Esta tese dedica-se a analisar a trajetória de seis economistas brasileiros que participaram da elaboração do Plano Real: Edmar Lisboa Bacha, Pedro Sampaio Malan, Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, André Pinheiro de Lara Resende, Pérsio Arida e Gustavo Henrique de Barroso Franco. O recorte temporal da pesquisa é o período que vai dos anos 1960 até 1994. Enfoca-se a formação e a atuação profissional destes economistas. A análise baseia-se no método prosopográfico. Parte-se do questionamento sobre a relação deste grupo com as classes fundamentais da sociedade num contexto de mudança de hegemonia no Brasil. Desde 1964 o Brasil viveu diferentes fases: o auge da hegemonia liderada pela fração industrial estrangeira que caracterizou o “milagre” econômico, a crise deste esquema após 1974 e a ascensão da nova fração financeira internacional com o agravamento da questão da dívida externa a partir de 1979. A hipótese desenvolvida nesta tese é a de que ao longo de sua formação e atuação profissional estes seis economistas se constituíram como intelectuais orgânicos do capital financeiro internacional, trabalhando em torno da construção de um novo arranjo hegemônico no Brasil. Neste sentido, a elaboração das teorias inercialistas a respeito da inflação brasileira bem como a participação destes economistas no Plano Cruzado fizeram parte de um processo de elaboração ideológica e construção política que visava erigir a estabilidade monetária como valor comum da sociedade.
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Porto Alegre/RS, Brasil
NÚCLEO DE ESTUDOS EM POLÍTICA, ESTADO
E CAPITALISMO NA AMÉRICA LATINA
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