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  • Quando os ídolos partiram: a migração precoce e o distanciamento entre o torcedor brasileiro e a Seleção

    Quando os ídolos partiram: a migração precoce e o distanciamento entre o torcedor brasileiro e a Seleção

    Eduardo Both Gazzana: Este artigo analisa o fenômeno do distanciamento entre o torcedor brasileiro e a Seleção Nacional, investigando como a internacionalização do mercado futebolístico e a migração precoce de atletas para a Europa reconfiguraram os vínculos de identidade. Historicamente, a idolatria era construída pela convivência prolongada de craques nos clubes nacionais, permitindo a criação de memórias compartilhadas que se projetavam na equipe nacional. Contudo, marcos jurídicos e econômicos, como a Lei Bosman (1995) e a Lei Pelé (1998), ajudaram a consolidar o Brasil em uma lógica neoliberal de exportação de talentos, tratando jogadores como ativos econômicos. Casos contemporâneos, como… Leia mais »

  • Entre a maternidade e a barbárie: a construção visual da mulher indígena nas representações de Albert Eckhout (1641)

    Entre a maternidade e a barbárie: a construção visual da mulher indígena nas representações de Albert Eckhout (1641)

    Manuela Gerber Fontana: Este artigo analisa as representações da Mulher Tupi e da Mulher Tapuia, atribuídas a Albert Eckhout e produzidas em 1641, com o objetivo de compreender como atributos associados ao gênero são mobilizados na construção de distinções visuais entre diferentes grupos indígenas no contexto do Brasil Holandês. Fundamentada nos estudos da cultura visual, da história de gênero e da iconografia colonial, a pesquisa interpreta as pinturas como artefatos visuais inseridos em um projeto colonial de produção de conhecimentos e classificação da alteridade. A análise evidencia que a Mulher Tupi é representada por meio de elementos relacionados à maternidade,… Leia mais »

  • “Entre Feiticeiros e Hereges”: Mecanismos de Resistência Indígena,  Inquisição na América Portuguesa e as Acusações de Feitiçaria

    “Entre Feiticeiros e Hereges”: Mecanismos de Resistência Indígena,  Inquisição na América Portuguesa e as Acusações de Feitiçaria

    Eduarda dos Santos Tojal: O presente trabalho busca dialogar a respeito das acusações de feitiçaria realizadas pelo Tribunal do Santo Ofício contra indivíduos pertencentes a comunidades indígenas e, ainda, destacar de que forma as práticas de curandeirismo e uso de bolsas de mandinga se apresentam enquanto ações de resistência por parte desses indivíduos, além de questionar as reações dicotômicas de outros agentes a essas práticas e sua inserção na sociedade colonial. Organizado de forma que perpassa pela bibliografia sobre o tema, explica a relação entre a Inquisição e os povos nativos e traz duas situações de denúncias atreladas a esses… Leia mais »

  • Do aborto ao Quilombo: a resistência de “mulheres” escravizadas durante o período colonial no Brasil

    Do aborto ao Quilombo: a resistência de “mulheres” escravizadas durante o período colonial no Brasil

    Maria Eduarda Velasques: Procurando identificar o papel das questões de gênero e de raça na construção colonial do Brasil, o artigo analisa a colonialidade do conceito de mulher, as diferentes formas de opressão da potência portuguesa contra os africanos escravizados e como se deu essa escravidão, analisa as interpretações clássicas e contemporâneas da condição da “mulata”, e por fim, narra exemplos das estratégias de resistências de mulheres escravizadas durante a escravidão no período do Brasil Colônia (XVII-XIX). Ao fim da discussão proposta no presente artigo, são demarcadas as excepcionalidades da resistência das escravizadas, do modo individual ao coletivo. PALAVRAS-CHAVE: Gênero;… Leia mais »

  • Entre Portugal, Espanha e Holanda: uma breve análise das relações internacionais na constituição do Brasil (séc. XVI-XVII)

    Entre Portugal, Espanha e Holanda: uma breve análise das relações internacionais na constituição do Brasil (séc. XVI-XVII)

    Elias Maciel Pereira: Este artigo analisa as diversas influências europeias na formação das elites brasileiras e sua relação com a política internacional entre os séculos XVI e XVII. Tais influências – portuguesa, espanhola e holandesa – ocorreram por diversas vias, como a implantação do sistema de Antigo Regime no mundo colonial; a União Dinástica que colocou as elites vassalas de Portugal sob o domínio do Império Habsburgo em 1580; e como isso culminou na Invasão Holandesa em 1630; de maneira que essa sobreposição de poderes moldou a forma com que o Brasil se situou no cenário geopolítico do Período Moderno. … Leia mais »

  • Gênero e memória nas ditaduras do Cone Sul: repressão, invisibilidade e reconhecimento

    Gênero e memória nas ditaduras do Cone Sul: repressão, invisibilidade e reconhecimento

    Lilian Aparecida da Silva de Matos: A resenha analisa criticamente duas obras fundamentais sobre a memória das ditaduras do Cone Sul sob a ótica de gênero: o artigo de Mariana Joffily e o texto de Maria Amélia Teles. Joffily propõe uma análise comparativa dos relatórios oficiais de memória na Argentina, Brasil, Chile e Uruguai, revelando como silenciaram as violências de gênero, mesmo quando documentaram a repressão. Já Teles, a partir de sua experiência como ex-presa política e militante feminista, denuncia as violências sexuais e institucionais sofridas por mulheres, expondo tanto a omissão do Estado quanto o machismo nas organizações de… Leia mais »

  • O homem que comeu mais de 300 corpos: antropofagia tupinambá e as representações de Américo Vespúcio e Hans Staden

    O homem que comeu mais de 300 corpos: antropofagia tupinambá e as representações de Américo Vespúcio e Hans Staden

    Felipe Balparda Athanasio: O presente trabalho busca entender os significados da prática antropofágica para os Tupinambá, compreendendo os contrastes existentes entre uma aproximada perspectiva indígena e o ponto de vista presente nos relatos de Américo Vespúcio e Hans Staden. Para isso, utiliza pensamentos de antropólogos, historiadores e de textos de viagem dos exploradores em questão. A antropofagia Tupinambá é uma prática complexa, dotada de simbolismo,culturalidade e um dos elementos do chamado sistema de guerra tupi, que também possui a noção da vingança enquanto eixo central. Pode-se entendê-la enquanto indispensável para a continuidade de um grupo, a partir da sua importância… Leia mais »

  • Temporalidade Estática: A Hegemonia do Tempo Presente

    Temporalidade Estática: A Hegemonia do Tempo Presente

    Tiago Irigaray: Nessa segunda década do século XXI, vivemos com intensidade o Presentismo/Atualismo. O futuro parece ameaçador, com o prognóstico do agravamento de muitas crises e mesmo a ideia de extinção. O passado e suas complexidades parecem pouco interessar diante da velocidade incessante das redes sociais e novas tecnologias, ou se insere num contexto de ferrenhas disputas políticas sobre o significado deste ou daquele acontecimento. Parece regra o refúgio num presente superficial e hedonista, em detrimento das outras temporalidades. Contudo, não podemos ficar presos no presente para sempre–como no filme “Feitiço do Tempo” (“Groundhog Day”) – e, apesar da perspectiva… Leia mais »

  • Crimes contra a fé e a moral católica: perseguição pelo Tribunal do Santo Ofício a expressões de gênero não-normativas no Brasil Colonial

    Crimes contra a fé e a moral católica: perseguição pelo Tribunal do Santo Ofício a expressões de gênero não-normativas no Brasil Colonial

    Lúcia Ribeiro Mirandola: O estabelecimento da colônia portuguesa no Brasil causou um profundo choque entre realidades e conceitualizações de gênero e sexualidade oriundas de matrizes indígenas, europeias e africanas. Através da “cruz e espada”, a Coroa Portuguesa inaugurou violenta repressão sobre identidades consideradas não-normativas e perigosas para a manutenção da “fé e moral católica”, assim dando forma às noções cisheteronormativas e patriarcais que são vigentes e naturalizadas no Brasil contemporâneo. O seguinte artigo apresenta como estudo de caso de tal processo as vivências e resistências de Xica Manicongo e Tybyra, que habitaram o território colonial brasileiro durante o século XVI.… Leia mais »

  • “Si ellos son la patria yo soy extranjero”:  Entendendo as Ditaduras Militares na Argentina com as canções de Charly García (1960-1984). 

    “Si ellos son la patria yo soy extranjero”:  Entendendo as Ditaduras Militares na Argentina com as canções de Charly García (1960-1984). 

    Giulliano Caprio Almeida: O contexto da Guerra Fria e da caça aos comunistas por parte do governo estadunidense trouxe aos países do Cone Sul experiências ditatoriais traumáticas através da implementação da Doutrina de Segurança Nacional e o Terror de Estado; o caso da Argentina não foi diferente com o advento da Operação Condor. Pensando nisso, o presente ensaio visa exercitar a análise das conjunturas internacionais e nacionais que influenciaram a política e cultura argentina com as canções revolucionárias ao longo da carreira de Charly García denunciando os horrores das autoridades. Diante do escrito, as observações de suas composições expõem uma… Leia mais »