Deep Tech Summit 2026 debate desafios para transformar ciência em inovação
Evento reuniu pesquisadores, universidades, empresas e investidores para discutir o desenvolvimento de tecnologias de base científica na América Latina.
Por equipe de Sensibilização/Parque UFRGS

Imagem: Arquivo Parque UFRGS
A 4ª edição do Deep Tech Summit, que ocorreu em São Paulo nos dias 11 e 12 de agosto, teve como tema “Latam Deep Techs for Global Challenges” e reuniu diferentes atores do ecossistema de inovação para discutir os desafios de transformar pesquisas científicas em negócios e soluções para o mercado. Ao longo desses dias, foram debatidos temas como transferência de tecnologia, maturidade tecnológica (TRL), propriedade intelectual, modelos de negócio e investimentos. Também estiveram em pauta aplicações em áreas como biotecnologia e saúde, transição energética, clima, novos materiais e inteligência artificial aplicada à engenharia avançada, além da conexão entre grandes empresas e startups por meio de provas de conceito (PoCs) e iniciativas de coinovação.
Entre os painéis que mais se destacaram esteve “Enxergando o invisível: como o Sirius está expandindo os limites do que a ciência pode fazer”, que apresentou o papel de grandes infraestruturas científicas como plataformas de inovação e aceleradoras de P&D para setores como saúde, energia, agricultura e novos materiais. Outro destaque foi “Construindo o ecossistema de inovação da América Latina: universidades, parques tecnológicos e os elos que ainda faltam”. O debate abordou o chamado “Vale da Morte” entre a pesquisa e o mercado e apontou a necessidade de financiamento de risco paciente e infraestrutura para escalonamento. Nesse cenário, os parques tecnológicos assumem um papel estratégico, atuando como pontes entre pesquisadores, empresas e investidores.
Questões relacionadas à estruturação das startups também ganharam espaço. O painel “Higiene da Cap Table” chamou atenção para os riscos da diluição precoce e para a importância de estruturar adequadamente a participação societária desde os primeiros estágios. Já as discussões sobre empreendedorismo científico reforçaram que cientistas precisam desenvolver competências em negócios, vendas e liderança, sem perder o rigor técnico.
Aprendizados para a UFRGS
As discussões trouxeram reflexões importantes para a UFRGS e o UFRGS DeepTech. A universidade possui centros analíticos e laboratórios de excelência, e um dos desafios está em profissionalizar o acesso a essas infraestruturas pelo setor produtivo, transformando sua capacidade científica em plataformas de tração para novas Deep Techs.Também foi destacado o papel dos parques científicos e tecnológicos e incubadoras como articuladores entre pesquisadores, empresas e fundos de Venture Capital, uma aproximação que pode envolver setores estratégicos como os polos metalmecânico, químico e agroindustrial, no caso do Rio Grande do Sul.
Outro aprendizado diz respeito à estruturação das spin-offs. Questões como vesting, cotitularidade de propriedade intelectual e distribuição de equity precisam ser consideradas desde a modelagem dos negócios. Além disso, programas de apoio às Deep Techs devem levar em conta suas particularidades, como ciclos longos de P&D, validação laboratorial e exigências regulatórias.
De forma geral, o evento reforçou que o desenvolvimento de uma Deep Tech depende de uma jornada integrada e de longo prazo, que começa na infraestrutura científica e na pesquisa, mas precisa avançar por etapas como proteção da propriedade intelectual, estruturação societária, validação tecnológica e de mercado, desenvolvimento de modelos de negócio e acesso a investimentos. Nesse processo, universidades, parques científicos e tecnológicos, incubadoras, empresas, investidores e instituições de apoio precisam atuar de forma articulada para reduzir as lacunas entre a pesquisa e sua aplicação prática. O aprendizado também aponta para a necessidade de modelos de apoio específicos para Deep Techs, capazes de considerar seus ciclos mais longos de desenvolvimento, desafios regulatórios e necessidade de capital paciente, fortalecendo o papel do UFRGS DeepTech na construção de pontes entre pesquisadores, empresas e investidores e contribuindo para que soluções desenvolvidas na universidade avancem da bancada para o mercado e, consequentemente, para a sociedade.
