Um método para a prática da flauta doce

Direcionado ao uso por especialistas no instrumento e estudantes de flauta doce que já tenham experiências anteriores com o instrumento, o livro Sonoridades Brasileiras – método para flauta doce soprano foi produzido pelas autoras Renate Weiland, Ângela Sasse e Anete Weichselbaum, docentes da UNESPAR (Universidade Estadual do Paraná).

Numa análise sobre o conteúdo, pode-se notar a importantíssima introdução que as autoras fizeram, servindo de suporte pedagógico-musical num trabalho que inclui apresentação da família da flauta doce, os cuidados com a flauta e a técnica do instrumento. De início, percebe-se que as autoras estão interessadas em informar ao músico iniciante sobretudo a conservação do instrumento, antes mesmo de partir para a apreciação, improvisação e criação musical. Mesmo assim, no primeiro capítulo encontra-se uma preocupação com a criação e uma atenção com a qualidade sonora que possa contribuir com os três parâmetros musicais (altura, intensidade e timbre), assegurando, assim, o início do estudo de afinação no instrumento.

Percebe-se que o livro foi escrito para estudantes que já, em algum momento da vida, tiveram contato com a flauta doce por meio de livros direcionados aos iniciantes inexperientes.

(…) que este método estimule a capacidade criativa e proporcione o prazer ao fazer música.

A proposta metodológica para o ensino das notas musicais está relacionada com o aprendizado e o desenvolvimento técnico do flautista. Cada capítulo inicia com um bloco criativo, seguido da apresentação de uma nova posição e de atividades de estímulo à criatividade e liberdade para criação. A apresentação das notas se dá da seguinte maneira: Capítulo 3: lá3; Capítulo 4: sol3; Capítulo 5: si3; Capítulo 6: mi3; Capítulo 7: ré3; Capítulo 8: dó3 e fá3; e Capítulo 9: dó4 e ré4. Em seguida, os capítulos 10 e 11 apresentam as notas alteradas fá#3 e sib3. O método finaliza no capítulo 12 com uma nota registro agudo: mi4.

Toda essa metodologia está baseada nos estudos propostos pelas autoras com prática de jogos musicais, blocos criativos, duetos, exercícios de eco, leitura rítmica, ostinatos, apreciação, improvisação, articulação, encaixe pentatônico, escrita comparada, análise musical, trios, solo e tutti. O repertório é predominantemente brasileiro, com canções de domínio popular, criações das autoras e de alguns de seus estudantes com idade entre 8 e 10 anos.

É de suma importância que, além da preocupação técnica com postura, manejo do instrumento, articulação e aprendizado do dedilhado, as autoras tenham incluído a nossa música folclórica nos estudos musicais dos alunos. É através dessa inclusão que podemos ampliar o repertório cultural dos estudantes, pela seleção e inserção dessas músicas, levando todos os envolvidos a desenvolver o seu senso estético e a formação de repertório para além do erudito europeu, bastante tradicional no aprendizado da flauta doce em diversos materiais pedagógicos já utilizados no nosso cotidiano.

O diferencial do livro Sonoridades Brasileiras: método para flauta doce soprano é que nele podemos encontrar uma preocupação com a formação específica do músico profissional, trazendo ao final do livro um apêndice aos professores com dicas de leitura, apreciação e uma pequena abordagem teórica que explica o porquê das escolhas e da organização das atividades propostas pelas autoras. Somam-se às atividades inclusas no livro a estimulação da capacidade criativa dos professores e alunos, e as orientações para a limpeza e conservação do instrumento.

A obra está direcionada para o uso de professores com formação específica em flauta doce, não sendo recomendada a utilização desse material por professores de música que não tenham os conhecimentos necessários para o ensino da flauta doce. O material é voltado para o ensino coletivo e individual, principalmente para professores de música que trabalham em escolas regulares ou projetos sociais, caso das autoras.

Resenha do livro Sonoridades Brasileiras: método para flauta doce soprano, de Renate Weiland, Ângela Sasse e Anete Weichselbaum, publicado pela Editora da UFPR (Curitiba, 2018)

Sobre a resenhista:

Walkiria Morato é professora de flauta doce na Orquestra Villa-Lobos para crianças e adolescentes. Bacharela e licenciada em flauta doce pelas universidades UNESP e UFRGS. Atualmente cursa o Mestrado em Práticas Interpretativas em Flauta Doce, no PPGMUS da UFRGS.

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