Avaliação de percepção: Linha de Transmissão CPFL

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Ricardo Dagnino
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Identificação do documento:

SOUZA, Pedro Paulo Ferreira de. Avaliação de Percepção Socioambiental: LT 230 kV Osório 3 - Gravataí 3 C1. CPFL TRANSMISSÃO SUL II S.A. Porto Alegre: ABG - Engenharia e Meio Ambiente: Julho, 2020.

Disponível para download em PDF: aqui

Original: Item 03 - Avaliação da Percepção da População.pdf - Documentação complementar: enviada 03/08/2020 - Cód. Empreendimento: 415628 - Nº solicitação 82988 - Licença de instalação - Processo nº 003493-0567/20-4 - http://www.sol.rs.gov.br

Destaques

Apresentação

O presente documento visa atender o Item 3 do Of. FEPAM/DIGEN-OFGSOL nº 002535/2020 e Item 22 da Licença Prévia n° 00112 / 2020 [disponível em https://www.ufrgs.br/morrodeosorio/download/fepam-licenca-previa-linha-cpfl/], no qual solicita “Avaliação da percepção da população diretamente atingida pelo empreendimento através de entrevistas utilizando metodologia reconhecida cientificamente; indicar o Índice de aceitação/rejeição ao empreendimento, buscando demonstrar se o empreendimento inviabiliza social ou economicamente as propriedades, bem como destacar o estágio das negociações com os proprietários; e ART vigente;”. (p. 6)

Metodologia:

"Como já destacado, os questionários foram aplicados de modo distributivo, compreendendo os municípios interceptados pela Linha de Transmissão, abrangendo diferentes modelos de produção e distribuição populacional. Para o planejamento de campo, considerou-se a distribuição e proximidade de edificações/benfeitorias identificadas em imagens de satélite (google earth), atividades anteriores de campo (relacionadas ao processo de licenciamento ambiental) e informações do estudo fundiário." (p.7)

"Ao todo, a pesquisa compreendeu 21 entrevistas (devidamente assinadas pelos responsáveis, excetuando-se três entrevistados), direcionados a moradores e proprietários passíveis de serem impactados diretamente pelo empreendimento." (p. 8)

"Dentro desse contexto destaca-se que, em pesquisas qualitativas, o objetivo da amostra é produzir informações aprofundadas e ilustrativas: seja ela pequena ou grande, o que importa é que ela seja capaz de produzir novas informações (DESLAURIERS, 1991). Logo, por se tratar de uma amostragem não  probabilística, tais opiniões não representam a opinião geral dos moradores/proprietários." (p. 8)

"Com base no exposto, salienta-se que para este tipo de pesquisa não é conveniente analisar as informações de modo quantificado (excetuando-se os itens iniciais
da entrevista – localização e perfil dos entrevistados), visto que se trata de uma amostragem não probabilística, isto é, não representativa do todo. Portanto, trata-se de uma pesquisa exploratória, sem o intuito de obter números como resultados, mas norteadores que possam apontar percepções sobre o local e expectativas quanto ao empreendimento. (p. 8)

Localização das entrevistas:

Em um primeiro momento, na Figura 1.2-1 encontra-se a localização das entrevistas em relação ao traçado definido para a linha de transmissão. Como já comentado, foram realizadas entrevistas nos quatro municípios interceptados pelo traçado: 9 em Santo Antônio da Patrulha; 5 em Glorinha; 5 em Gravataí e; 2 em Osório. (p. 9)

Os mapas das páginas 10 e 41 permitem verificar que houve somente 2 entrevistas em Osório, nenhuma delas dentro da APA Morro de Osório.

 

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Resultados:

"As entrevistas ocorreram entre os dias 16 a 19 de julho de 2020, aplicadas junto
aos moradores dos municípios de Gravataí, Glorinha, Santo Antônio da Patrulha e Osório, nas propriedades localizadas próximas ou interceptadas pela faixa de servidão da linha de transmissão, bem como nos acessos a serem utilizados nas propriedades para implantação do empreendimento." (p. 8-9)

"Em alguns pontos não foi possível contatar proprietários pelas residências encontrarem-se fechadas. Pontua-se também que em algumas propriedades rurais as porteiras encontravam-se fechadas, impedindo o acesso da equipe. Tal fato não afetou o resultado final da amostragem, visto que a distribuição ao longo da linha de transmissão foi satisfatória para obtenção das informações, de acordo com os diferentes recortes espaciais existentes nos trechos analisados e a repetição de discursos a respeito dos temas abordados." (p. 9)"

“No que se refere às entrevistas, quando o tema proposto era a concordância (ou não) com o empreendimento, o discurso observado apontou uma divisão, onde pouco mais da metade dos entrevistados relataram concordar com o empreendimento. Alguns entrevistados não emitiram opinião favorável ou contrária, e seu discurso refletia certa resignação em relação a implantação desse tipo de empreendimento: “não tem muito que fazer”.” (p. 15-16)

“Cabe destacar que quatro entrevistados relataram ter conhecimento de linhas de transmissão nas suas propriedades, e que isto já provoca interferência direta e negativa na sua atividade produtiva.” (p. 16)

“Sobre a interferência do novo empreendimento, a maioria dos entrevistados informou que o empreendimento não irá interferir na sua atividade produtiva ou cotidiano. Dos entrevistados, dois disseram que o empreendimento irá interferir pouco na sua atividade, enquanto que cinco relataram muita interferência, em função de fatores já citados anteriormente, relacionados à discordância do empreendimento.” (p. 16-17)

Anexo 2 - relatório das entrevistas

Entrevista n.1

Quando questionada a respeito do conhecimento sobre uma Linha de Transmissão, respondeu que sabe o que é e qual a função desse tipo de empreendimento. Sobre a instalação do empreendimento, disse que concorda com o mesmo, “se não for trazer problema na propriedade”. Abordou que o empreendedor fez contatos com os moradores na área, mas a propriedade dela não será interceptada diretamente pela Linha de Transmissão. (p. 25)

Entrevista n. 3

Quando questionado a respeito do seu conhecimento sobre uma Linha de Transmissão, respondeu que não sabe o que é e qual a função desse tipo de empreendimento. (p. 28)

Sobre a instalação do empreendimento, disse que concorda com o mesmo, citando que não vê problemas e que esteve de acordo com a negociação e os valores. (p. 29)

Contraponto

1. Com relação aos métodos de pesquisa, tendo em vista que o relatório:

(a) visa atender o Item 3 do Of. FEPAM/DIGEN-OFGSOL nº 002535/2020 e Item 22 da Licença Prévia n° 00112/2020, no qual solicita “Avaliação da percepção da população diretamente atingida pelo empreendimento através de entrevistas utilizando metodologia reconhecida cientificamente; indicar o Índice de aceitação/rejeição ao empreendimento, buscando demonstrar se o empreendimento inviabiliza social ou economicamente as propriedades, bem como destacar o estágio das negociações s com os proprietários;

(b) diz que com relação às opiniões dos 21 entrevistados "tais opiniões não representam a opinião geral dos moradores/proprietários", "visto que se trata de uma amostragem não probabilística, isto é, não representativa do todo. Portanto, trata-se de uma pesquisa exploratória, sem o intuito de obter números como resultados" (p. 8).

(c) não apresenta um índice de aceitação ou rejeição ao empreendimento, limitando-se a mencionar colocações vagas como "pouco mais da metade dos entrevistados relataram concordar com o empreendimento" (p. 15-16).

2. Com relação à amostragem:

Não fica claro qual o critério para definição do número de questionários que seriam aplicados em cada municípios. Certamente, o número de entrevistas não foi proporcional ao total de população residente nos municípios: 9 em Santo Antônio da Patrulha (população total residente no município estimada em 39 mil); 5 em Glorinha (cerca de 69 mil hab.); 5 em Gravataí (255 mil) e; 2 em Osório (40 mil).Uma das pessoas entrevistadas (entrevista 1) alertou que sua propriedade não será interceptada diretamente pela Linha de Transmissão (p. 25).

3. Quanto às interpretações dos dados:

Chama a atenção a resposta ambígua do entrevistado 3 que suscita dúvidas se foi classificada como aceitação ou rejeição: concorda com a linha de transmissão, citando que não vê problemas, mas ao ser questionado a respeito do seu conhecimento sobre a Linha, respondeu que não sabe o que é e qual a função desse tipo de empreendimento (p. 28-29).

É muito significativo que dos 21 entrevistados existem 4 que já possuem linhas de transmissão nas suas propriedades e que todos estes 4 relatam que isto já provoca interferência direta e negativa na sua atividade produtiva (p. 16).

4. Por tudo exposto acima, coloca-se a questão: Como esse estudo pode ter sido aceito, ao não atender o pedido da Avaliação da percepção da FEPAM, tendo em vista que: (1) a população da amostra não é representativa da população geral, como o próprio autor adverte; (2) não explicita a técnica científica para que seja representativa e os critérios para escolha dos entrevistados; e, mais importante, (3) não fornece um índice de aceitação/rejeição.

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Comentário (1)

  • Pedro da Silva francisco| 03/05/2021

    Sou apicultor e meliponicultor, e apesar de não ter atividade na área de abrangência da linha, e sim na linha goiabeira que fica proximo. Apesar disso tenho enfrentado problema com uma linha de transmissão no bosque de albatroz. Tinha um apiário muito produtivo ali no passado. Depois que passou a linha de transmissão boa produzi mais mel. Estou desativando o apiário e transferindo para outra propriedade depois de perder vários enxames e baixa de produtividade. O vizinho, Cesar Vasconcelos também falou que tem tido perdas e baixa de produtividade, o que pode comprovar a interferência da rede, pois antes da passagem da rede eram apiários muito produtivos.

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