Este trabalho discute a retomada das negociações do Acordo Mercosul-União Europeia a partir dos interesses da burguesia interna brasileira. Tendo como objeto de pesquisa os posicionamentos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) frente à retomada das negociações a partir de 2016, bem como os termos em que o princípio de acordo foi finalizado em 2019, a análise propõe uma discussão a partir dos interesses de classe. Centra-se a análise em dois segmentos da burguesia interna, o setor agropecuário e o setor industrial, particularmente nos interesses explicitados nos posicionamentos da CNA e da CNI. Tem-se como hipótese que o posicionamento ambíguo dessas frações frente ao tipo de regionalismo pautado pelo Estado brasileiro, somado à conjuntura de crise, levou à retomada do acordo em questão também em um momento favorável à União Europeia, que busca afirmar-se no continente de modo a fortalecer-se na disputa interimperialista global. A partir de um embasamento teórico e uma revisão histórica do Mercosul, o estudo busca responder: a) qual a relação entre os interesses da burguesia interna brasileira no Mercosul e o tipo de regionalismo pautado nos governos Temer e Bolsonaro?; b) o que os setores que compõem a burguesia interna (CNI/CNA) esperam do Mercosul, sobretudo do acordo do referido bloco com a União Europeia? Para tal, o estudo centra-se nos posicionamentos da CNA e da CNI sobre as negociações entre 2016 e 2019, bem como nos termos em que o princípio de acordo foi finalizado.
Rua Washington Luiz, 855 – CEP 90010-460
Porto Alegre/RS, Brasil
NÚCLEO DE ESTUDOS EM POLÍTICA, ESTADO
E CAPITALISMO NA AMÉRICA LATINA
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