Carlos nasceu no Rio de Janeiro, em 1910. Ele foi frequentador do ateliê da Seção de Terapêutica Ocupacional do Hospital da Praia Vermelha, onde Nise trabalhava.
Produziu cerca de 21.500 obras, hoje conservadas pelo Museu de Imagens do Inconsciente, de desenhos a gravuras e participa de mostras individuais e coletivas no Brasil e no exterior. A vida do artista é contada no filme A Barca do Sol de Leon Hirszman (1937-1987)
Certa manhã, raios de sol incidiram sobre um pequeno espelho de seu quarto: o brilho extraordinário deslumbrou-o, e surgiu diante de seus olhos numa visão cósmica – “O Planetário de Deus” -, segundo suas palavras. Gritou, chamou a família, queria que todos vissem também aquela maravilha que ele estava vendo. Foi internado no mesmo dia no Hospital da Praia Vermelha, em setembro de 1939.
A visão do “Planetário de Deus” ficou para sempre gravada. Logo que teve oportunidade de pintar, oito anos depois da incandescente visão, Carlos, movido por forte necessidade interna, tentou representá-la sobre o papel.
Sobre esta mesma imagem, Nise (2015, p.309) discorre: “O centro da imagem é uma flor de couro, símbolo do sol e da divindade. A visão de Carlos é uma espantosa mandala macrocósmica, uma imagem do universo.”