o acesso venoso.
Dia 6 – Paciente com parâmetros estáveis, exceto Pressão Arterial Sistólica (90 mmHg, int. ref.: 134-158) e mucosa subctérica. Realizada sondagem nasoesofágica e prescrita novas medicações: gabapentina e ampicilina com sulbactam. Mensurado lactato por lactímetro: 3,2 mmol/L (int. ref.: 0,5-2,5 mmol/L).
Dia 7 – Paciente com mucosas ictéricas, e temperatura de 39,3°C (int. ref.: 37,5-39,3). Realizada reposição de potássio. Nova medicação iniciada: dexametasona.
Dia 8 – Mucosas seguem ictéricas.
Dia 9 – Iniciada nova medicação: metronidazol. Pela noite foi realizada transfusão sanguínea.
Dia 10 – Alta hospitalar, com recomendação de tentativa de alimentação voluntária. Prescrito amoxicilina com clavulato, metronidazol, omeprazol e mirtazapina.
Dia 12- Realizado novo internamento para sonda esofágica e cuidados da lesão que se agravaram.
Hemograma
| Eritrograma | Dia 0 | Dia 7 | Dia 9 | Dia 12 |
| Eritrócitos (5-10 milhões/µL) | n.d. | 4,56↓ | 3,24↓ | 4,78↓ |
| Hematócrito (24-45%) | 42 | 19↓ | 17↓ | 21↓ |
| Hemoglobina (8-15 g/dL) | 11,4 | 6,8↓ | 5,9↓ | 7,3↓ |
| VCM (39-55 fL) | n.d. | 41,6 | 52,5 | 43,9 |
| CHCM (30-36%) | 27,1↓ | 35,8 | 34,7 | 34,8 |
| Plaquetas | ||||
| Quantidade (200-600 ×103/µL) | 146↓ | 212 | 269 | 234 |
Observações:
Dia 0 : plaquetas com agregado
Dia 7 : icterícia moderada
Dia 9 : icterícia moderada, acantócitos 1+
Dia 12 : acantócitos 2+, acentuada icterícia e discreta policromasia
| Leucograma | Dia 0 | Dia 7 | Dia 9 | Dia 12 |
| Leucócitos totais (5.000-19.500/µL) | 7.200 | 14.100 | 34.200↑ | 16.300 |
| Mielócitos (0/µL) | n.d. | 0 | 0 | 0 |
| Metamielócitos (0/µL) | n.d. | 0 | 0 | 0 |
| Neutr. bast. (<300/µL) | n.d. | 705↑ | 2.052↑ | 1.304↑ |
| Neutr. seg. (2.500-12.500/µL) | n.d. | 10.434 | 28.044↑ | 9.454 |
| Basófilos (<100/µL) | n.d. | 0 | 0 | 0 |
| Eosinófilos (100-1.250/µL) | n.d. | 282 | 0↓ | 163 |
| Monócitos (<850/µL) | n.d. | 0 | 0 | 0 |
| Linfócitos (1.500-7.000/µL) | n.d. | 2.679 | 4.104 | 5.379 |
Observações:
Dia 7 : neutrófilos tóxicos 1+
Dia 9 : neutrófilos tóxicos 2+
Bioquímica sanguínea
| Dia 7 | |
| Amostra | soro |
| Hemólise | ausente |
| Anticoagulante | nenhum |
| Proteínas totaisB (60-80 g/L) | 57↓ |
| Proteínas totaisC (54-78 g/L) | n.d. |
| Albumina (21-33 g/L) | 17,6↓ |
| Globulinas (26-51 g/L) | n.d. |
| Ureia (43-64 mg/dL) | 49,6 |
| Creatinina (<1,6 mg/dL) | <0,8 |
| ALT (<83 U/L) | 136↑ |
| GGT (<6,4) | 8,3↑ |
| Potássio (4-4,5 mg/dL) | 3,5↓ |
BEstimadas por refratometria; CDeterminadas por espectrofotometria Observações: icterícia moderada
Discussão e referências bibliográficas
Devem ser discutidos os achados laboratoriais alterados (referentes a urinálise, bioquímica sanguínea e hemograma), estabelecendo as correlações relevantes com o quadro clínico do paciente. Não deve ser discutido o tratamento realizado. As alterações nos achados laboratoriais devem ser justificadas com base nas informações contidas na literatura especializada. É sugerido organizar a discussão nos seguintes grandes tópicos:
- Hemograma
- Bioquímica sanguínea
- Urinálise
- Outros exames laboratoriais (quando for o caso)
- Considerações gerais sobre o quadro clínico
