O dia 12 de setembro de 2020, é uma data muito simbólica para o núcleo. Data que marca um ano do falecimento da querida Tania. Dessa forma, convidamos a psicóloga e membro do NuTAL, Barbara Neubarth, para escrever um pequeno texto como forma de homenagem.
O cafezinho quente e cheiroso preparado pela Neusa Helena nas manhãs das quartas-feiras, e bebericado antes dos seminários com os alunos da UFRGS, batizava conversas simples e intensas. Tal como numa collage, os encontros se davam nas aproximações entre muitos recortes eivados de afetos diversos. Ora a conversa sobre as particularidades: as perdas de nossos companheiros ou a alegria com nossos filhos. Ora questões sobre a Oficina, seus frequentadores, suas novidades, os pequenos acontecimentos, as conquistas. Ou também, as políticas públicas e ecos de Mariana e Brumadinho, que nos levaram ao trabalho Lenços, feito pela escrita de palavras que referem ao inominável de tragédias em que o ser humano e a natureza são totalmente desprezados.
Os olhos da Tania brilharam sempre quando se estava em busca de um algo a inventar. A lembrança destes momentos guardados – como coisa que se olha, fita, admira e por isso se escreve, se diz, se publica, para guardar o que se quer guardar – como nas palavras de Antonio Cícero (1996) em seu poema Guardar, citado pela querida Tania, é um pouco do que está aí a ser partilhado neste 12/09/2020 ao lembrarmos sua partida reafirmamos que ela vive, e que por isto podemos riscar o Z, abreviatura de zei. Tal como escreveram os gregos pelos muros de Atenas em 1963.