UFRGS Inova 2026 reúne comunidade acadêmica e ecossistema de inovação em um dia de conexões, conhecimento e oportunidades
Por equipe de Sensibilização/Parque UFRGS

Imagem: Arquivo UFRGS Inova/Parque UFRGS
O Centro Cultural da UFRGS foi palco, no dia 1º de setembro, do UFRGS Inova 2026, que reuniu mais de 500 pessoas ao longo do dia para discutir pesquisa, inovação e empreendedorismo. Com o tema “Da ciência à inovação: Deep Techs em foco”, a segunda edição do evento colocou em debate um dos principais desafios das universidades: transformar conhecimento científico e tecnológico em soluções capazes de chegar ao mercado e gerar impacto para a sociedade.
Estudantes de graduação e pós-graduação, professores, pesquisadores, empreendedores, startups, investidores, gestores públicos e representantes do ecossistema gaúcho de inovação circularam pelos diferentes espaços do Centro Cultural, que recebeu uma programação diversificada de palestras, painéis, workshops, pitches, matchmaking e momentos de networking.
Na Sala Jacarandá, principal palco do evento, as discussões partiram do cenário das deep techs no Rio Grande do Sul e avançaram sobre os caminhos necessários para aproximar ciência, mercado e sociedade. O painel “DeepTech no RS”, com Rodrigo Dalla Vecchia, da EvcomX; Luan Paz Rios, da Bioplix; e Bibiana Matte, da Núcleo Vitro, e mediação de Marcelo Favaro, da UFRGS, trouxe a perspectiva de empreendedores e empresas de base tecnológica sobre os desafios de transformar conhecimento científico em negócios e soluções de mercado.

Imagem: Arquivo UFRGS Inova/Parque UFRGS
A relação entre pesquisa e demanda também esteve no centro da palestra “Inverter para inovar: quando o mercado orienta a ciência”, apresentada por Juliana Saliba, da InnoVec. A discussão propôs uma mudança de perspectiva no processo de inovação: em vez de desenvolver uma tecnologia para somente depois buscar uma aplicação, aproximar o mercado desde as etapas iniciais da pesquisa. Validação de demandas, desenvolvimento de produtos e MVPs, licenciamento de tecnologias, criação de spin-offs acadêmicas e estratégias de P&D orientadas ao mercado estiveram entre os temas abordados.
No período da tarde, o debate chegou às cidades com o painel “Cidades Inteligentes como Laboratório de Deep Techs: da ciência ao impacto urbano”, que reuniu Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, Ana Cristina Fachinelli e Ronaldo Aloise Junior, com mediação de Camila Costa Dutra, da SEDETEC/UFRGS. Entre os conceitos discutidos esteve o de living labs, em que cidades funcionam como ambientes reais de experimentação, permitindo testar, validar e aprimorar novas tecnologias em contato direto com problemas e demandas da população. A proposta aproxima universidade, empresas, poder público e cidadãos e transforma o espaço urbano em um ambiente de construção e aprendizado para novas soluções.
A ciência também foi apresentada como instrumento para compreender e enfrentar desafios ambientais. O professor Jefferson Cardia Simões, do Centro Polar e Climático da UFRGS, abordou as conexões climáticas entre a Antártica e o Sul do Brasil, mostrando como fenômenos que ocorrem em regiões distantes estão relacionados à dinâmica atmosférica e aos eventos extremos registrados no Rio Grande do Sul. A apresentação destacou a importância da pesquisa científica, do monitoramento e da produção de conhecimento para compreender fenômenos complexos e contribuir para a antecipação de riscos e a tomada de decisões.
Encerrando a programação da Sala Jacarandá, o painel “Quando a tecnologia se transforma em inovação: conectando pesquisa, mercado e sociedade” reuniu Victoria Kernr, da Invest RS, e Mauro Mastella, da FAPERGS, com mediação de Paulo Schneider, da SEDETEC/UFRGS. A discussão partiu de uma questão central para o ecossistema de inovação: em que momento uma tecnologia deixa de ser apenas uma descoberta, patente ou protótipo e passa efetivamente a gerar valor? Os participantes discutiram os gargalos existentes entre a produção científica e sua transformação em produtos, processos e serviços, incluindo questões relacionadas a financiamento, empresas, cultura empreendedora e aproximação entre universidade e mercado. Um dos pontos levantados foi a necessidade de superar uma lógica baseada apenas na oferta de tecnologias desenvolvidas nos laboratórios e avançar para modelos de construção conjunta, nos quais empresas e potenciais usuários participem também da identificação dos problemas e das necessidades que a pesquisa pretende solucionar.
A dimensão regional da inovação também esteve em pauta. A partir da atuação da Invest RS, o painel discutiu como identificar competências científicas e tecnológicas existentes no Estado e conectá-las a oportunidades de mercado, investimentos e desenvolvimento econômico. A discussão reforçou o potencial de articulação entre universidades, empresas, governo e sociedade para transformar conhecimento produzido no Rio Grande do Sul em soluções de alcance nacional e internacional.
Além das discussões nos palcos, o UFRGS Inova 2026 promoveu workshops, pitches e sessões de matchmaking, ampliando as possibilidades de interação entre os participantes. Na área de exposição, startups, spin-offs e grupos de pesquisa apresentaram projetos, soluções e MVPs, criando oportunidades para conhecer tecnologias desenvolvidas na Universidade e estabelecer novas conexões com empresas, investidores e outros atores do ecossistema.
Outra novidade desta edição foi a presença de um palco externo, que ampliou os espaços de convivência e interação. No local, foram conduzidas 5 trilhas de pitches, organizadas de acordo com o estágio de maturidade e a área de atuação das iniciativas:
Bloco 1: Startups UFRGS — Ideação
Bloco 2: Startups UFRGS — Operação e Escala
Bloco 3: Ecossistemas parceiros
Bloco 4: Bolsas de Iniciação Empreendedora
Bloco 5: Grupos de Pesquisa

Imagem: Arquivo UFRGS Inova/Parque UFRGS
Além da apresentação dessas trilhas, o espaço também recebeu apresentações culturais realizadas por integrantes da própria comunidade da UFRGS, aproximando inovação, universidade e cultura, e criando um ambiente mais dinâmico para a circulação e o encontro entre os participantes.
Os pitches também ganharam destaque na programação, incluindo a realização do Pitch Night RS ANGELS, em parceria com o Parque UFRGS. A atividade colocou startups selecionadas diante de investidores e representou uma oportunidade concreta de aproximação entre negócios em busca de investimento e capital interessado no desenvolvimento do ecossistema gaúcho. Segundo a RS Angels, mais de 120 startups passaram pelo processo de curadoria, três chegaram à apresentação final e uma foi escolhida pelo júri para avançar no processo de investimento.
Durante as pausas da programação, os espaços de convivência e o coffee break também se transformaram em pontos de encontro. Pesquisadores, estudantes, empreendedores, investidores e representantes de instituições puderam compartilhar experiências, apresentar projetos e ampliar suas redes de contato, fortalecendo conexões entre diferentes setores do ecossistema de inovação.
O encerramento foi marcado ainda pelo reconhecimento de trajetórias que contribuem para a pesquisa, o empreendedorismo e a inovação na Universidade. Foram anunciados os destaques de Pesquisador do Ano e Empreendedor do Ano, que receberam premiações diante do público presente.
Ao longo de um dia de programação, o UFRGS Inova 2026 colocou em discussão diferentes etapas do caminho “da ciência à inovação”: o desenvolvimento de deep techs no Estado, a aproximação entre pesquisa e mercado, a experimentação de tecnologias em ambientes urbanos, a contribuição da ciência para desafios climáticos e os mecanismos necessários para transformar conhecimento em negócios, produtos e impacto social. Ao reunir comunidade acadêmica e diferentes atores do ecossistema de inovação, o evento reforçou a universidade como espaço de produção de conhecimento, mas também como agente de transformação capaz de conectar ciência, mercado e sociedade.
