O Campus do Vale da UFRGS fica numa área um pouco afastada da parte mais central e urbanizada da cidade, bem ao lado do Morro Santana. Quem já esteve aqui sabe que estamos em meio a natureza, o que por um lado é ótimo, mas por outro pode trazer conflitos com os animais que vivem nas matas do entorno. Acaba sendo comum nos depararmos com aranhas, lagartos, morcegos e até mesmo com simpáticos macaquinhos pela universidade.
Os macaquinhos que vivem no Campus do Vale são macacos-pregos da espécie Sapajus nigritus. A dieta deles é bem diversa, gostam muito de frutos, folhas, flores, insetos e até comem pequenos vertebrados. Por causa da fragmentação da mata onde vivem (causada pela nossa urbanização), esses pequenos amigos acabam sendo forçados a conviver cada vez mais perto de nós seres humanos. Apesar disso, os pregos não estão passando fome, podem acreditar!
Descrição da Imagem: Fundo azul claro com título “Por que não alimentar os macacos do campus?” em letras grandes e vermelhas. Ao lado do título, uma lista com as palavras: diabetes, agressividade, gripe, dependência, cáries e vermes. Abaixo, as ilustrações de um macaco sobre o galho de uma árvore e de um símbolo de proibição sobre uma banana.
O problema de alimentá-los é que as comidas de humanos têm uma composição química diferente do que eles encontram na mata, o que pode fazer com que fiquem até diabéticos. As nossas frutas podem estar infectadas com vírus e bactérias que não fazem mal para gente, mas podem levá-los inclusive à morte. Isso sem falar nos agrotóxicos, que podem causar outras doenças e diminuir a expectativa de vida dos bichinhos.
Quando damos comida aos macacos eles entendem que não precisam mais ir atrás do seu próprio alimento e começam a ficar, digamos, relaxados. Esse é outro problemão: eles aprendem que sempre que tiver um humano perto vão ganhar comida, então se não ganham ficam extremamente agressivos, invadem casas, roubam coisas, reviram lixeiras… Fazem uma verdadeira balbúrdia!
Portanto, se você vir um macaco aqui no Campus lembre de não chegar muito perto, mas pode tirar uma foto e mandar pra gente através das nossas redes sociais.
O XXIV Encontro Nacional dos Grupos do Programa de Educação Tutorial (XXIV ENAPET) desse ano ocorreu entre os dias 14 e 19 de julho e teve como tema “Coesão e União: o PET como Instrumento de Transformação”.
Esse encontro é o momento do ano em que grupos PET de todo o país se reúnem para discutir acerca de temas e questões relevantes para a manutenção e desenvolvimento do programa, bem como trocar vivências e expôr projetos realizados.
O ENAPET de 2019 foi sediado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal/RN, e nós não deixamos de enviar representantes do PET Bio para lá.
Conexão PETs Biologia + Psicologia + Alimentos + Odontologia da UFRGS. Descrição da imagem: 12 jovens em frente a um painel azul com o logotipo e título do evento.
Nos dividimos para a participação nas atividades, a fim de que cada integrante entrasse em contato com uma discussão referente a um assunto diferente. Assim, nos envolvemos em discussões sobre diversidade; interdisciplinariedade; avaliação; pesquisa, ensino e extensão; entre outros, e poderemos trazer a tona debates sobre diversas temáticas na volta para nossos trabalhos no grupo aqui em Porto Alegre.
Além disso, dois trabalhos foram apresentados. O primeiro referente à Trilha Informativa sobre Borboletas no Parque Estadual de Itapuã e o segundo sobre a Exposição Fotográfica sobre as Cientistas do Instituto de Biociências. Ambos foram elogiados e estamos ansiosos pela chegada do parecer das avaliadoras.
Sabrina e Eduardo apresentando o trabalho intitulado “Descobrindo borboletas: Materiais informativos em trilhas ecológicas no Parque Estadual de Itapuã”. Descrição da imagem: uma menina e um menino em frente a uma apresentação de slides, no slide aparece o título “Metodologia: PET Marcenaria” e algumas fotografias.Priscila e Tauana apresentando o trabalho intitulado “Histórias comuns de mulheres extraordinárias: A divulgação da ciência feita por biólogas do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul através da fotografia”. Descrição da imagem: duas meninas em frente a uma apresentação de slides, no slide retratos de mulheres.
Os PETs ao longo do Brasil podem ser muito diferentes entre si, mas todos eles tem em comum a união de estudantes dispostos a promover mudanças em seus cursos, em suas Universidades e na comunidade como um todo. Esse ano o Programa completa 40 anos de existência, o que é motivo de comemoração por tudo que pôde realizar nesse tempo, mas também motivo de luta pela sua manutenção, principalmente devido aos cortes de verbas que estamos enfrentando na educação.
Eduardo, Priscila, Gabriela, Sarah e Tauana (PET Bio) e Roberta (PET Odonto) durante a Assembleia Final do evento. Descrição da imagem: Selfie das estudantes.
Esses eventos sempre são espaços de muito crescimento pessoal e para o grupo, pois laços entre os petianos se estreitam e entramos em contato com realidades de PETs que trabalham de um jeito totalmente oposto ao nosso. Assim, sempre voltamos com as energias recarregadas e com muitas ideias de como podemos melhorar nossos projetos ou nossos métodos de trabalho.
O que vem a sua cabeça ao ouvir a palavra cientista? Quem sabe surge a imagem de uma pessoa meio doida, usando um jaleco, em meio a vidrarias de laboratório e, bom… provavelmente essa pessoa que você imaginou é um homem, não é?
Ao longo da história da ciência as mulheres foram invisibilizadas ou mesmo proibidas de participar das pesquisas. Isso resultou em livros e demais meios de pesquisa que mencionam somente os nomes dos homens que participaram das descobertas, mas a verdade é que as mulheres sempre fizeram parte desses espaços. Apesar dos avanços nas últimas décadas, que permitiram às mulheres maior autonomia quanto a escolha de suas carreiras e maior aceitação em certos espaços, ainda existem estereótipos de gênero para cada profissão e pesquisar ainda é visto como um campo masculino.
Aqui, dentro do Campus da Universidade, estamos cercados por muitas mulheres que enfrentaram inúmeros desafios e preconceitos pelo desejo de fazer ciência e que hoje se destacam em suas áreas de pesquisa. Com o propósito de divulgar o trabalho dessas mulheres, entrevistamos e fotografamos algumas das cientistas do nosso Instituto. Coletamos um material super rico e, para divulgar esse conteúdo, decidimos organizar uma exposição fotográfica, a qual intitulamos “Histórias Comuns, Mulheres Extraordinárias”.
Nela apresentamos desde alunas da graduação até professoras aposentadas pela Universidade, e, por trás de cada uma das fotografias, histórias únicas. Algumas dessas mulheres contaram suas dificuldades na carreira por conta de filhos ou da família, outras revelaram assédios sofridos no meio, mas na fala de todas elas pudemos perceber o amor pelo o que fazem e o orgulho que carregam por suas produções e realizações científicas.
As pesquisadoras que toparam participar do nosso projeto. Descrição da imagem: retratos das 15 cientistas entrevistadas sobre fundo preto.
Estreamos nossa produção no UFRGS Portas Abertas 2019, no qual a comunidade visitante pôde prestigiar um pouco das histórias que colhemos através das entrevistas e agora estaremos reabrindo a exposição. Dos dias 12 de junho até 05 de julho você poderá ver o nosso trabalho no corredor térreo do Prédio 43 423, próximo à entrada da Biblioteca do Instituto de Biociências (Av. Bento Gonçalves, 9500 – Campus do Vale).
Fotografias expostas no UFRGS Portas Abertas 2019. Descrição da imagem: imagens de três das mulheres entrevistadas, penduradas lado a lado em espécie de varal, no segundo piso de um prédio.Registro emocionante da petiana Tauana e do petiano Eduardo com a pesquisadora Vera, que particpou do projeto. Descrição da imagem: da esquerda para a direita: garota jovem usando camiseta laranja do Portas Abertas e macacão jeans, mulher sorrindo ao lado de sua fotografia exposta e garoto jovem de camiseta rosa e pochete. Ele e a primeira menina utilizam crachás de monitores do evento.
A fim de chamar a atenção para a temática das mulheres na ciência e também de contar um pouco mais sobre as histórias das pesquisadoras incríveis que nos cercam, faremos uma série de posts nas próximas semanas dedicados a cada uma das nossas entrevistadas. Não deixe de acompanhar!
Depois de ser apresentado como trabalho científico no SulPET, evento que reúne todos os grupos PET da região sul, o panfleto informativo sobre prevenção de ISTs para mulheres enfim está disponível para download e impressão!
Elaborado pela primeira vez em 2018 para a terceira edição da Semana de Gênero e Sexualidade da Biologia, este panfleto tenta aproximar as mulheres lésbicas e bissexuais da discussão sobre sexo seguro, muitas vezes não acessível à população LGBT por falta de informação.
Foto: Kimber Beck Descrição da imagem: duas mulheres com as pernas para cima na frente de uma parede branca.
#pracegover: o panfleto é dividido em duas partes, sendo a primeira mais formal, sobre profilaxia de ISTs, e a segunda um guia prático de proteção no sexo oral, algo muito demandado pelas mulheres dentro da comunidade LGBT. Na parte de profilaxia há dicas sobre as principais ações que podem ser tomadas (usar preservativo e cuidar das unhas), além de informações sobre o teste rápido fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a desmitificação do uso do plástico filme. No verso do panfleto foi feito um passo-a-passo ilustrado de como adaptar um preservativo masculino para o sexo oral em mulheres, já que ainda não existem formas inteiramente eficazes de proteção.
Minicurso de Direito Ambiental Ministrado por Renan Yamashita Ferreira
O minicurso tem como objetivo dar um panorama geral de como funciona a Administração Pública e todas as suas atividades relacionadas à Área Ambiental. Desta maneira, futuras e futuros profissionais de Biologia poderão compreender algumas de suas oportunidades de trabalho e de atuar em defesa do meio ambiente, de forma técnica e cidadã.
Tópicos que serão abordados:
Políticas Ambientais; Ministério Público, Ação Civil Pública e Perícia Judicial; Licenciamento Ambiental, Órgãos ambientais licenciadores (Federal, Estadual e Municipal) e Órgãos intervenientes; Fases do Licenciamento Ambiental; Estudos Ambientais (RAP, EAS, EIA/RIMA, Inventário Florestal, PBA, PBAi e execução dos programas e monitoramento); e Legislação Ambiental.
Sobre o ministrante:
Renan Yamashita Ferreira é bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Durante a graduação, participou da Empresa Júnior SIMBIOSIS, realizou estágio com peixes recifais, restauração ecológica de ecossistemas degradados e na assessoria pericial do Ministério Público Federal. Como biólogo, realizou trabalhos de consultoria ambiental, como Inventário Florestal e Monitoramento Ambiental. Trabalhou como biólogo concursado na Fundação do Meio Ambiente de Criciúma-FAMCRI, com licenciamento de supressão de vegetação e de empreendimentos de caráter interdisciplinar. E atualmente, trabalha no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, como Analista em Infraestrutura de Transportes/Ambiental.
Data: 13, 14 e 15 de março; Horário: 18:30 – 21:30; Local: Auditório da botânica, Campus Vale, UFRGS; Inscrição: com nome e cartão da UFRGS (ou RG) pelo e-mail petbioufrgs@gmail.com Investimento: R$ 10 (no evento); e Certificado: mediante 2/3 de frequência.
O documentário “Caminhos de Itapeva” foi lançado, oficialmente, em Porto Alegre (Instituto de Biociências) no dia 12 de abril e em Torres (SAPT) no dia 18 de abril de 2017. De lá pra cá, foram inúmeras as exibições em escolas municipais e outros locais de Torres, como o SESC, Centro Municipal de Cultura, Clube Capesca, Praia da Guarita, entre outros espaços e eventos que contaram com a participação da equipe do Parque Estadual de Itapeva.
Nosso grupo também apresentou o material em eventos como a Semana Acadêmica da Biologia Marinha/Ceclimar, o XX Sulpet 2017 (encontro de grupos PET da região sul) e no Salão de Extensão UFRGS 2017. Destacamos, nesse último, o reconhecimento do projeto “Conhecendo Unidades de Conservação”, no qual está vinculado a realização do documentário, como um dos 10 projetos de extensão mais significativos do evento, segundo a comissão avaliadora.
O IV Simpósio Brasileiro de Biologia da Conservação também foi um momento de divulgação e premiação do nosso trabalho. O evento teve como um de seus objetivos, incentivar a divulgação científica por meio de videos, que deveriam ser produzidos como parte obrigatória para a submissão de trabalhos. Nosso video (de aproximadamente 3 minutos) recebeu o prêmio de video mais votado pelo júri popular, com 671 “likes” no youtube. Além disso, também houve a premiação de melhor “mini-documentário” (5 minutos), na qual também fomos escolhidos pelo júri técnico.
A repercussão do material elaborado, incluindo o reconhecimento no do Salão de Extensão, mostra o quão necessário é o desenvolvimento de estratégias de sensibilização e divulgação ambiental das Unidades de Conservação. A participação social nos Conselhos Consultivos é de extrema importância para a elaboração de Planos de Manejos e outras tomadas decisões nessas áreas. Entretanto, a comunidade local só terá motivação para o seu envolvimento se houverem esforços de comunicação por parte dos órgãos públicos para com a população. A academia se mostra uma parceira nesse sentido, considerando que possui recursos (humanos e materiais) que podem contribuir para atingir esses objetivos.
Esperamos que nosso trabalho sirva como inspiração e estímulo para projetos de divulgação de Unidades de Conservação, seja por materiais áudio-visuais, mas também com outras ferramentas. Estamos abertos à trocar experiências e fortalecer as redes em apoio à comunicação, à educação ambiental e da conservação da biodiversidade.
Segue, a baixo, a versão compacta do documentário Caminhos de Itapeva. Criamos essa versão a fim de facilitar e tornar mais acessível a compreensão do público leigo sobre o assunto. Esperamos que seja bem utilizado por professores, educadores e espaços que busquem divulgar o trabalho das Unidades de Conservação! Bom proveito!
Autoria: Marceli Franceschi, Marco Aurich, João Pedro Baraldo
As Unidades de Conservação são importantes estratégias para a conservação das paisagens, ecossistemas, biodiversidade e seus recursos naturais associados. Entretanto, a gestão dessas áreas costuma apresentar-se como um grande desafio para biólogos e outros profissionais das áreas ambientais. Entre as peculiaridades envolvendo a efetivação dessas Áreas Protegidas, podemos citar a dificuldade de diálogo com a sociedade e comunidades locais, regularização fundiária, invasão, caça, especulação imobiliária e indústrial, além de falta de recursos públicos ou desinteresse em aplicar e desenvolver políticas de planejamento de gestão.
Assim, é essencial que estudantes aprendam e tenham um mínimo de experiência com essas questões, considerando que a Conservação da Biodiversidade é uma das linhas de atuação de biólogas e biólogos. Com a finalidade de mostrar para o público acadêmico um pouco da realidade sobre as Unidades de Conservação do Rio Grande do Sul, o PET Biologia realizou entre os dias 20 e 23 de outubro o Minicurso – Conhecendo Unidades de Conservação. No primeiro dia (20/10) tivemos duas atividades:
Desafios na Gestão de Áreas Protegidas
Os convidados para abrirem o Minicurso foram Alexandre Krob (Insituto Curicaca) e Giovana Pallazi (Analista Ambiental do ICMbio). Alexandre Krob é um dos coordenadores do Instituto Curicaca, que participa ativamente da implementação, regularização, planejamento , educação ambiental, pesquisa, entre outras formas de trabalho com Áreas Protegidas do estado. Giovanna Palazzi é Analista Ambiental do ICMbio e possui ampla experiência junto ao órgão, tendo um importante papel na comunicação e trabalho junto a comunidades tradicionais, como por exemplo na Floresta Nacional de Tapajós. Eles fizeram uma rápida contextualização e abordaram alguns pontos importantes para introduzir o tema, como conceitos chaves, histórico, acordos internacionais, além das principais dificuldades que a gestão dessas áreas vem enfrentando.
Educação Ambiental em UC
Mais uma atividade que contou com o apoio do Instituto Curicaca, dessa vez com Patrícia Bohrer e Julia Witt, também coordenadoras do Instituto, que atuam diretamente com Educação Ambiental. As duas trouxeram um pouco da experiência da ONG com Educação Ambiental em Áreas Protegidas e a Comunidade Local. Tivemos a oportunidade de experimentar um pouco das atividades, a partir de dinâmicas trazidas pelas convidadas. Para saber um pouco mais sobre acesse o site do Instituto Curicaca:
Confira aqui um vídeo do segundo dia do minicurso:
Categorias de Manejo e Sociobiodiversidade: gestão integrada na Bacia do Rio Tramandaí
No segundo dia tivemos representantes da Área de Proteção Ambiental (APA) do Banhado Grande, do Refúgio da Vida Silvestre (REVIS) Banhado dos Pachecos e do Assentamento Filhos de Sepé. Tivemos a oportunidade de ouvir um pouco mais sobre esse trabalho de gestão integrada, com a presença de técnicas APA, o gestor da REVIS, André Rosa, representante do Assentamento Filhos de Sepé Marthin Zang, além dos Guarda-Parques das UC, que complementaram as falas dos técnicos e gestores, relatando sobre as suas experiências como Guardiões da Natureza.
A Área de Proteção Ambiental (APA) do Banhado Grande e o Refúgio da Vida Silvestre Banhado dos Pachecos são Unidades de Conservação (UC) que protegem os principais ecossistemas relacionados à Bacia do Rio Gravataí, como matas paludosas e ciliares, campos arenosos, butizais, além de fornecer recursos e habitats para diversas espécies de mamíferos, como o cervo-do-pantanal (Blastocelus dichotomus), cuja última população do estado se restringe a esta área. A primeira (APA), é uma UC de Uso Sustentável, que permite a utilização da área para atividades econômicas, mas sempre em conciliação com a proteção da biodiversidade. O Refúgio é uma categoria de UC de Proteção Integral, que restringe ainda mais o uso e acesso a área. Como estão sobrepostas, a gestão integrada da área é essencial, assim como a participação da comunidade local, que depende principalmente da APA para a sua subsistência, como é o caso do Assentamento Filhos de Sepé, cooperativa de arroz orgânico.
Para conhecer um pouco mais da biodiversidade e outras informações sobre essas áreas, acesse as páginas:
Para finalizar o minicurso e conhecer na prática o trabalho em uma UC, realizamos uma visita no Parque Estaudal de Itapuã, que durou todo o sábado e domingo. Lá, fomos recebidos pela bióloga Dayse Rocha, que trabalha há 11 anos no Parque e vem realizando um grande de trabalho de educação ambiental, divulgação e gestão do Parque. Para conhecer a riquíssima paisagem, Dayse nos acompanhou, juntamente com os Guarda-Parque, em algumas trilhas (Trilha da Onça, Trilha da Pedra e Praia das Pombas).
O P.E Itapuã protege importantes remanescentes das paisagens associadas às formações geológicas graníticas, que também inclui os morros da Região Metropolitana de Porto Alegre. Possui remanescentes de dunas, restingas, costões rochosos, banhados, lagoas, mata atlântica e campos. Essa diversidade de ambientes fornecem condições para uma riqueza biológica, incluindo tanto espécies com populações abundantes no estado, como outras ameaçadas de extinção. Espécies como tuco-tuco, bugio-ruivo, melano, graxaim, lontra, capivaras, são alguns exemplos de animais que podemos encontrar nesses ambientes.
Entretanto, assim como outras Unidades de Conservação do Rio Grande do Sul, o P.E Itapuã vem sofrendo com o processo de redução de investimento nas áreas ambientais. Isso fragiliza o trabalho das técnicas e técnicos do Parque, que acabam tendo o trabalho multiplicado, devido à não renovação dos contratos de serviços terceirizados, por exemplo.
Maiores informações sobre o Parque Estadual de Itapuã:
Com a participação de cerca de 50 pessoas, esperamos que o Minicurso tenha contribuído efetivamente para a formação dos alunos e profissionais que estiveram envolvidos. A realização desse tipo de atividade permite a criação e o fortalecimento de redes de apoio com quem atua na questão ambiental do Rio Grande do Sul. Estamos passando por um momento delicado em todas as esferas do poder, onde a legislação e a política ambiental estão sujeitas à alterações drásticas e que comprometem diretamente a conservação e a preservação dos recursos naturais e da biodiversidade. As Unidades de Conservação são um dos principais alvos desse retrocesso. Assim, esperamos que eventos como o Minicurso, e outros movimentos que busquem a conscientização do grande público, bem como a mobilização e a articulação de instituições, ongs e outras associações, possam seguir ocorrendo e fortalecendo as lutas pela preservação da vida no nossos bairros, municípios, estados, país e planeta.
Autoria: Letícia Bolzan, Marco Aurich, João Pedro Baraldo, Heitor Jardim.
É com muita alegria que o PET Bio UFRGS está lançando o teaser desse documentário cheio de história, biodiversidade, luta, conservação e resistência!
Em meio ao sucateamento das Unidades de Conservação do RS, vemos no Itapeva um exemplo de um fragmento cheio de vida em meio à uma matriz urbana que avança sobre os limites do Parque fisicamente e, principalmente, politicamente, e justamente por isso, sua biodiversidade está muito ameaçada.
Nosso projeto que visa o estudo da importância ecológica do Parque Estadual de Itapeva, em Torres, para a biodiversidade e ecossistema do litoral norte do RS. Por isso estamos montando um documentário no qual apresentaremos a história, a biodiversidade, os problemas enfrentados pelo Parque e a dimensão da importância do mesmo para o município de Torres, para o estado do Rio Grande do Sul e para o meio ambiente em geral. Assim, será gerado um material educativo sobre uma Unidade de Conservação Estadual, que será disponibilizado para o grande público — principalmente para a comunidade Torrense e aqueles que visitam o litoral (como veranistas), abordando a influência deste Parque na diversidade de espécies da fauna e da flora, no clima e na cultura do Litoral Norte do RS.
O PET Bio juntamente com muitos colabores está construindo este material com muito carinho e amor pela preservação!
Se você quiser colaborar com nosso Doc, seja com sugestões, informações, vídeos ou até apoio moral (hehehe) sinta-se convidado a participar! E ajude-nos a divulgar!
EM BREVE =]
“Para proteger, a comunidade tem que amar. Para amar, ela tem que conhecer. Como vamos querer que a comunidade proteja o Parque se ela nem ao menos conhece ele? Conhecer para amar, amar para preservar!” adaptado de Paulo Carlos Grübler gestor do PEVA.
Autoria: Marco Aurich, João Pedro Baraldo, Marceli Franceschi.
O Trote Consciente é um evento tradicionalmente realizado no curso de ciências biológicas, organizado por alunos junto ao diretório acadêmico (DAIB). O evento é um contraponto ao tradicional “trote sujo”, também realizado tradicionalmente por alunos da grande maioria de cursos das universidades. A ideia de trazer uma atividade contrária a essas surgiu no sentido de marcar de forma positiva e consciente o ingresso dos calouros no curso, diferentemente do que acontece no trote sujo, onde as pessoas são expostas a “brincadeiras” que podem ser sádicas e opressivas e que reafirmam padrões hierárquicos, preconceituosos ou meritocráticos da sociedade.
Ingressar na Universidade sempre deve ser motivo de alegria e celebração. Afinal de contas, é o início de uma etapa de vida em que começaremos a aprender mais sobre algo que nos chama atenção, instiga a curiosidade e no qual poderemos investir nossos esforços. Assim, o Trote Consciente da Biologia vem para ser um momento de trocas de experiências e saberes com pessoas que tem na natureza a sua fonte primordial de trabalho. Os espaços escolhidos semestralmente para oferecer essas atividades são marcados por uma história de resistência e luta, como aconteceu , por exemplo, em Antônio Prado, onde reside o berço da Agroecologia no Brasil pelo bonito e inteso trabalho da Família Bellé. Também, na Zona Sul em Porto Alegre, dentro da área onde se encontra a ONG Econsciência, que vem atuando em parceria com projetos de extensão da UFRGS, pela conservação da biodiversidade remanescente da região, principalmente o Bugio-Ruivo e pela manutenção da zona rural da cidade.
Esse semestre (2016/2) o evento ocorreu na Praia de Itapeva, localizada no município de Torres – RS. A região abriga importantes remanescentes da paisagem do Litoral Norte do estado, protegidos, principalmente, dentro do Parque Estadual de Itapeva. O objetivo principal foi mostrar para os calouros do curso a importância dessas áreas protegidas para a história da região e também os desafios da gestão.
Foto: Heitor Jardim
O acampamento para recepção dos calouros ocorreu no final de semana dos dias 27 e 28 de agosto. No primeiro dia, o gestor Paulo apresentou o Parque aos alunos. Eles puderam conhecer um pouco da história dessa Unidade de Conservação que protege importantes áreas de restingas, dunas móveis, mata paludosas e banhados associados à vegetação de mata atlântica. Antes de ser reconhecida como uma Área Protegida oficial, a área abrigava um camping que era frequentado, principalmente, por turistas da região. Entretanto, os impactos das atividades antrópicas, aliados à crescente expansão urbana de Torres, fizeram com que os órgãos públicos reconhecessem a necessidade de proteção e conservação da área, com o uso mais restrito. Assim, a área foi reconhecida como uma UC de Proteção Integral.
Grande parte da paisagem de Torres foi manejada por comunidades indígenas guaranis, que habitaram (e algumas comunidades ainda habitam) essa região há centenas de anos. No Parque é possível encontrar os sambaquis – importantes registros arqueológicos dos povos que habitaram o litoral no passado. No trote, tivemos a oportunidade de ouvir um líder guarani, o Francisco, professor de uma escola indígena da região. O historiador Rafael Frizzo, que acompanhou o acampamento, convidou Francisco para nos contar um pouco sobre a educação guarani e as diferenças entre as escolas indígenas e não indígenas. Em torno na fogueira, também conversamos sobre as diferentes concepções das coisas do mundo na visão guarani, como por exemplo os sonhos, a família, a natureza e também sobre a região do Parque de Itapeva. Tivemos a honra de ter Francisco e sua família sob a luz da fogueira nos contando um pouco da vida em si e trazendo o artesanato com que eles trabalham para nos mostrar.
Foto: João Pedro B. Mello
Dentre as atividades que tivemos, também pudemos aprender um pouco sobre os Tuco-tucos (Ctenomys minutus) com o Técnico Ambiental do Parque Tupancy, Marcos Munhoz. A partir de uma roda de conversa, ele relatou um pouco de sua experiência com o manejo desses animais, que estão perdendo seus habitats para a construção de grandes condomínios no Litoral Norte do Estado. Em seguida, fizemos uma caminhada pela Lagoa e pelas dunas, onde alguns colegas conseguiram avistar os Tuco-tucos.
No sábado à noite, foi realizado um campo de anfíbios dentro do Parque, por iniciativa dos alunos, com o a participação do herpetólogo Marcelo Duarte Freire. Entre as 9 espécies observadas esta a Sphaenorhincus caramaschii, ameaçada de extinção no Rio Grande do Sul.
Segue a lista de espécies encontradas pelos alunos:
(Para saber mais sobre os anfíbios do Parque, acesse aqui um trabalho realizado por Patrick Colombo, herpetólogo da Fundação Zoobotânica.)
No domingo, último dia de atividades, foi realizada uma caminhada no Parque, para observação de aves e um mutirão para arranquio de espécies exóticas. Na observação, organizada pelo Clube de Observadores da UFRGS (COA), pudemos visualizar espécies comuns na região, mas que dificilmente encontraríamos em áreas urbanas, como a coruja buraqueira, os aracuãs, o pula-pula-assobiador, o anu-preto, biru-biru,curicacas, entre outras.
Anu-preto (Crotophaga ani). Foto: Marco Aurich.
O mutirão de arranquio de exóticas teve como objetivo mostrar a dimensão do impacto das espécies exóticas invasoras nos nossos ecossistemas. O Pinus sp. é uma espécie exótica e invasora, que foi introduzida nas áreas rurais do estado, com a justificativa de favorecer o desenvolvimento econômico, a partir de plantações em larga escala (Silvicultura). A espécie se dispersa e adapta-se facilmente às condições climáticas e de solo do estado, competindo diretamente por recursos com espécies nativas. A paisagem do Parque de Itapeva está sendo continuamente alterada pela presença de Pinus.
Pinus invadindo as dunas. Foto: Heitor Jardim
O Trote Solidário pode ser considerado um ritual para a entrada das(o) calouras(o) na Biologia: conhecer a biodiversidade do estado, os costumes regionais e compartilhar saberes e experiências em uma atividade desenvolvida unicamente por alunos do curso é uma oportunidade para desenvolvermos nossa autonomia, expandirmos nossos conhecimentos e consagrar a entrada na faculdade para aqueles que estarão por um longo tempo aprendendo, dentro e fora (principalmente) da sala de aula no curso de Biologia da UFRGS.
Gostaríamos de parabenizar e agradecer aos envolvidos, principalmente às(o) colegas organizadoras, que trabalharam voluntariamente para fazer o evento acontecer; Rafael Frizzo, pela parceria e apoio constante, e Paulo Grubler, gestor do Parque, que está sempre de portas abertas para as atividades dos alunos e da universidade.
No dia 08/09, o PET Biologia, em parceria com o PET Letras, realizou “A Roda De Conversa sobre: (De)Pressão Acadêmica e Setembro Amarelo“. Recebemos a presença da bióloga aposentada e ex voluntária do CVV (Centro de Valorização da Vida) Zulamira e de outras atuais voluntárias. Nossa conversa iniciou com uma pequena apresentação de cada um dos presentes na roda e, posteriormente, foi explicado a proposta do evento e o Setembro Amarelo.
Em resumo, o Setembro Amarelo é uma campanha de prevenção do suicídio, que já era comum na Europa, mas que no Brasil se tornou famosa em 2014. O dia em que se da uma atenção especial é no dia 10 de setembro. Em todo o país há palestras, ilustrações e discussões sobre o assunto.
Nossas convidadas, se mostraram sempre muito dispostas a conversar conosco, de maneira muito aberta e receptiva. Elas nos falaram de como é trabalhar no CVV, o tipo de treinamento, e que qualquer pessoa disposta a desabafar pode utilizar o serviço. Além disso, foi falado muito por elas que cada um de nós somos seres únicos e especiais e da importância de ter um entendimento geral por vida, ainda mais o pessoal da biologia, que era o público mais presente, pois, estudamos todo o tipo de vida, mas não temos um entendimento próprio da nossa.
Nossos convidados também falaram muito como a vida acadêmica causa muito desânimo, pois, constantemente somos comparados e julgados. Isso começa na escola, porém, na universidade essa cobrança se torna muito mais evidente, muito por causa da competição, e isso gera desânimo nos estudantes. E também como a falta de empatia entre nós, por causa dessa rotina nos destrói lentamente. A cobrança da família, a falta de suporte da universidade, ego exacerbado do meio acadêmico, torna tudo bem complicado para nós e onde era pra ser um espaço de construção de conhecimentos e de bem estar, acaba gerando tristeza, ansiedade e angústias. No fim das contas o que podemos fazer como estudantes é ter empatia entre nós e cobrar da universidade um atendimento psicológico de qualidade e gratuito.
O evento foi encerrado com uma roda, beijos e abraços e foi distribuído um imã de geladeira com o laço amarelo (símbolo do setembro amarelo) e panfletos do CVV. Esperamos que tenha sido um espaço acolhedor para todos os participantes e que esse assunto não seja debatido somente em setembro, mas sim em todo ano. Nos vemos na próxima.
Qualquer informação sobre o CVV tem o site: http://www.cvv.org.br/ e também o número 141