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O Grupo de Pesquisa Pensamento Japonês: princípios e desdobramentos pretende contribuir com a divulgação dos estudos relativos à área de investigação conhecida como pensamento japonês (Nihon shisô, Japanese thought) praticamente intocada de forma direta no âmbito acadêmico brasileiro, explorando uma vastíssima produção bibliográfica em língua japonesa, sem menosprezar os estudos antecedentes desenvolvidos em outras línguas.

Como é sabido, o povo japonês sai de um estado ágrafo a partir de uma busca organizada de conhecimentos de culturas estrangeiras, a começar pelas vizinhas Coreia e China, esta última em contato com o Oriente Médio e a Europa por meio da Rota da Seda, até alcançar, nos dias atuais, o estágio de um país altamente letrado e avançado tecnologicamente. Nesse sentido, entende-se que o pensamento japonês é uma somatória de visões de mundo que perpassa vários períodos históricos ou alguns momentos mais específicos, inserido geograficamente no Japão. Busca-se, portanto, focar nos bens culturais que refletem as visões do mundo japonês em sua organização social, política, estética e econômica, preservados primordialmente pelos registros linguísticos e o desenvolvimento de técnicas de reprodução.

Foi criando suas bases, ora por meio de contatos exteriores iniciais, ora voltando-se para suas tradições nativas, com inovações e constante ampliação de saberes, que o país produziu um rico repertório para a formação do pensamento japonês. Por algum tempo, o Japão foi visto como um país de uma identidade uniforme e homogênea. Essas abordagens, ainda que necessárias em algumas situações, já são complementadas por uma gama imensa de visões de suas heterogeneidades e identidades plurais e híbridas. Essas diferentes abordagens necessitam ser mais bem conhecidas, exploradas e devidamente divulgadas, por conta de suas manifestações artístico-literárias abarcarem as diversas crenças e saberes, nativas e importadas, e as práticas cotidianas amalgamadas em estilos de vida peculiares, que geraram conceitos profundos e sutis, de complexa compreensão e interpretação.

Acredita-se, assim, que a tradução linguística e cultural desse imenso acervo, que atravessou séculos, será doravante acessível ao público brasileiro por meio dos estudos desenvolvidos por este grupo de pesquisas, sendo necessário trabalhar com duas frentes para lidar com os ingredientes mínimos que possibilitam reflexões e descobertas das alteridades japonesas em contraste com as brasileiras, alinhando-se, ainda, com as demandas interdisciplinares.