Os projetos de extensão Afroconto e Outros Contos e Biblioteca Viva, ambos do Instituto de Psicologia, Serviço Social, Saúde e Comunicação Humana (IPSSCH) da UFRGS, uniram esforços em prol da organização da biblioteca da Escola Estadual de Ensino Fundamental Luiz Gama.

Trata-se de uma escola toda de madeira, antigamente denominada de “brizoletas”, em virtude do projeto de Leonel de Moura Brizola de ampliação ao direito à educação básica no RS, no período entre 1959 e 1963. O bairro Belém Velho fica na zona sul-extremo sul da capital gaúcha, estando a escola localizada numa comunidade bastante vulnerável.

Infelizmente, as escolas públicas estaduais tem vivido uma precarização dos seus serviços nos últimos anos. A maioria das escolas não conta com bibliotecárias, tampouco com espaços adequados para as bibliotecas.
O projeto Afroconto e Outros Contos desenvolve atividades de contação de histórias com representatividade negra, indígena e de Pessoas com Deficiência. Desde 2023, vem se aproximando da Escola Luiz Gama, e como o seu foco é a potência da literatura infantojuvenil, é fundamental que a escola tenha uma biblioteca funcionando.
No caso da escola Luiz Gama, havia uma sala compartilhada com estantes recheadas de livros empilhados e uma enorme mesa de madeira no meio. Os materiais desportivos ficavam num canto, junto com os mapas e o carrinho dos cromebooks. Além das salas de aula, da sala de AEE e do refeitório, esse é o único espaço coberto para a realização de atividades. Assim, ora pode ser um espaço de leitura, ora um espaço de jogos, ora de realização de tarefas didádicas.
Desta forma, em construção coletiva com a direção da escola, o projeto Afroconto buscou a parceria do projeto Biblioteca Viva, coordenado pelo bibliotecário Célvio Derbi Casal, com intuito de fazer uma força tarefa para a organização da biblioteca.

Em 2024, o bibliotecário Célvio trouxe a ideia de utilizarmos o Sistema de Classificação de Cores da Beabá – Rede de Bibliotecas Comunitárias do RS. A estudante de biblioteconomia, Carolina Genari Viana, tem sido fundamental na implementação desse sistema na escola. De lá pra cá, temos feito mutirões com estudantes da escola, bolsistas dos projetos e bixos e vestibulandos da UFRGS 2025.



O trabalho é lento e minucioso, mas conseguimos organizar uma estante de livros para a chegada das crianças e adolescentes para o período letivo de 2025, que iniciará no início de fevereiro.
Gostaríamos de agradecer o trabalho voluntário de estudantes bixos e vestibulandos que participaram desses mutirões. É muito importante que a juventude compreenda o papel da sociedade civil e da universidade pública no enfrentamento das enormes desigualdades que assolam o nosso país.
Clara, Larissa, Cecília, Carol, Breno, Tiago, Vitória, Laura, nosso muito obrigada!
Raquel Silveira, Fernanda Nogueira e Ângela Lummertz (coordenadoras do Afroconto e Outros Contos)