O Laboratório de Estudos sobre os Usos Políticos do Passado (Luppa) foi criado em março de 2017, a partir da iniciativa de professores do Programa de Pós-Graduação em História. Desde então, desenvolve suas atividades com base na indissociabilidade entre ensino, extensão e pesquisa, promovendo ações de comunicação pública da história, formação continuada e investigação historiográfica. O Luppa e o European Observatory on Memories (EUROM) mantêm uma parceria desde 2021, formalizada com a assinatura de um acordo de cooperação (IAP-001332). A partir dessa colaboração, realizaram eventos em conjunto e viabilizaram a mobilidade de estudantes e professores. Em 2023, as duas instituições iniciaram o desenvolvimento do projeto “Memórias do Capitalismo”, realizando a primeira edição do seminário em formato virtual. A iniciativa vem sendo conduzida no âmbito do Luppa desde a aprovação da proposta no Edital Universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Processo 403461/2023-5).
O projeto considera que as transformações culturais, econômicas, políticas e sociais vivenciadas no século XX, aliadas aos episódios de autoritarismo e violência, alteraram profundamente as relações estabelecidas com o passado e com o tempo, exigindo novas abordagens sobre as noções de memória, esquecimento e temporalidade. De um lado, a memória tornou-se um imperativo, gerando situações de abusos e saturações; de outro, a passagem do tempo pareceu estagnar-se diante de um presente expandido e, simultaneamente, fragmentado em instantes sucessivos . Nesse contexto, evidencia-se uma disparidade discursiva e representativa no que diz respeito ao componente ideológico e político: enquanto as memórias e vítimas de experiências comunistas são amplamente reconhecidas, há uma lacuna no que se refere ao reconhecimento das memórias e vítimas do capitalismo.
Para refletir sobre as condições de produção das memórias do capitalismo e a nomeação de suas vítimas, parte-se de uma concepção ampla do capitalismo como uma racionalidade que se estende a todas as dimensões da vida, impactando a relação com o passado e com o tempo. O projeto divide-se em diferentes eixos temáticos, cada um representando em uma mesa-redonda do II Seminário Internacional Memórias do Capitalismo. As hipóteses que fundamentam a investigação consideram que as tendências do capitalismo — como abstração, aceleração, alienação e naturalização — favorecem sua invisibilização como sistema gerador de desigualdades, hierarquias e violações de direitos humanos. Essas mesmas tendências contribuem para a destemporalização do sistema, resultando em uma memória do capitalismo que se manifesta ora como ausência, ocultação ou silêncio, ora de forma explícita, ainda que não devidamente enunciada, inscrita ou reconhecida.