Hoje, compartilhamos o texto “O Devir Vegetal em Tania”, escrito pela psicóloga Patricia Gomes e inspirado pela pintura de Solange Gonçalves Luciano em reverência à Profa. Tania Mara Galli, no ficus imiscuido ao prédio histórico que Tania amava:
Dos tantos lugares nos quais Tania faz morada, nas molecularalidades de sua presença, existe a Árvore Galli – uma oferenda realizada pela Sol. Lá, aconteceu uma magia… Sempre que eu passava pela árvore via, encantada, traços amarelos e vermelhos que me reportavam a sangue e ouro. Mas, em uma tarde de quarta, junto a Rafaela Sant’Anna, Amanda Dal Ponte e Antônia Sugiura, integrantes da equipe do filme sobre o Silêncio, que estavam sentadas em frente à árvore, me disseram: é um anjo. Foi um maravilhamento. Meus olhos se tornaram dois tormentos curiosos e, consegui ver para dentro da árvore. Dentro. E vi uma asa saindo! Dourada!
Exatamente, assim era a Tania: brotava em mil saídas improváveis. Tania em seu devir-vegetal é alada. Tania nos guarda. Minha mão se mexeu para abanar para a Professora e, em meio aquela experiência estética que expandiu meus sentidos exalo, agora, palavras refrescantes, diretamente da minha pureza, que acessou mais uma novidade do seu habitat.
Para Tania (p. 17,2010), “Não seria preciso dizer do modo como gostamos de enlaçar vidas a lugares. Consideramos, até mesmo, não ser possível falar de vidas sem que venhamos convocar o meio ao qual se associam. Mas, aqui, não falamos de vidas, simplesmente, a um fora que lhes é exterior. Para nós, trata-se sempre de vidas atravessadas pelas forças do Fora, agenciadas e sempre produzidas nos encontros com algum meio associado, forjadas não no antagonismo entre um dentro e um fora, entre uma interioridade e uma exterioridade, mas na sua agonística quer seja para o seu aparecimento quer seja para uma rebeldia inventiva.”
Assim, na síntese de suas infinitas camadas, nasceu uma paisagem frondosa que vive crescendo em muitas direções-distorções nas matérias de um tempo intensivo que mora no sub-solo e no céu. Tal céu foge sem sentido porque suas raízes flutuam nos nossos corpos iluminados pela utopia que se equilibra graciosa diretamente do Fora.