PEVA: Conhecer para Amar, Amar para Preservar! – Um documentário sobre o Parque Estadual de Itapeva , Torres/RS

Autoria: Letícia Bolzan, Marco Aurich, João Pedro Baraldo, Heitor Jardim.

É com muita alegria que o PET Bio UFRGS está lançando o teaser desse documentário cheio de história, biodiversidade, luta, conservação e resistência!

Em meio ao sucateamento das Unidades de Conservação do RS, vemos no Itapeva um exemplo de um fragmento cheio de vida em meio à uma matriz urbana que avança sobre os limites do Parque fisicamente e, principalmente, politicamente, e justamente por isso, sua biodiversidade está muito ameaçada.

Nosso projeto que visa o estudo da importância ecológica do Parque Estadual de Itapeva, em Torres, para a biodiversidade e ecossistema do litoral norte do RS. Por isso estamos montando um documentário no qual apresentaremos a história, a biodiversidade, os problemas enfrentados pelo Parque e a dimensão da importância do mesmo para o município de Torres, para o estado do Rio Grande do Sul e para o meio ambiente em geral. Assim, será gerado um material educativo sobre uma Unidade de Conservação Estadual, que será disponibilizado para o grande público — principalmente para a comunidade Torrense e aqueles que visitam o litoral (como veranistas), abordando a influência deste Parque na diversidade de espécies da fauna e da flora, no clima e na cultura do Litoral Norte do RS.

O PET Bio juntamente com muitos colabores está construindo este material com muito carinho e amor pela preservação!

Se você quiser colaborar com nosso Doc, seja com sugestões, informações, vídeos ou até apoio moral (hehehe) sinta-se convidado a participar! E ajude-nos a divulgar!

EM BREVE =]

“Para proteger, a comunidade tem que amar. Para amar, ela tem que conhecer. Como vamos querer que a comunidade proteja o Parque se ela nem ao menos conhece ele? Conhecer para amar, amar para preservar!” adaptado de Paulo Carlos Grübler gestor do PEVA.

Teaser 2:

Trailer

 

Trote Consciente no Parque Estadual de Itapeva

Autoria: Marco Aurich, João Pedro Baraldo, Marceli Franceschi.

O Trote Consciente é um evento tradicionalmente realizado no curso de ciências biológicas, organizado por alunos junto ao diretório acadêmico (DAIB). O evento é um contraponto ao tradicional “trote sujo”, também realizado tradicionalmente por alunos da grande maioria de cursos das universidades. A ideia de trazer uma atividade contrária a essas surgiu no sentido de marcar de forma positiva e consciente o ingresso dos calouros no curso, diferentemente do que acontece no trote sujo, onde as pessoas são expostas a “brincadeiras” que podem ser sádicas e opressivas e que reafirmam padrões hierárquicos, preconceituosos ou meritocráticos da sociedade.   

Ingressar na Universidade sempre deve ser motivo de alegria e celebração. Afinal de contas, é o início de uma etapa de vida em que começaremos a aprender mais sobre algo que nos chama atenção, instiga a curiosidade e no qual poderemos investir nossos esforços. Assim, o Trote Consciente da Biologia vem para ser um momento de trocas de experiências e saberes com pessoas que tem na natureza a sua fonte primordial de trabalho. Os espaços escolhidos semestralmente para oferecer essas atividades são marcados por uma história de resistência e luta, como aconteceu , por exemplo, em Antônio Prado, onde reside o berço da Agroecologia no Brasil pelo bonito e inteso trabalho da Família Bellé. Também, na Zona Sul em Porto Alegre, dentro da área onde se encontra a ONG Econsciência, que vem atuando em parceria com projetos de extensão da UFRGS, pela conservação da biodiversidade remanescente da região, principalmente o Bugio-Ruivo e pela manutenção da zona rural da cidade.

Esse semestre (2016/2) o evento ocorreu na Praia de Itapeva, localizada no município de Torres – RS. A região abriga importantes remanescentes da paisagem do Litoral Norte do estado, protegidos, principalmente, dentro do Parque Estadual de Itapeva. O objetivo principal foi mostrar para os calouros do curso a importância dessas áreas protegidas para a história da região e também os desafios da gestão.

Foto: Heitor Jardim
Foto: Heitor Jardim

O acampamento para recepção dos calouros ocorreu no final de semana dos dias 27 e 28 de agosto. No primeiro dia, o gestor Paulo apresentou o Parque aos alunos. Eles puderam conhecer um pouco da história dessa Unidade de Conservação que protege importantes áreas de restingas, dunas móveis, mata paludosas e banhados associados à vegetação de mata atlântica. Antes de ser reconhecida como uma Área Protegida oficial, a área abrigava um camping que era frequentado, principalmente, por turistas da região. Entretanto, os impactos das atividades antrópicas, aliados à crescente expansão urbana de Torres, fizeram com que os órgãos públicos reconhecessem a necessidade de proteção e conservação da área, com o uso mais restrito. Assim, a área foi reconhecida como uma UC de Proteção Integral.

Grande parte da paisagem de Torres foi manejada por comunidades indígenas guaranis, que habitaram (e algumas comunidades ainda habitam) essa região há centenas de anos. No Parque é possível encontrar os sambaquis – importantes registros arqueológicos dos povos que habitaram o litoral no passado. No trote, tivemos a oportunidade de ouvir um líder guarani, o Francisco, professor de uma escola indígena da região. O historiador Rafael Frizzo, que acompanhou o acampamento, convidou Francisco para nos contar um pouco sobre a educação guarani e as diferenças entre as escolas indígenas e não indígenas. Em torno na fogueira, também conversamos sobre as diferentes concepções das coisas do mundo na visão guarani, como por exemplo os sonhos, a família, a natureza e também sobre a região do Parque de Itapeva. Tivemos a honra de ter Francisco e sua família sob a luz da fogueira nos contando um pouco da vida em si e trazendo o artesanato com que eles trabalham para nos mostrar.

Foto: João Pedro B. Mello
Foto: João Pedro B. Mello

Dentre as atividades que tivemos, também pudemos aprender um pouco sobre os Tuco-tucos (Ctenomys minutus) com o Técnico Ambiental do Parque Tupancy, Marcos Munhoz. A partir de uma roda de conversa, ele relatou um pouco de sua experiência com o manejo desses animais, que estão perdendo seus habitats para a construção de grandes condomínios no Litoral Norte do Estado. Em seguida, fizemos uma caminhada pela Lagoa e pelas dunas, onde alguns colegas conseguiram avistar os Tuco-tucos.

No sábado à noite, foi realizado um campo de anfíbios dentro do Parque, por iniciativa dos alunos, com o a participação do herpetólogo Marcelo Duarte Freire. Entre as 9 espécies observadas esta a Sphaenorhincus caramaschii, ameaçada de extinção no Rio Grande do Sul.

Segue a lista de espécies encontradas pelos alunos:

Dendropsophus minutus
Hypsiboas guentheri
Scinax tymbamirim
Scinax squalirostris
Sphaenorhincus caramaschii
Physalaemus gracilis
Rhinella henseli
Leptodactylus gracilis
Leptodactylus latrans
Sphaenorhincus caramaschii. Foto: Deivid Pereira
Sphaenorhincus caramaschii. Foto: Deivid Pereira

(Para saber mais sobre os anfíbios do Parque, acesse aqui um trabalho realizado por Patrick Colombo, herpetólogo da Fundação Zoobotânica.)

No domingo, último dia de atividades, foi realizada uma caminhada no Parque, para observação de aves e um mutirão para arranquio de espécies exóticas. Na observação, organizada pelo Clube de Observadores da UFRGS (COA), pudemos visualizar espécies comuns na região, mas que dificilmente encontraríamos em áreas urbanas, como a coruja buraqueira, os aracuãs, o pula-pula-assobiador, o anu-preto, biru-biru,curicacas, entre outras.
Anu-preto (Crotophaga ani). Foto: Marco Aurich.
Anu-preto (Crotophaga ani). Foto: Marco Aurich.

O mutirão de arranquio de exóticas teve como objetivo mostrar a dimensão do impacto das espécies exóticas invasoras nos nossos ecossistemas. O Pinus sp. é uma espécie exótica e invasora, que foi introduzida nas áreas rurais do estado, com a justificativa de favorecer o desenvolvimento econômico, a partir de plantações em larga escala (Silvicultura). A espécie se dispersa e adapta-se facilmente às condições climáticas e de solo do estado, competindo diretamente por recursos com espécies nativas. A paisagem do Parque de Itapeva está sendo continuamente alterada pela presença de Pinus.

Pinus invadindo as dunas. Foto: Heitor Jardim
Pinus invadindo as dunas.  Foto: Heitor Jardim

O Trote Solidário pode ser considerado um ritual para a entrada das(o) calouras(o) na Biologia: conhecer a biodiversidade do estado, os costumes regionais e compartilhar saberes e experiências em uma atividade desenvolvida unicamente por alunos do curso é uma oportunidade para desenvolvermos nossa autonomia, expandirmos nossos conhecimentos e consagrar a entrada na faculdade para aqueles que estarão por um longo tempo aprendendo, dentro e fora (principalmente) da sala de aula no curso de Biologia da UFRGS.

Gostaríamos de parabenizar e agradecer aos envolvidos, principalmente às(o) colegas organizadoras, que trabalharam voluntariamente para fazer o evento acontecer; Rafael Frizzo, pela parceria e apoio constante, e Paulo Grubler, gestor do Parque, que está sempre de portas abertas para as atividades dos alunos e da universidade.

Confira mais algumas fotos tiradas no Parque:

 

Escorpião. Foto: João Pedro B. Mello
Foto: João Pedro B. Mello

 

João Pedro B. Mello
Foto: João Pedro B. Mello

 

Foto: Heitor Jardim
Foto: Heitor Jardim

 

Foto: Heitor Jardim
Foto: Heitor Jardim

 

A Roda De Conversa sobre: (De)Pressão Acadêmica e Setembro Amarelo

cvvNo dia 08/09, o PET Biologia, em parceria com o PET Letras, realizou “A Roda De Conversa sobre: (De)Pressão Acadêmica e Setembro Amarelo“. Recebemos a presença da  bióloga aposentada e ex voluntária do CVV (Centro de Valorização da Vida) Zulamira e de outras atuais voluntárias. Nossa conversa iniciou com uma pequena apresentação de cada um dos presentes na roda e, posteriormente, foi explicado a proposta do evento e o Setembro Amarelo.

Em resumo, o Setembro Amarelo é uma campanha de prevenção do suicídio, que já era comum na Europa, mas que no Brasil se tornou famosa em 2014. O dia em que se da uma atenção especial é no dia 10 de setembro. Em todo o país há palestras, ilustrações e discussões sobre o assunto.

Nossas convidadas, se mostraram sempre muito dispostas a conversar conosco, de maneira muito aberta e receptiva. Elas nos falaram de como é trabalhar no CVV, o tipo de treinamento, e que qualquer pessoa disposta a desabafar pode utilizar o serviço. Além disso, foi falado muito por elas que cada um de nós somos seres únicos e especiais e da importância de ter um entendimento geral por vida, ainda mais o pessoal da biologia, que era o público mais presente, pois, estudamos todo o tipo de vida, mas não temos um entendimento próprio da nossa.

Nossos convidados também falaram muito como a vida acadêmica causa muito desânimo, pois, constantemente somos comparados e julgados. Isso começa na escola, porém, na universidade essa cobrança se torna muito mais evidente, muito por causa da competição, e isso gera desânimo nos estudantes. E também como a falta de empatia entre nós, por causa dessa rotina nos destrói lentamente. A cobrança da família, a falta de suporte da universidade, ego exacerbado do meio acadêmico, torna tudo bem complicado para nós e onde era pra ser um espaço de construção de conhecimentos e de bem estar, acaba gerando tristeza, ansiedade e angústias. No fim das contas o que podemos fazer como estudantes é ter empatia entre nós e  cobrar da universidade um atendimento psicológico de qualidade e  gratuito.

O evento foi encerrado com uma roda, beijos e abraços e foi distribuído um  imã de geladeira com o laço amarelo (símbolo do setembro amarelo) e panfletos do CVV. Esperamos que tenha sido um espaço acolhedor para todos os participantes e que esse assunto não seja debatido somente em setembro, mas sim em todo ano. Nos vemos na próxima.14317387_948431998596854_2492282077415369937_n

 

Qualquer informação sobre o CVV tem o site: http://www.cvv.org.br/ e também o número 141

 

Informação sobre o Setembro Amarelo nesse site: http://www.setembroamarelo.org.br/

XIX SulPET – Viver e Compartilhar Diversidades

Autoria: Letícia Bolzan, Luíza Machado, Marco Aurich, João Pedro Baraldo, Heitor Jardim, Leonardo da Silveira, Marceli Franceschi.

Entre os dias 26 e 29 de maio ocorreu o XIX SulPET, encontro dos grupos PET da região Sul do Brasil. O evento teve como tema “Viver e Compartilhar Diversidades”, que visava o debate e reflexão sobre as mais diversas identidades que costumam ser suprimidas pelos padrões hegemônicos, o entendimento das diferenças e a construção de um pensamento mais amplo pela aceitação das diferentes formas de ser.

Dentro deste contexto, o PET Biologia engajou-se na construção de dois Grupos de Trabalho e Discussão (GDTs): o  Mobiliza PET e o Viver e Compartilhar Diversidades: Gênero e Sexualidade. Também realizamos oficina no Jardim Botânico em parceria com a Fundação Zoobotânica (FZB), além da participação no encontro por áreas, assembleia e exposição de pôsteres.

Nos faltam palavras para agradecer todo o apoio e confiança da FZB conosco, não só na oficina, mas também por terem comparecido na exposição dos pôsteres, mostrando o seu trabalho, distribuindo cartazes e levando livros para serem sorteados para os participantes; e por terem deixado a entrada ao Jardim Botânico gratuita para os participantes do evento durante todo o domingo (29/05). É uma parceria firmada no segundo semestre de 2015 que esperamos que perdure por muito mais tempo. Ressaltamos sempre a importância da FZB para conservação da biodiversidade e para a divulgação dela à sociedade em geral.

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A Oficina: Trilha no Jardim Botânico com PANCnic

A oficina, com o objetivo de disseminar alguns saberes científicos e culturais sobre diversas plantas e certas formações florestais ocorreu no dia 26 de maio. Com a participação de duas jardineiras do Jardim Botânico, a Josi e a Nina, duas trilhas foram feitas: uma contemplando o bioma Mata Atlântica e outra com diversas gimnospermas exóticas e nativas. Ao fim das trilhas, um piquenique foi feito, com comidas feitas com PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), com uma explanação sobre o impacto que as nossas escolhas alimentares geram e o quão político pode ser o ato de comer.

Aqui, algumas das receitas que utilizamos para o PANCnic:

Bolo de cajá-manga

200 ml de polpa de cajá-manga

1kg de farinha

1 e 1/2 xícara de açúcar mascavo

3/4 xícara de óleo de girassol

5 colheres de chá de fermento químico

Misture os ingredientes secos, depois o óleo e a polpa. Ponha a mistura em uma forma untada e asse em fogo baixo por 40 minutos, o forno deve estar preaquecido.

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Bolo salgado de picão-branco e jaca verde

Massa:

1 kg de farinha

300g de picão-branco

1 colher de sopa de óleo de girassol

4 colheres de sopa de açucar mascavo

30g de fermento biológico

2 xícaras de água

Em uma vasilha adicione todos os ingredientes seco e misture. Bata o picão com a água e ponha a mistura para esquentar, em seguida adicione o líquido aos ingredientes secos, mexa até a massa ficar homogênea e elástica, se necessário acrescente mais água morna. Ponha em uma forma untada e estique a massa com os dedos úmidos até ela preencher a forma completamente. Asse em fogo baixo por meia hora, ele deve estar preaquecido.

Cobertura:

300 g de jaca verde

2 cebolas médias picadas

6 tomates picados

sal e pimenta a gosto

Depois de colher a jaca ponha ela partida na panela de pressão por cerca de 20 mins, para corta-la é bom untar a faca com óleo. desfie a jaca como um frango. Refogue a cebola, ponha o restante dos ingredientes e a jaca, cozinhe até os tomates se desfazerem. Passe sobre o bolo ainda quente.

Pastinha de alho de folha

200g de grão de bico cozido

200g de alho de folha

100 g de amendoim torrado

1 xícara de azeite de oliva

1/2 xícara de água

sal e noz moscada a gosto

Bata tudo no liquidificador. Dura até uma semana na geladeira.

Grupos de Discussão e Trabalho

O PETBio ficou encarregado pela organização de dois GDTs (Grupo de discussão e trabalho). O primeiro foi em parceria com o PET Ciências Socias UFRGS, com o tema “Viver e compartilhar diversidades: Gênero e Sexualidade”. O GDT foi o mais procurado do evento, onde ainda no primeiro dia de inscrições fechou com o máximo de cem inscritos. Foram muitos relatos vindos de diversos PETs de diversos cursos e cidades, mas sempre com o mesmo tema central: intolerância e preconceito. Relatos de machismo vindo de professores, colegas e principalmente tutores sofridos pelas alunas foram os que mais apareceram. LGBTfobia também apareceu bastante, ressaltando a importância da discussão deste tema dentro do PET e principalmente dentro das universidades. Quem já teve experiências em tratar desses assuntos ajudou e aconselhou grupos ainda inexperientes. Foi uma grande troca de aprendizado e principalmente, ajuda mútua. Desse GDT saíram duas propostas que foram aprovadas por contraste em assembleia geral, foram elas:

“Todo o evento regional (sulpet) deverá incluir na sua programação pelo menos uma plenária geral sobre questões pertinentes a minorias. Tal medida deve ser fiscalizada pelo Cenapet junto com as comissões organizadoras dos eventos futuros.” e “O CLAA deve contemplar em sua avaliação dos grupos a  exigência de ações relacionadas à temática da diversidade em cumprimento à portaria 343/2013.”

O outro GDT discutiu a mobilização política do PET, foi realizado em parceria com O PET Computação. O encontrou encaminhou propostas que pretendem manter o Programa de Educação Tutorial, mantendo os petianos articulados e atentos em defesa do PET e da Educação Pública. Durante a Assembleia Geral o GDT organizou um ato simulando a extinção do programa, pois este era um meio de despertar os petianos para uma possível sinalização de extinção.

Encontro por áreas: conhecendo os PETs de outras universidades.

Durante o SulPET também ocorreu o Encontro por Áreas, que é o momento de reunião dos grupos PET que trabalham na mesma área de conhecimento, ou em áreas similares. O encontro foi muito rico, ouvimos relatos de diversos PET da área de Ciências Biológicas e nos deparamos com uma incrível pluralidade na forma como os grupos trabalham. Comparamos nossas realidades e percebemos que cada grupo tinha um jeito distinto de lidar com o funcionamento da equipe e com as atividades realizadas na faculdade, e que não há, necessariamente, um jeito melhor que outro, mas que os modos de trabalho devem dialogar com os contextos dos grupos. As trocas e relatos foram muito enriquecedores e nos ajudaram a ver os pontos positivos do nosso grupo, assim como pontos que devemos assumir uma posição mais crítica e trabalhar em conjunto para melhorar.

Exposição de pôsteres:

 

Nosso grupo também levou para a exposição de pôsteres do evento um trabalho de sua autoria, denominado “Áreas Protegidas no Contexto da Sociobiodiversidade”. O trabalho trouxe algumas informações quanto às bases jurídicas que garantem às Comunidades Tradicionais o direito à territorialidade e uso dos recursos naturais em áreas que são legalmente protegidas, tanto para a preservação da biodiversidade, quanto para a valorização dos conhecimentos e valores dessas comunidades. Para entender um pouco mais acesse a do projeto Conhecendo Unidades de Conservação .

O SULPET foi um momento importante para entendermos a dimensão do Programa de Educação Tutorial. A diversidade, sobretudo, se mostrou presente, trazendo à tona a necessidade de, cada vez mais, fornecer subsídios, criar espaços e dar voz àquelas e aqueles que ainda não são ouvidos e lutam diariamente por sua inclusão na sociedade. O PET Biologia lamenta muito que algumas propostas relacionadas a melhorias na portaria do PET sobre as Ações Afirmativas, que permitem uma maior diversidade e assistência estudantil étnico-racial, não tenham sido aprovadas em assembleia pelos petianos e tutores presentes.

Morro Santana: um olhar fotográfico para sua conservação.

Autoria: João Pedro Baraldo, Marco Aurich, Marceli Franceschi, Heitor Jardim, Kassiane Garcia, Luíza Machado.

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Ao fundo, o Morro Santana (Acervo do IPH)

Durante o Salão de Ensino UFRGS 2015, o Portas Abertas 2016  e, posteriormente, a Semana Acadêmica 2016/01 da Biologia UFRGS, o PETBio realizou uma exposição fotográfica sobre o Morro Santana. O objetivo foi trazer reflexões para a comunidade acadêmica acerca das temáticas envolvendo a relação do Morro Santana com a UFRGS e as habitações no seu entorno. A exposição, intitulada “Eu, Morro”, foi composta por fotos enviadas por alunos, professores e departamentos situados no Campus do Vale. Foram abordadas questões como a biodiversidade, a história, a comunidade local e os problemas nele enfrentados atualmente.

Um dos principais motivos pelos quais organizamos a exposição é a luta para reconhecer o Morro Santana como uma Unidade de Conservação (UC). Essa é uma reivindicação antiga do Instituto de Biociências da universidade. Professores e alunos mobilizaram-se afim de buscar a proteção legal do Morro junto aos órgãos ambientais responsáveis, tanto na esfera estadual, quanto na federal. Entretanto, não houveram acordos, pois, questões burocráticas foram empecilhos para a efetivação do processo.  Apesar disto a decisão N° 243/2006 do Conselho Universitário da UFRGS reconhece o morro como um refúgio da vida silvestre.

A UFRGS, em seu Plano de Gestão 2012-2016, se propõe a “Ampliar as Interações com a Sociedade” de acordo com “princípios de transparência, objetividade e responsabilidade social”. Para alcançar tal objetivo, não há melhor ponto de partida do que a comunidade residente do próprio entorno dos Campi. Entretanto, salvo alguns – poucos – notáveis projetos de extensão, o que vemos na prática são muros que segregam progressivamente o ambiente universitário e sua vizinhança.

Nesse contexto, é impossível pensar o Campus do Vale dissociado do Morro Santana. A construção do Campus, iniciada pelas obras do IPH (Instituto de Pesquisas Hidráulicas), intensificou o processo de urbanização da região, o que também gerou aumento nos impactos ambientais. As áreas restantes da paisagem natural do Morro estão, em sua maior parte, localizadas na área de propriedade da UFRGS, que até 1700 era terra tupi-gurani, onde eles caçavam, criavam animais e cultivavam mandioca e milho.

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Vista do Morro Santana (Luiz Terragno, 1865)

Em 1732, Jerônimo de Ornellas recebeu a Sesmaria de Sant`ana que possuía cerca de 13 mil hectares e ergueu sua residência sobre o Morro Santana. Devido à ocupação açoriana, Jerônimo loteou suas terras. Entre 1800 a 1950, o morro teve diversos proprietários, dos quais utilizavam sua área para a caça e para as mais diversas atividades agropastoris.

Em 1950, a UFRGS torna-se proprietária de aproximadamente 600ha dos mais de 1000ha do Morro Santana. Atualmente, o morro divide espaço com o Campus do Vale, com as vilas Santa Isabel e Agrovet e com grandes condomínios na Antônio de Carvalho, na Protásio Alves e em sua face Leste. Esses fatos reforçam a responsabilidade da Universidade, tanto com a conservação ambiental do Morro, como com o fortalecimento social das comunidades associadas.

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            À esquerda, o anel viário, em frente a represa do IPH e, à direita, a Vila Santa Isabel

(Eduardo Vélez)

Apesar de suas belas paisagens e rica biodiversidade, o morro sofre com ações antrópicas. O anel viário do Campus do Vale fragmenta ambientes florestais utilizados como habitat por diversas espécies de répteis, mamíferos e aves. Frequentemente, se encontram carcaças de animais que tentaram uma travessia no asfalto entre esses ambientes estigmatizados.

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Cágado Atropelada no Anel Vário (Gabriela Schuck)

Diversas outras áreas do morro estão sendo fragmentadas para a construção de novas vias, que dão suporte a novas moradias, gerando mais impactos à biodiversidade. Dispersão de espécies exóticas como Pinus sp., Eucalyptus sp. e Brachiaria sp.;   atividades como motocross e a presença dos animais domésticos também são ameaças à vida no morro.

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Pinus acelerando o processo de erosão  (Renato Silvano)

Muitos moradores do morro sofrem com a falta de saneamento básico e impactos gerados por habitações irregulares (como falta de tratamento de esgoto, disposição indevida de lixo e risco de desmoronamentos). Tais impactos socioambientais resultam da falta de amparo e planejamento urbano no que diz respeito ao poder público.

HISTORIA NATURAL DA CIDADE 

Porto Alegre possui 44 morros, constituídos geologicamente por formações graníticas. O Morro Santana, além de ser o ponto mais alto, apresenta a área com maior representatividade da flora de Porto Alegre, representando, assim, grande parte da história natural da nossa cidade. Apresenta-se como uma área de transição entre dois biomas, o Pampa e a Mata Atlântica, caracterizando, assim, um típico mosaico floresta-campo, o que também podemos observar nos outros morros. Também, possui o ponto mais alto do município de Porto Alegre, com 311m.

A área de campos abrange uma diversidade de espécies vegetais que é bastante expressiva, estimada em torno de 400 espécies. Há registros de ocorrência de 300 espécies de plantas com flores. Atualmente, uma das espécies de mata atlântica mais abundante é a maria-mole (Guapira opposita). A dominância se deve, principalmente, ao baixo valor econômico, deixando essa e outras espécies, como a capororoca, chá de bugre, o mata-olho e o cafeeiro do mato, praticamente intocadas. A vegetação campestre se encontra principalmente no topo e na encosta norte, onde o gênero Eryngium, composto pelos caraguatás, é abundante, assim como Moritzia ciliata, esta última uma espécie exclusiva da região do morro.

Há 22 espécies de mamíferos registradas, dentre elas as frugívoras como morcegos e macacos, que são importantes para a manutenção de ambientes fragmentados. O Morro também abriga animais como mão-pelada, tatu, graxaim, gato-palheiro e ouriço-cacheiros.

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     Macaco-prego, Sapajus nigritus (Raquel K. Plausen)         

Podemos encontrar cerca de 25 espécies de répteis, dentre elas estão os lagartos como o teiú, cobras-de-vidro (que são na realidade lagartos sem patas), serpentes peçonhentas como a jararaca-verdadeira, a jararaca-pintada, a cobra-verde e a famosa cobra-coral e outras espécies sem peçonha como a cobra-cipó, papa-lesmas e outras também são muito encontradas.

Entre os anfíbios ocorrem espécies muito conhecidas e familiares como a rã-chorona, sapo-cururu e a rã-manteiga. Também, pode-se encontrar o sapinho-de-barriga-vermelha, que é uma espécie ameaçada de extinção.

Cerca de 89 espécies de aves habitam o morro. Entre elas, estão algumas raras para o meio urbano, como aracuã, inhambuí, vira-folha, sabiá-cica e saíra, sendo que muitos destes já não encontram seu habitat, no caso, as matas altas. Espécies familiares aos porto-alegrenses, como bem-te-vi, sabiá e sanhaçu-azul também podem ser vistos. Cerca de 10% das aves do morro são migratórias.

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Beija-flor-dourado, Hylocharis chrysura (Fabio Melo)

Os Morros de Porto Alegre são importantes refúgios para espécies polinizadoras como borboletas, pois há uma grande riqueza de flores disponíveis para esses animais. Nas nascentes, que ainda estão relativamente preservadas, e em corpos d’água podemos encontrar lagostins que são detritívoros e  servem de alimento para alguns mamíferos. Os microhabitats propiciam a presença de invertebrados que não teriam chances em meio urbano. A relativa riqueza de espécies encontradas sugere que o Morro Santana ainda se encontra em razoável estado de preservação, apesar do impacto já sofrido.

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Borboleta polinizando (Jéssica Rosiak)

PROTEÇÃO E CONSERVAÇÃO, URGENTE.

O Morro Santana, refúgio da vida silvestre em meio a cidade, é um patrimônio ambiental que corre perigo devido, principalmente, a especulação imobiliária e a falta de planejamento urbano recorrente nas cidades brasileiras. O Campus do Vale – UFRGS está localizado na base de um verdadeiro laboratório vivo que possibilita práticas interdisciplinares entre todas as áreas do conhecimento acadêmico e popular.

Além de possuir nascentes importantes que desaguam no Guaíba, o morro também auxilia a regulação do clima da região, que vem sendo alterado pela construção de grandes edifícios (dificultam a circulação do ar), grandes avenidas e, consequentemente, a emissão de poluentes atmosféricos por automóveis.

Essas e outras características tornam o Morro Santana um ambiente único na paisagem da cidade, digno de reconhecimento, valorização e, principalmente, preservação. Por isso, a criação de uma UC é de extrema importância e urgência. Para tanto, estudantes e professores do curso de Ciências Biológicas tem se reunido, novamente, para encontrar os melhores caminhos para a efetivação desse processo.

O Diretório Acadêmico da Biologia (DAIB) realiza há muitos anos subidas ao Morro com os calouros, permitindo aos novos alunos vivenciar um pouco mais da riqueza biológica que se encontra fora da sala de aula.  Alguns professores também realizam trabalhos de campo e pesquisas, afim de coletar informações e utilizar a área como estudos de casos para diversas áreas dos conhecimentos acadêmicos. Essas e outras ações, incluindo atividades de educação ambiental com as comunidades residentes e o trabalho conjunto com outros institutos e cursos, devem continuar sendo realizadas. Assim, mesmo com a demora da implementação de uma UC, o Morro Santana possa manter-se vivo, preservando sua biodiversidade e garantindo o bem-estar da população da região metropolitana de Porto Alegre.

Confira algumas outras fotos da exposição:

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Parodia ottonis, Cacto bola (Ítalo Rakowski)

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Deste ângulo, podemos ver a grande cobertura verde do morro e ao longe o Campus do Vale e a Vila Santa Isabel (Eduardo Vélez)

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A necessidade de guardas para acompanhar as trilhas dos estudantes e professores evidencia a falta de segurança no morro  (Heitor Jardim)

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Pica-pau-do-campo, Colaptes campestris  (Fábio Melo)

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Aruá-do-mato,  Megalobulimus oblongus  (Kassiane Garcia)

Dudi (23)Batatinha-de- purga, Cypella herbertii (Luíza Machado)

 

Visita ao Parque Natural Municipal Tupancy

Nosso grupo teve a oportunidade de conhecer, no último dia 13 de julho, o Parque Natural Municipal Tupancy. Fomos recebidos pela gestora do Parque, Marta Maria da Silva e pelo Técnico em Meio Ambiente Marcus Munhoz Vini.

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Vista aérea do Parque. Foto cedida pela gestora Marta Maria da Silva.

O Parque, localizado no município de Arroio do Sal, tem a importante função de preservar 21 hectares remanescentes de mata atlântica de restinga, associada ao um sistema de dunas, banhados e três lagoas (Banho, Remanso, e Tupancy). Esses ecossistemas representam  boa parte da paisagem do Litoral Norte do Rio Grande Sul, que vem se alterando continuamente devido à expansão imobiliária. Consequentemente, espécies que dependem da manutenção dessas áreas para a sua sobrevivência, vêm sofrendo um declínio em suas populações, tornando-se cada vez mais suscetíveis às atividades humanas. Alguns exemplos são o tuco-tuco (Ctenomys minutus), pequeno roedor que depende das dunas para a sua sobrevivência, assim como a lagartixa-das-dunas (Loeliemus oscipitalis), ambas com ocorrência no Parque Tupancy. Outros mamíferos roedores que também podemos encontrar lá são a capivara (Hydrochaeris hydrochaeris) e o ratão-do-banhado (Myocastor coypus), que podem ser observados próximos à lagoa Tupancy. Também ali podemos visualizar uma bela avifauna, representada por biguás, savacus, jaçanãs, marrecas, frangos-d’água, martins pescadores, garça-moura, entre  muitas outras. 

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A gestão do Parque construiu, com o apoio do Clube de Observadores de Aves (COA-POA), um observatório para visualização, tanto das aves e mamíferos, quanto da paisagem como um todo. O observatório ainda possui um material didático sobre as principais espécies da avifauna que ocorrem ali.

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Salientamos, aqui, a importância de conhecer Parques como o Tupancy. Muitas Unidades de Conservação (UC) do Rio Grande do Sul estão abertas a visitas agendadas previamente, para qualquer público interessado. Ainda assim, os gestores são pouco procurados e ainda enfrentam grandes dificuldades para realizar o manejo e gestão das áreas. Reconhecer o trabalho desses profissionais e ainda participar ativamente da implementação das UC é incentivar e fortalecer as Políticas Públicas em Biodiversidade.

Tupancy

Foto cedida por Marcos Munhoz Vini, Técnico Ambiental do Parque.

Portanto, conheçam o Parque Tupancy e outras UC que preservam a história natural da Planície Costeira e do Litoral Norte do Estado! Entrem em contato com os gestores para saber como e quando é possível realizar visitas!

Abaixo, os contatos para agendar visitas, link da pagina no facebook e um vídeo institucional sobre o Parque Natural Municipal Tupancy:

E-mails: marta.as@asnet.com.br; marcos.ambitec@gmail.com

Pagina do Parque no Facebook:

www.facebook.com/pages/Parque-Natural-Municipal-Tupancy/377413209067993?fref=ts

Vídeo Institucional:

 

Fotos: Heitor Jardim

Unidade de Conservação, APP e Reserva Legal não é tudo a mesma coisa!

Autoria: João Pedro Baraldo, Marco Aurich, Letícia Bolzan e Luísa R. Uber.

Ao conversar com interessados e atuantes das áreas ambientais, percebemos que existe uma confusão entre os conceitos de diferentes áreas protegidas. Para elucidar esta diferença, criamos os seguintes materiais informativos:

UC

Reserva Legal

APP

De um modo geral, estas áreas diferenciam-se a partir da legislação que são regidas  e dos objetivos de conservação a que se aplicam.

Reservas Legais (RL) e Áreas de Preservação Permanente (APP) são regidas pela mesma lei (Proteção da Vegetação Nativa – LEI 12.651/2012), porém, as primeiras são consideradas apenas em áreas rurais, principalmente particulares, afim de assegurar a proteção da vegetação nativa.

As APPs são áreas que independem do uso da terra e podem estar inseridas nas RLs, nas Unidades de Conservação (UCs) e até mesmo em áreas urbanas. O Cadastro Ambiental Rural (CAR) surgiu como um instrumento para o mapeamento das APPs e RLs e aplicação da Lei de Proteção a Vegetação Nativa.

As UCs são regidas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e caracterizam-se, principalmente, por proteger uma parcela representativa dos ecossistemas. São, na maioria dos casos, áreas públicas, porém há exceções, como as Reservas Particulares de Patrimônio Natural, entre outras.

Nosso objetivo não é trazer informações aprofundadas, mas esclarecer os conceitos básicos e despertar a curiosidade. Além disso, as imagens estão disponibilizadas para educadores e a quem se interessar.

II Semana de Gênero e Sexualidade da Biologia

CapaIISGSBIO

A II Semana de Gênero e Sexualidade da Biologia ocorreu entre os dias 21 e 24 de março, organizada pelo grupo Colore. Diferentemente da I Semana, organizada em 2015 e constituída em grande parte por palestras, o evento deste ano contou com um menor número de atividades, entretanto buscou maior participação do público através de duas mesas de discussão e um cine debate.

 Um segredinho é que o evento foi construído em duas semanas com a emoção e a expectativa lá em cima! Assim, no dia 21, pouco antes de iniciar o evento, nós do Colore estávamos todos nervosos, pois não sabíamos direito o que ia acontecer. Aconteceu, porém, muito mais do que esperávamos: a mesa de Gênero e Sexualidade na Educação acabou sendo um lacre do mais alto nível principalmente por causa das nossas convidadas incríveis. Ficamos muito impressionados com a Thainá (graduanda em História na UFRGS) compartilhando as experiências dela com oficinas para tratar gênero em escolas; a Thaís  Solaro, formanda em Ciências Biológicas na UFRGS, comentando sobre o TCC dela chamado “Sexualidade e gênero na sala de aula: abordagens didáticas e discussões”; a Eloede Conzatti, secretária municipal da educação de Lajeado/RS, a Lisete e a Raquel, profissionais da educação também de Lajeado, dando um panorama do desafio que é trabalhar com gênero e sexualidade em escolas do ponto de vista administrativo; e a Adriana Souza expondo suas experiências com o tema, como ter sido uma diretora negra e trans em um colégio de Porto Alegre. Questões políticas, religiosas, tradições, violência contra a mulher, a realidade de cursos na UFRGS, transfobia… enfim, papo não faltou. E, quando questionadas sobre o principal entrave para trabalhar gênero e sexualidade nas escolas, a resposta da mesa foi unânime: os professores.

 Não diremos que a mesa de terça-feira foi igual à de segunda-feira porque ambas as discussões foram únicas. Mas que foi destruidora, foi. A noite era sobre Gênero e Sexualidade e Questão Negra. Enquanto a Jéssica Souza, graduanda em Direito na UFRGS, fez todo um panorama histórico sobre a sexualidade da mulher negra e elucidou pontos importantes da luta negra, o Yuri Vieira , graduando em Medicina Veterinária na UFRGS, partiu de suas próprias experiências para elaborar uma análise sobre como é ser negro e gay em uma sociedade racista e homofóbica. Para fechar a mesa, a Jaciara Viana que estava lá como uma mãe negra, conversou sobre suas experiências de vida também, como o racismo que percebe em empregos, escolas e dentro da própria família. O papo se estendeu até tarde da noite, tamanha foi a participação do público.

 Na quarta-feira a purpurina rolou solta. O cine debate sobre o média-metragem Bichas, o documentário, gerou uma comodidade do público muito grande para falar e todos se sentiram acolhidos no espaço. Experiências pessoais foram relatadas, falou-se de psicologia e psicanálise, problematizou-se a influência que a relação entre espécies de mamíferos do mesmo sexo teria sobre o comportamento humano, debateu-se muito sobre a identidade da mulher sapatão. Em seguida, o Daibuteco da IISGSBio colocou todo mundo para dançar, se expressar e amar dentro do DAIB. Foi uma festa muito intensa e com uma playlist feita coletivamente no evento do Facebook.

 Na sexta-feira daquela semana (25/04) era um feriado. Assim, somado ao cansaço que o Daibuteco da noite anterior teria causado, sabia-se que a atividade de quinta-feira acabaria tendo um público bem baixo. Assim, a atividade “Sentir, refletir e colorir” acabou sendo mais um relato de como foi a semana para cada um, maneiras de melhorá-la e até um descanso.

 Nós, do Colore, agradecemos de coração a todos que participaram deste evento. Foi muito gratificante para nós ter visto cada rostinho no Anfiteatro da Botânica e no DAIB, refletido junto com vocês e pensado em diversas formas de combater os preconceitos em prol da diversidade de maneiras de ser. Podem ter certeza de que ano que vem a III Semana de Gênero e Sexualidade da Biologia promete abalar as estruturas da nossa sociedade conservadora.

 Um beijo colorido para vocês!

Público da SGS

Mesa: gênero, etnias e raça Mesa: gênero, etnias e raça Público da SGS

Mesa: gênero e educação Mesa: gênero e educação Cine debate; Bichas

Consulta para Reitor

Autoria: João Pedro Baraldo Mello

É agora, quinta-feira dia 16 de junho, que a UFRGS definirá sua gestão para os próximos 4 anos, um período que muita gente passa pela universidade. O resultado desta eleição sairá dia 17 até o meio dia. Professores, técnicos-administrativos e estudantes da UFRGS tem direito a voto, vamos aproveitar os espaços que temos para fazermos valer nossa opinião.

Confira nosso vídeo sobre a Consulta para Reitor:

 

Informe-se sobre as 3 chapas existentes, ainda dá tempo.

Mais informações: http://www.ufrgs.br/ufrgs/consulta-re…

Apoio à Fundação Zoobotânica

Autoria: João Pedro Baraldo Mello

Tendo em vista o contexto vivido pela Fundação Zoobotânica (FZB) no segundo semestre do ano passado, o PET Biologia UFRGS  utilizou dos recursos que disponibilizava para apoiar e dizer um não rotundo à sua extinção, como era proposto pelo  Projeto de Lei nº 300/2015. 

Compreendemos e valorizamos a importância do trabalho da Fundação Zoobotânica, sendo a única instituição  a nível estadual que trabalha com pesquisa e conservação da biodiversidade diretamente. Foi a FZB a coordenadora da lista de espécies da fauna gaúcha ameaçada de extinção, um trabalho imprescindível para subsidiar políticas públicas e avaliar o impacto humano no ambiente.

Todas as 3 instituições da FZB, Museu de Ciências Naturais (MCN), Jardim Botânico (JB) e Parque Zoológico (Zoo), possuem sua função primordial. O MCN, trabalha diretamente com pesquisa e possui uma coleção riquíssima da fauna e da flora do RS, além de possuir uma diversa coleção paleontológica que descreve com fidelidade as espécias que habitavam a região antes de chegarmos aqui. O Jardim Botânico, além de ser uma linda área verde, possui uma coleção viva da flora do RS, do Brasil e de partes do globo,  trabalhando diretamente com projetos de educação ambiental, como o jardinação e distribuição de mudas nativas a baixo custo. O Zoo é fundamental, pois, além de trabalhar de educação ambiental, possui um Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), um dos poucos que é habilitado a receber animais vítimas de tráfico, posse ilegal e atropelamentos.

Acreditamos que a fundação permite um trabalho harmônico entre os setores da pasta ambiental, possuindo um papel único, que não pode ser desenvolvido por nenhum outro setor. O Núcleo Regional de Ofidiologia de Porto Alegre (NOPA/MCN -FZB) é a única instituição do RS que envia peçonha para Rio de Janeiro, possibilitando a produção de um soro antiofídico completo, pois as serpentes do sul do Brasil possuem uma peçonha diferente das demais serpentes.  Sem a Fundação Zoobotânica quem ficará responsável pelas pesquisas? Quem ficará responsável por todo o Patrimônio da Fundação? 

Desestruturar a Fundação ou extingui-la significa comprometer severamente a conservação da biodiversidade sul-riograndense o que aumentará ainda mais a nossa dívida com o meio natural e causando consequências irreversíveis para a nossa sociedade. A Natureza exige respeito e devemos viver em comunhão, pois fazemos parte dela.

Abaixo seguem os vídeo gravados em 2016, apoio à Fundação Zoobotânica:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abaixo seguem as entrevistas dos Pesquisadores da FZB reportando a importância desta instituição: