Semana Caldeira 2026 realiza sua 5ª edição conectando tecnologia, negócios e criatividade para discutir o futuro da inovação

Por equipe de Sensibilização/Parque UFRGS

Imagem: Fernanda Hollmann/Parque UFRGS

A quinta edição da Semana Caldeira mostrou que falar sobre inovação hoje significa, cada vez mais, discutir as relações entre tecnologia e pessoas. Realizado entre 21 e 25 de setembro, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre, o evento reuniu cerca de 12 mil participantes e mais de 400 palestrantes em uma programação que ocupou diferentes espaços do complexo.

O tema deste ano foi “Inovar é Saber Ver”, do conceito italiano “saper verdere”, associado à capacidade de observar além do óbvio e identificar movimentos, conexões e possibilidades. A proposta partiu de uma provocação: em um momento em que ferramentas de inteligência artificial permitem acessar dados, criar imagens e prototipar soluções em poucos segundos, o diferencial passa a estar menos na quantidade de possibilidades e mais na capacidade de escolher o que realmente merece atenção.

Ao longo dos cinco dias, a inteligência artificial apareceu de diferentes formas e atravessou praticamente todas as áreas da programação. O tema esteve presente desde discussões sobre saúde e oncologia, indústria, marketing, recursos humanos, atendimento ao consumidor, desenvolvimento de produtos e infraestrutura digital. Na abertura, Diego Barreto, CEO do iFood, falou sobre cultura organizacional, velocidade e experimentação em uma empresa de tecnologia, enquanto especialistas brasileiros e internacionais discutiram aplicações de IA na saúde e no tratamento do câncer.

Um dos debates que ganhou força ao longo da semana foi justamente a relação entre inteligência artificial e trabalho. A questão levantada de forma recorrente no evento foi além da preocupação sobre substituição de profissionais por IA: propôs uma discussão sobre quais competências passam a ganhar valor quando tarefas podem ser automatizadas. A IA já consegue organizar, compilar e encontrar informações com velocidade, mas a interpretação de contexto, subjetividade, nuances das relações e aplicação do conhecimento em diferentes situações continuam sendo aspectos centrais da atuação humana. A discussão aponta para uma mudança de perspectiva: mais do que competir com a tecnologia, profissionais e organizações precisam aprender a trabalhar com ela, no sentido de desenvolver competências que complementam suas capacidades.

A colaboração foi outro elemento recorrente. A ideia de que inovação não acontece de maneira isolada apareceu tanto nas conexões entre empresas e startups quanto em debates sobre comunidades, ecossistemas e desenvolvimento regional. A programação trouxe, por exemplo, o painel “A força está na liga”, além de iniciativas de Portas Abertas, nas quais empresas da comunidade Caldeira compartilharam experiências e conhecimentos com o público. No universo das marcas, a discussão ganhou uma dimensão ainda mais ampla. O terceiro dia teve como foco experiências, comportamento e comunidades, com debates sobre como construir valor para além do produto, como transformar consumidores em participantes de uma comunidade e como utilizar dados e inteligência artificial para compreender novas jornadas de consumo. O desafio das marcas passa da simples busca por audiência para a construção de relações mais profundas com grupos que compartilham interesses, valores e comportamentos.

Imagem: Isabel Borba/Parque UFRGS

A tecnologia também foi apresentada em aplicações concretas na indústria. A Bosch, por exemplo, apresentou um projeto desenvolvido com o Senai-RS e pesquisadores gaúchos para utilizar IA na automatização de inspeções visuais, enquanto outros painéis discutiram P&D, manufatura aditiva, robótica, cibersegurança e transformação industrial.

O Sistema FIERGS apresentou debates sobre energia verde, hidrogênio, biogás, biometano e infraestrutura para data centers, destacando tanto as oportunidades de novos negócios quanto os desafios relacionados ao consumo energético provocado pela expansão da inteligência artificial. Também foram discutidas soluções para descarbonização industrial e novas possibilidades de logística verde no Estado.

No encerramento, o cofundador do Waze, Uri Levine, reforçou outra ideia que atravessou a programação: a inovação precisa partir da compreensão de problemas reais. Em sua participação, o empreendedor defendeu a importância de manter o foco no problema do usuário, e não apenas na solução ou na tecnologia utilizada.

A diversidade de temas e discussões foi uma das principais características da edição. Saúde, educação, cultura, esporte, turismo, desenvolvimento urbano, economia criativa, investimentos e empreendedorismo dividiram espaço com tecnologia e negócios. Para o Instituto Caldeira, essa mistura é parte da própria proposta do evento: reunir diferentes comunidades para que a inovação surja justamente das conexões entre áreas que, isoladamente, talvez não se encontrassem.

Ao final de cinco dias, a Semana Caldeira deixou uma mensagem coerente com o tema escolhido para esta edição: em um mundo em que a tecnologia amplia rapidamente aquilo que somos capazes de fazer, inovar passa também por saber observar, selecionar, conectar e atribuir significado. Entre inteligência artificial e capacidades humanas, produtos e comunidades, ciência e mercado, a inovação parece cada vez menos relacionada a fazer tudo sozinho — e cada vez mais à capacidade de enxergar possibilidades nas conexões.

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