Mutirão para organização da Biblioteca da Escola Estadual Luiz Gama – Belém Velho – jan/fev 2025

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Os projetos de extensão Afroconto e Outros Contos e Biblioteca Viva, ambos do Instituto de Psicologia, Serviço Social, Saúde e Comunicação Humana (IPSSCH) da UFRGS, uniram esforços em prol da organização da biblioteca da Escola Estadual de Ensino Fundamental Luiz Gama.

A imagem apresenta um grupo de pessoas trabalhando no mutirão da Escola Estadual Luiz Gama. Há uma mesa retarngular muito grande, com vários livros, papéis e computador, materiais necessários para a catalogação dos livros por cores. Seis pessoas estão sentadas e duas estão em pé. Na margem direita da foto aparecem duas estantes com livros desorganizados.

Trata-se de uma escola toda de madeira, antigamente denominada de “brizoletas”, em virtude do projeto de Leonel de Moura Brizola de ampliação ao direito à educação básica no RS, no período entre 1959 e 1963. O bairro Belém Velho fica na zona sul-extremo sul da capital gaúcha, estando a escola localizada numa comunidade bastante vulnerável.

A imagem apresenta uma lateral interna da escola. As paredes de madeira estão pintadas de azul claro. Aparece uma viga de material, pintada de verde claro, assim como a estrutura da base, também de material e verde. A porta de madeira da sala de aula está pintada de rosa e tem um painel de papel pardo decorando-a, em que se lê: Escola: espaço de paz e também o desenho de duas ponbas brancas e de uma árvore frondosa. Essa foto foi tirada em 15 de junho de 2023, pelo projeto Afroconto. Hoje, fevereiro de 2025, a pintura de toda escola está completamente desgastada. Ressalte-se que a pintura da escola foi feita pelos professores da escola, em virtude da insuficiência de verbas do estado para manutenção da mesma.

Infelizmente, as escolas públicas estaduais tem vivido uma precarização dos seus serviços nos últimos anos. A maioria das escolas não conta com bibliotecárias, tampouco com espaços adequados para as bibliotecas.

O projeto Afroconto e Outros Contos desenvolve atividades de contação de histórias com representatividade negra, indígena e de Pessoas com Deficiência. Desde 2023, vem se aproximando da Escola Luiz Gama, e como o seu foco é a potência da literatura infantojuvenil, é fundamental que a escola tenha uma biblioteca funcionando.

No caso da escola Luiz Gama, havia uma sala compartilhada com estantes recheadas de livros empilhados e uma enorme mesa de madeira no meio. Os materiais desportivos ficavam num canto, junto com os mapas e o carrinho dos cromebooks. Além das salas de aula, da sala de AEE e do refeitório, esse é o único espaço coberto para a realização de atividades. Assim, ora pode ser um espaço de leitura, ora um espaço de jogos, ora de realização de tarefas didádicas.

Desta forma, em construção coletiva com a direção da escola, o projeto Afroconto buscou a parceria do projeto Biblioteca Viva, coordenado pelo bibliotecário Célvio Derbi Casal, com intuito de fazer uma força tarefa para a organização da biblioteca.

Atividade em 18 de junho de 2024. A imagem apresenta um grupo de pessoas na sala da biblioteca, adutos e crianças. Todos estão ao redor da mesa. O bibliotecário Célvio está no centro da mesa e tem duas pilhas de livros sob suas mães. Atrás dele aparecem as seis estantes de ferro da biblioteca, lotadas de livros misturados. Acima da estante há muitas caixas de papelão. As crianças estão olhando para os livros colocados na mesa, os quais terão que olhar e refletir que tipo de livro seriam, e assim classificá-los.

Em 2024, o bibliotecário Célvio trouxe a ideia de utilizarmos o Sistema de Classificação de Cores da Beabá – Rede de Bibliotecas Comunitárias do RS. A estudante de biblioteconomia, Carolina Genari Viana, tem sido fundamental na implementação desse sistema na escola. De lá pra cá, temos feito mutirões com estudantes da escola, bolsistas dos projetos e bixos e vestibulandos da UFRGS 2025.

O trabalho é lento e minucioso, mas conseguimos organizar uma estante de livros para a chegada das crianças e adolescentes para o período letivo de 2025, que iniciará no início de fevereiro.

Gostaríamos de agradecer o trabalho voluntário de estudantes bixos e vestibulandos que participaram desses mutirões. É muito importante que a juventude compreenda o papel da sociedade civil e da universidade pública no enfrentamento das enormes desigualdades que assolam o nosso país.

Clara, Larissa, Cecília, Carol, Breno, Tiago, Vitória, Laura, nosso muito obrigada!

Raquel Silveira, Fernanda Nogueira e Ângela Lummertz (coordenadoras do Afroconto e Outros Contos)

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