Reconhecer os sujeitos contextualizados é dar visibilidade à condição de pessoa, com possibilidade de manifestação da identidade. Materializa-se por meio da indiferença às diferenças sociais que impedem a identificação em patamar de igualdade. Na contemporaneidade, a luta por justiça e por reconhecimento não é um problema individual, é coletiva e importa ao conjunto da sociedade. No caso dos adolescentes, os limites de reconhecimento podem ser observados em distintas dimensões. Destaca-se: a etapa de vida com características socioculturais próprias; as condições econômicas especialmente difíceis; a perspectiva jurídico cultural, a partir da impossibilidade de diálogo intercultural; e, ainda, os limites do Estado, ausente na efetividade de direitos.Realidade que se revela nos números de mortalidade deste público nos últimos anos no Brasil. Os jovens entre 15 e 19 anos são as maiores vítimas de homicídios no País: 87,6% dos casos (Dados do NEV-USP). Sendo que tais mortes ocorrem principalmente onde há uma superposição de carências e de violação de direitos. A violência é um processo complexo, porém é imperiosa a abertura ao diálogo e ao respeito à diferença, a qual deve ser intermediária em relação a onde se deseja chegar: respeito do outro em condição de igualdade, indiferente a ideias preconceituosas.