Vera Luiza Bergamo

Vera Luiza Bergamo nasceu com glaucoma congênito e, aos 7 anos de idade, perdeu completamente a visão. Nascida no interior do Rio Grande do Sul foi para a capital do estado aos 14 anos, para estudar no Instituto Santa Luzia, colégio destinado também à educação de pessoas com deficiência visual. Foi neste contexto que iniciou a prática esportiva através das aulas de Educação Física. Apesar disso, segundo Vera, as práticas corporais sempre fizeram parte de sua rotina: “eu sempre gostei muito de educação física, mesmo sozinha eu fazia um pouco em casa. Sempre brinquei bastante, de correr, de pular, de tudo que era coisa. Mesmo sem enxergar eu era meio “sapequinha””. Foi a professora Mirta, do Santa Luzia, que percebeu o talento de Vera para o atletismo. Sua primeira participação em campeonato ocorreu em outubro de 1979, em São Paulo, quando tinha 15 anos de idade. Na ocasião, correu a extinta prova dos 50m rasos, além de competir nos 100m rasos e no salto em distância.

Com o tempo, Vera passou a dedicar-se somente à corrida. Sobre correr, ela afirma: “Olha, é uma sensação de liberdade, principalmente, para cegos, porque nós, para caminharmos, ou tem que usar bengala, ou tem que se apoiar no braço de alguém, ou ter um cão guia [...]. Quando tu estás correndo, quando eu fazia os 100 metros sem guia, por exemplo, eu me sentia muito livre…”. De seus momentos mais marcantes, Vera destaca o campeonato realizado em Curitiba/PR, no ano de 1985 onde, pela primeira vez, correu o revezamento para mulheres e sua equipe obteve o primeiro lugar. Para além desta competição, destaca sua participação nos Jogos Paralímpicos de Seul (1988), quando correu os 100m e os 400m rasos, em um estádio lotado. Ao longo de sua carreira, Vera destaca que uma das grandes dificuldades era a falta de recursos financeiros e investimentos destinados ao Esporte Paralímpico brasileiro. Muitas vezes, ela e seus companheiros de equipe estavam preparados para disputar os campeonatos, mas não participavam por não ter verbas para viagem, estadia, alimentação, etc. Hoje, ela destaca que há uma maior organização e profissionalização do esporte paralímpico no país, bem como maior divulgação por parte da mídia. Como mensagem, ela sugere que todos pratiquem algum tipo de exercício físico ou esporte: “que a pessoa escolha aquilo que goste e que faça um pouco, seja para competir ou não, para superar seus próprios limites, ter uma boa qualidade de vida, uma saúde melhor, uma disposição maior”.

Fonte: Arquivo NEHME/ESFID/UFRGS

Fonte: Arquivo NEHME/ESFID/UFRGS

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