Histórico
O Núcleo de Estudos Geografia e Ambiente (NEGA) foi criado em 2003, com o objetivo de promover a pesquisa, a extensão e a discussão e construção teórica no contexto da questão ambiental, ou seja, o conceito de ambiente na construção do conhecimento geográfico. Este espaço surge do percebido no contexto geográfico local, a ausência de um espaço para materializar a discussão sobre a Teoria e o Método da Geografia, suas categorias e conceitos balizadores, suas correntes de pensamento. Cria-se então, o Núcleo de Estudos Geografia e Ambiente. Este Núcleo, desde sua fundação, atua em projetos de ensino, pesquisa e extensão. Busca construir atividades múltiplas como: promoção de atividades como palestras, cursos e eventos em geral, relacionados à temática geográfica e ambiente e, a organização e publicação de livros e periódico.
Objetivos
- Agrupar os interessados em estudar e discutir os temas subjacentes às questões teórico-metodológicas e epistemológicas da Geografia na sua relação com a Questão Ambiental;
- Desenvolver estudos, pesquisas e projetos vinculados à teoria da Geografia, suas correntes metodológicas e suas categorias/conceitos associados, com ênfase nos referentes ao estudo do Ambiente;
- Estudar e propor metodologias diferenciadas no tratamento da Questão Ambiental;
- Discutir e propor diferentes abordagens e estratégias metodológicas no que tange a ação política e práticas emancipatórias;
- Criar e propor alternativas de socialização do conhecimento produzido pelo Núcleo;
- Incentivar e promover relações inter, trans e multidisciplinares;
- Criar e organizar publicações a partir dos resultados obtidos;
- Auxiliar na promoção das atividades do Laboratório de Ensino e reativar a utilização de seu espaço físico.
Estruturação do núcleo
- Um orientador do Núcleo, e demais participantes (alunos de graduação e pós-graduação, professores e interessados em geral);
- Reuniões periódicas com todos os integrantes, onde são propostas, discutidas e definidas as atividades do Núcleo;
- Centralização das atividades na sala do Núcleo, estabelecida em parceria com o Laboratório de Ensino.
A proposição
Dessas inquietudes surge a necessidade de pensar e discutir novas racionalidades que começam a ser valorizadas e impõe-se com grande valor em relação à racionalidade científica padronizada em grandes centros de estudos e pesquisas, ou seja, dimensionar no âmbito do trabalho acadêmico razão e emoção. Outras culturas, outras racionalidades, um encontro com ribeirinhos em meio a floresta Amazônica em sua profundidade (seus ensinamentos e sua ligação íntima com o espaço, a flora, fauna), com pescadores que lutam pela sua digna sobrevivência através de suas tradições e seus modos de fazer, com recém assentados que buscam constituir uma identidade e resistem na terra pela terra, com jovens e seus sonhos em periferias urbanas, com quilombolas urbanos que lutam pelo reconhecimento territorial, com grupos e/ou sujeitos com suas coexistências que subterraneamente produzem uma cidade a partir de suas derivas, enfim esses saberes e fazeres começam a fazer parte das intenções de compreensão da vida e incitam a uma outra proposta: refletir sobre as epistémes da geografia.
Nessa perspectiva busca-se uma totalidade (parte e todo/todo e parte) complexa, na qual fenômenos se integram e tornam-se interdependentes onde a desconstrução de um segmento promove uma nova dinâmica que pode causar a desorganização e, ao mesmo tempo, a reconstrução de nossas ações no espaço. Emerge, então, a necessidade de uma ciência que busque a totalidade, emerge a necessidade de integração das áreas do saber em prol da compreensão da complexidade ambiental e territorial. Emerge também um revisitar do próprio modelo científico e das ideologias que o construíram no decorrer do tempo histórico e dos interesses que repercutiram nesse desenvolvimento. Nesse sentido, busca-se a interdisciplinaridade como possibilidade de diálogo, seja na educação, seja na gestão para com as desigualdades sociais e diferenças culturais em contextos espaciais diversos.
A interdisciplinaridade representa uma atitude dialógica e um trabalho coletivo diante da possibilidade de consensos a partir das novas interpretações /compreensões. Constitui na perspectiva adotada pelo grupo um dos passos para romper hierarquias e dominação de saberes (disciplinares) sobre outros. Essas possibilidades são complexas porque o ser coletivo vai se constituindo pela resistência a uma racionalidade fragmentada, historicamente construída na busca de sua autonomia individual e coletiva.
O grupo se expressa num turbilhão de propostas, projetos e ações em educação e planejamento ambiental. Muitas propostas/ações ainda encontram-se próximas às concepções racionais fragmentárias, outras procuram discutir a multiplicidade de manifestações elementares no ambiente, suas integrações e as repercussões entre elas. A busca de uma educação e gestão participativa, comprometida social e culturalmente com a qualidade de vida de sujeitos e comunidades é o que se objetiva. Contudo, muitos questionamentos derivam desse caminhar: que concepções se agarrar? como proceder? o que perguntar? o que avaliar? como avaliar?