“Com a proposta de refletir criticamente sobre as características do poder capitalista vigorando sobre indivíduos e coletividades, sobre os tempos, sobre os espaços, sobre os corpos, sobre as mentes, enfim, sobre a vida dos sujeitos no mundo ocidental moderno, aderimos a uma profícua linha de pesquisa: os estudos sociais sobre o trabalho e a classe trabalhadora na era capitalista. Trata-se de um período fartamente abordado pelas ciências humanas. Sorte nossa contar com uma comunidade interpretativa ampla, perpassando diversos paradigmas, teorias e mesmo metodologias. O que (n)os une é o projeto político de problematizar o tema da exploração do modo de produção capitalista, das lógicas de mercado e de consumo, das estruturas de poder, de governamentabilidade, e das formas institucionais de atuação na consolidação de nações modernas.” (p. 12-13)
Reconhecemos o mundo do trabalho composto não só pelas trajetórias sociais. “Sempre impressionam os achados arqueológicos que iluminam os gestos do viver humano, em especial, o que podemos, desde já, definir por práticas de trabalho. O arqueólogo francês André Leroi-Gourhan, ao dispor sobre os critérios de humanidade, fala da libertação da mão: a mão que liberta a palavra, a palavra que liberta a memória coletiva, a memória que é a liberdade de imaginar, criar, transformar.(…) Seu estudo contempla a arte de existir, no fluxo do tempo, do trajeto humano, na descoberta de ambiências, na exteriorização da memória social. As técnicas de fabricar, os movimentos de serrar, o gesto de martelar e raspar implicam longos períodos de complexidade rítmica das mãos, dos braços, das pernas, dos pés, da cabeça, da coluna, enfim… corpo que se ‘liberta’ em movimentos rítmicos cada vez mais cadenciados, perpassando espaços e desvendando as formas figurativas.” (p.10)
Propomos, então, que essa plataforma abrigue um banco de conhecimento sobre memórias do mundo do trabalho, afim de concentrar produções acadêmicas, literatura, crônicas e documentos textuais, audiovisuais, sonoros e imagéticos sobre essa temática. Também faz parte desse acervo, conteúdos que foram relevantes para a construção do acervo pessoal de pesquisadores que compõem nossa equipe.
Compomos um grupo de trabalho e pesquisa do Banco de imagens e Efeitos Visuais/BIEV, com projeto em Antropologia Social no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A sede do laboratório está situada “na cidade de Porto Alegre, “capital do estado brasileiro mais meridional do Brasil” (anunciam os panfletos turísticos) no estado do Rio Grande do Sul, fundada no entardecer do século XVIII, domesticada pelo valor de trabalho das famílias imigrantes que responderam ao projeto colonizador dos empreendimentos eurocêntricos. A cidade se transforma em polo de trabalho, de comércio, de habitação, uma metrópole que abriga hoje cerca de 1.500.000 habitantes.” (p.13)
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Referência
ECKERT, C. ; ROCHA, A. L. C. (Org.) . Etnografias do trabalho, narrativas do tempo. 1. ed. Porto Alegre: MarcaVisual, 2015. v. 1. 327p . – Apresentação
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