Os Quadros de Formatura em madeira entalhada, que ocupam as paredes da Faculdade de Direito da UFRGS, constituem mais do que simples registros comemorativos de formaturas, um momento importante para a trajetória acadêmica de cada sujeito ali representado (formandos/as, homenageados/as, paraninfos/as e demais autoridades acadêmicas). Produzidos com materiais nobres e ornamentações detalhadas, como molduras trabalhadas, entalhes, marchetaria, marcações e uma riqueza de símbolos e representações, esses objetos representam uma dimensão simbólica que ultrapassa o valor estético. Sua materialidade expressa o prestígio, a solenidade e a tradição, valores fundantes das instituições jurídicas no Brasil, especialmente aquelas com longa trajetória histórica como a UFRGS.
Tal simbologia se apresenta na própria materialidade do objeto, os ornamentos estéticos identificados nos quadros demonstram o valor simbólico contido na percepção da sociedade sobre a formação acadêmica no século XX. Valorizando cada fotografia, utilizam elementos gráficos e uma composição artística com o intuito de representar não somente um grupo de indivíduos se formando, mas o requinte e o privilégio associado a esse recorte social.
Além dos formatos empregados, os quadros de formatura possibilitam expor(se) na própria instituição. Diferentemente de um diploma que, em sua essência, apresenta-se unicamente como um documento individual e restrito a lugares privados de exposição (exceto em alguns escritórios e consultórios que se observam alguns diplomas expostos nas paredes), os quadros de formatura celebram coletivamente a obtenção do grau de bacharel/a em Direito. Eles contêm no seu formato uma dinâmica de observação da comunidade acadêmica, garantindo a construção de uma memória coletiva, não somente para aqueles que se formaram, mas para a instituição e todos que puderem observar o quadro.
Os quadros de formatura mapeados e analisados estão localizados no segundo pavimento do prédio da Faculdade de Direito, conforme indicado na planta baixa a seguir.
Pesquisa: Amanda Trois, André Schwarz, Clara Targa e Guilherme Mello