Digitalização 3D do Memorial Pessoas Imprescindíveis.
Descrição:
De autoria de Cristina Toniolo Pozzobon, o Memorial Pessoas Imprescindíveis está situado em Porto Alegre/RS, no Parque Marinha do Brasil. Homenageando o ex-sargento Manoel Raimundo Soares, torturado e assassinado durante o período ditatorial no Brasil (1964-1985), por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), no ano de 1966, é composto por uma escultura em aço corten com 3m62cm de altura, sobre uma base de cimento. Na base da obra, encontra-se a seguinte biografia:
MANOEL RAIMUNDO SOARES (1936-1966)
Filho de Etelvina Soares dos Santos, Manoel nasceu em Belém (PA), em 15 de março de 1936. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos 17 anos e ingressou no Exército em 1955. Em 1956, alcançou o posto de segundo sargento. Casou-se com a mineira Elizabeth Chalupp, a quem chamava de Betinha.
Manoel era um grande orador e foi um dos fundadores do “Movimento dos Sargentos”, que lutava por direitos sindicais e democráticos. Imediatamente após o golpe militar de 1964, foi preso e, em junho, expulso do Exército. Solto, engajou-se na luta contra a ditadura e passou a residir no Rio Grande do Sul, atuando no Movimento Revolucionário 26 de Março, grupo cujo nome homenageava a resistência armada iniciada pelo coronel Jefferson Cardin Osório em 1965, naquela data, em Três Passos e Tenente Portela.
No dia 11 de março de 1966, Manoel foi preso, em frente ao auditório Araújo Viana, entregando panfletos contra a visita do presidente Castelo Branco a Porto Alegre.
Manoel Raimundo foi levado à sede da Polícia do Exército, onde sofreu as primeiras sevícias. A seguir, foi transferido para o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), na Avenida João Pessoa, para ser torturado e espancado por longos dias. Ainda em março, foi encaminhado para a ilha-presídio existente no Rio Guaíba.
Lá, ele permaneceu por cinco meses, privado de notícias da família e do mundo. Em 13 de agosto de 1966, cerca de um mês depois de escrever a última carta à esposa, foi levado ao DOPS, para novo interrogatório. Seus algozes o transportavam, na mesma noite, em um jipe do Exército, até o rio Jacuí, para ser submetido à tortura do afogamento.
Seu corpo foi encontrado boiando no Jacuí em 24 de agosto de 1966, com as mãos e os pés atados às costas. Apesar dos depoimentos que comprovavam o crime cometido, colhidos pelo Ministério Público estadual e por uma CPI da Assembleia Legislativa, os responsáveis pela sua morte permaneceram impunes.
Até mesmo o Marechal Olímpio Mourão Filho, que desencadeou as manobras militares para depor João Goulart em 1964, ao examinar, como ministro do Superior Tribunal Militar, um pedido de habeas corpus sobre o “caso das mãos amarradas”, declarou: “Trata-se de um crime terrível e de aspecto medieval, para cujos autores o Código Penal exige rigorosa punição”.
Manoel foi enterrado em dois de setembro de 1966, acompanhado por uma pequena multidão. Por onde passou seu enterro, lojas se fecharam e foi hasteada a bandeira nacional.
A digitalização 3D da obra integra a publicação “O grito ecoa: ditadura e movimento estudantil na UFRGS”, realizada pela turma de Prática de Exposições Museológicas (2024/1), do curso de Museologia da UFRGS, visando proporcionar acessibilidade e difusão de marco denunciativo presente na paisagem urbana da cidade.
Método de aquisição do modelo: Scanner 3D Artec Eva.