XIX SulPET – Viver e Compartilhar Diversidades

Autoria: Letícia Bolzan, Luíza Machado, Marco Aurich, João Pedro Baraldo, Heitor Jardim, Leonardo da Silveira, Marceli Franceschi.

Entre os dias 26 e 29 de maio ocorreu o XIX SulPET, encontro dos grupos PET da região Sul do Brasil. O evento teve como tema “Viver e Compartilhar Diversidades”, que visava o debate e reflexão sobre as mais diversas identidades que costumam ser suprimidas pelos padrões hegemônicos, o entendimento das diferenças e a construção de um pensamento mais amplo pela aceitação das diferentes formas de ser.

Dentro deste contexto, o PET Biologia engajou-se na construção de dois Grupos de Trabalho e Discussão (GDTs): o  Mobiliza PET e o Viver e Compartilhar Diversidades: Gênero e Sexualidade. Também realizamos oficina no Jardim Botânico em parceria com a Fundação Zoobotânica (FZB), além da participação no encontro por áreas, assembleia e exposição de pôsteres.

Nos faltam palavras para agradecer todo o apoio e confiança da FZB conosco, não só na oficina, mas também por terem comparecido na exposição dos pôsteres, mostrando o seu trabalho, distribuindo cartazes e levando livros para serem sorteados para os participantes; e por terem deixado a entrada ao Jardim Botânico gratuita para os participantes do evento durante todo o domingo (29/05). É uma parceria firmada no segundo semestre de 2015 que esperamos que perdure por muito mais tempo. Ressaltamos sempre a importância da FZB para conservação da biodiversidade e para a divulgação dela à sociedade em geral.

SONY DSC

A Oficina: Trilha no Jardim Botânico com PANCnic

A oficina, com o objetivo de disseminar alguns saberes científicos e culturais sobre diversas plantas e certas formações florestais ocorreu no dia 26 de maio. Com a participação de duas jardineiras do Jardim Botânico, a Josi e a Nina, duas trilhas foram feitas: uma contemplando o bioma Mata Atlântica e outra com diversas gimnospermas exóticas e nativas. Ao fim das trilhas, um piquenique foi feito, com comidas feitas com PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), com uma explanação sobre o impacto que as nossas escolhas alimentares geram e o quão político pode ser o ato de comer.

Aqui, algumas das receitas que utilizamos para o PANCnic:

Bolo de cajá-manga

200 ml de polpa de cajá-manga

1kg de farinha

1 e 1/2 xícara de açúcar mascavo

3/4 xícara de óleo de girassol

5 colheres de chá de fermento químico

Misture os ingredientes secos, depois o óleo e a polpa. Ponha a mistura em uma forma untada e asse em fogo baixo por 40 minutos, o forno deve estar preaquecido.

SONY DSC

Bolo salgado de picão-branco e jaca verde

Massa:

1 kg de farinha

300g de picão-branco

1 colher de sopa de óleo de girassol

4 colheres de sopa de açucar mascavo

30g de fermento biológico

2 xícaras de água

Em uma vasilha adicione todos os ingredientes seco e misture. Bata o picão com a água e ponha a mistura para esquentar, em seguida adicione o líquido aos ingredientes secos, mexa até a massa ficar homogênea e elástica, se necessário acrescente mais água morna. Ponha em uma forma untada e estique a massa com os dedos úmidos até ela preencher a forma completamente. Asse em fogo baixo por meia hora, ele deve estar preaquecido.

Cobertura:

300 g de jaca verde

2 cebolas médias picadas

6 tomates picados

sal e pimenta a gosto

Depois de colher a jaca ponha ela partida na panela de pressão por cerca de 20 mins, para corta-la é bom untar a faca com óleo. desfie a jaca como um frango. Refogue a cebola, ponha o restante dos ingredientes e a jaca, cozinhe até os tomates se desfazerem. Passe sobre o bolo ainda quente.

Pastinha de alho de folha

200g de grão de bico cozido

200g de alho de folha

100 g de amendoim torrado

1 xícara de azeite de oliva

1/2 xícara de água

sal e noz moscada a gosto

Bata tudo no liquidificador. Dura até uma semana na geladeira.

Grupos de Discussão e Trabalho

O PETBio ficou encarregado pela organização de dois GDTs (Grupo de discussão e trabalho). O primeiro foi em parceria com o PET Ciências Socias UFRGS, com o tema “Viver e compartilhar diversidades: Gênero e Sexualidade”. O GDT foi o mais procurado do evento, onde ainda no primeiro dia de inscrições fechou com o máximo de cem inscritos. Foram muitos relatos vindos de diversos PETs de diversos cursos e cidades, mas sempre com o mesmo tema central: intolerância e preconceito. Relatos de machismo vindo de professores, colegas e principalmente tutores sofridos pelas alunas foram os que mais apareceram. LGBTfobia também apareceu bastante, ressaltando a importância da discussão deste tema dentro do PET e principalmente dentro das universidades. Quem já teve experiências em tratar desses assuntos ajudou e aconselhou grupos ainda inexperientes. Foi uma grande troca de aprendizado e principalmente, ajuda mútua. Desse GDT saíram duas propostas que foram aprovadas por contraste em assembleia geral, foram elas:

“Todo o evento regional (sulpet) deverá incluir na sua programação pelo menos uma plenária geral sobre questões pertinentes a minorias. Tal medida deve ser fiscalizada pelo Cenapet junto com as comissões organizadoras dos eventos futuros.” e “O CLAA deve contemplar em sua avaliação dos grupos a  exigência de ações relacionadas à temática da diversidade em cumprimento à portaria 343/2013.”

O outro GDT discutiu a mobilização política do PET, foi realizado em parceria com O PET Computação. O encontrou encaminhou propostas que pretendem manter o Programa de Educação Tutorial, mantendo os petianos articulados e atentos em defesa do PET e da Educação Pública. Durante a Assembleia Geral o GDT organizou um ato simulando a extinção do programa, pois este era um meio de despertar os petianos para uma possível sinalização de extinção.

Encontro por áreas: conhecendo os PETs de outras universidades.

Durante o SulPET também ocorreu o Encontro por Áreas, que é o momento de reunião dos grupos PET que trabalham na mesma área de conhecimento, ou em áreas similares. O encontro foi muito rico, ouvimos relatos de diversos PET da área de Ciências Biológicas e nos deparamos com uma incrível pluralidade na forma como os grupos trabalham. Comparamos nossas realidades e percebemos que cada grupo tinha um jeito distinto de lidar com o funcionamento da equipe e com as atividades realizadas na faculdade, e que não há, necessariamente, um jeito melhor que outro, mas que os modos de trabalho devem dialogar com os contextos dos grupos. As trocas e relatos foram muito enriquecedores e nos ajudaram a ver os pontos positivos do nosso grupo, assim como pontos que devemos assumir uma posição mais crítica e trabalhar em conjunto para melhorar.

Exposição de pôsteres:

 

Nosso grupo também levou para a exposição de pôsteres do evento um trabalho de sua autoria, denominado “Áreas Protegidas no Contexto da Sociobiodiversidade”. O trabalho trouxe algumas informações quanto às bases jurídicas que garantem às Comunidades Tradicionais o direito à territorialidade e uso dos recursos naturais em áreas que são legalmente protegidas, tanto para a preservação da biodiversidade, quanto para a valorização dos conhecimentos e valores dessas comunidades. Para entender um pouco mais acesse a do projeto Conhecendo Unidades de Conservação .

O SULPET foi um momento importante para entendermos a dimensão do Programa de Educação Tutorial. A diversidade, sobretudo, se mostrou presente, trazendo à tona a necessidade de, cada vez mais, fornecer subsídios, criar espaços e dar voz àquelas e aqueles que ainda não são ouvidos e lutam diariamente por sua inclusão na sociedade. O PET Biologia lamenta muito que algumas propostas relacionadas a melhorias na portaria do PET sobre as Ações Afirmativas, que permitem uma maior diversidade e assistência estudantil étnico-racial, não tenham sido aprovadas em assembleia pelos petianos e tutores presentes.

Morro Santana: um olhar fotográfico para sua conservação.

Autoria: João Pedro Baraldo, Marco Aurich, Marceli Franceschi, Heitor Jardim, Kassiane Garcia, Luíza Machado.

digiescolhidas (3)XXX

Ao fundo, o Morro Santana (Acervo do IPH)

Durante o Salão de Ensino UFRGS 2015, o Portas Abertas 2016  e, posteriormente, a Semana Acadêmica 2016/01 da Biologia UFRGS, o PETBio realizou uma exposição fotográfica sobre o Morro Santana. O objetivo foi trazer reflexões para a comunidade acadêmica acerca das temáticas envolvendo a relação do Morro Santana com a UFRGS e as habitações no seu entorno. A exposição, intitulada “Eu, Morro”, foi composta por fotos enviadas por alunos, professores e departamentos situados no Campus do Vale. Foram abordadas questões como a biodiversidade, a história, a comunidade local e os problemas nele enfrentados atualmente.

Um dos principais motivos pelos quais organizamos a exposição é a luta para reconhecer o Morro Santana como uma Unidade de Conservação (UC). Essa é uma reivindicação antiga do Instituto de Biociências da universidade. Professores e alunos mobilizaram-se afim de buscar a proteção legal do Morro junto aos órgãos ambientais responsáveis, tanto na esfera estadual, quanto na federal. Entretanto, não houveram acordos, pois, questões burocráticas foram empecilhos para a efetivação do processo.  Apesar disto a decisão N° 243/2006 do Conselho Universitário da UFRGS reconhece o morro como um refúgio da vida silvestre.

A UFRGS, em seu Plano de Gestão 2012-2016, se propõe a “Ampliar as Interações com a Sociedade” de acordo com “princípios de transparência, objetividade e responsabilidade social”. Para alcançar tal objetivo, não há melhor ponto de partida do que a comunidade residente do próprio entorno dos Campi. Entretanto, salvo alguns – poucos – notáveis projetos de extensão, o que vemos na prática são muros que segregam progressivamente o ambiente universitário e sua vizinhança.

Nesse contexto, é impossível pensar o Campus do Vale dissociado do Morro Santana. A construção do Campus, iniciada pelas obras do IPH (Instituto de Pesquisas Hidráulicas), intensificou o processo de urbanização da região, o que também gerou aumento nos impactos ambientais. As áreas restantes da paisagem natural do Morro estão, em sua maior parte, localizadas na área de propriedade da UFRGS, que até 1700 era terra tupi-gurani, onde eles caçavam, criavam animais e cultivavam mandioca e milho.

luiz-terragno3

Vista do Morro Santana (Luiz Terragno, 1865)

Em 1732, Jerônimo de Ornellas recebeu a Sesmaria de Sant`ana que possuía cerca de 13 mil hectares e ergueu sua residência sobre o Morro Santana. Devido à ocupação açoriana, Jerônimo loteou suas terras. Entre 1800 a 1950, o morro teve diversos proprietários, dos quais utilizavam sua área para a caça e para as mais diversas atividades agropastoris.

Em 1950, a UFRGS torna-se proprietária de aproximadamente 600ha dos mais de 1000ha do Morro Santana. Atualmente, o morro divide espaço com o Campus do Vale, com as vilas Santa Isabel e Agrovet e com grandes condomínios na Antônio de Carvalho, na Protásio Alves e em sua face Leste. Esses fatos reforçam a responsabilidade da Universidade, tanto com a conservação ambiental do Morro, como com o fortalecimento social das comunidades associadas.

             Eduardo Vélez (1)

            À esquerda, o anel viário, em frente a represa do IPH e, à direita, a Vila Santa Isabel

(Eduardo Vélez)

Apesar de suas belas paisagens e rica biodiversidade, o morro sofre com ações antrópicas. O anel viário do Campus do Vale fragmenta ambientes florestais utilizados como habitat por diversas espécies de répteis, mamíferos e aves. Frequentemente, se encontram carcaças de animais que tentaram uma travessia no asfalto entre esses ambientes estigmatizados.

Gabriela Schuck (nomes das especies no email do pet) (4)

Cágado Atropelada no Anel Vário (Gabriela Schuck)

Diversas outras áreas do morro estão sendo fragmentadas para a construção de novas vias, que dão suporte a novas moradias, gerando mais impactos à biodiversidade. Dispersão de espécies exóticas como Pinus sp., Eucalyptus sp. e Brachiaria sp.;   atividades como motocross e a presença dos animais domésticos também são ameaças à vida no morro.

Renato Silvano (4)

Pinus acelerando o processo de erosão  (Renato Silvano)

Muitos moradores do morro sofrem com a falta de saneamento básico e impactos gerados por habitações irregulares (como falta de tratamento de esgoto, disposição indevida de lixo e risco de desmoronamentos). Tais impactos socioambientais resultam da falta de amparo e planejamento urbano no que diz respeito ao poder público.

HISTORIA NATURAL DA CIDADE 

Porto Alegre possui 44 morros, constituídos geologicamente por formações graníticas. O Morro Santana, além de ser o ponto mais alto, apresenta a área com maior representatividade da flora de Porto Alegre, representando, assim, grande parte da história natural da nossa cidade. Apresenta-se como uma área de transição entre dois biomas, o Pampa e a Mata Atlântica, caracterizando, assim, um típico mosaico floresta-campo, o que também podemos observar nos outros morros. Também, possui o ponto mais alto do município de Porto Alegre, com 311m.

A área de campos abrange uma diversidade de espécies vegetais que é bastante expressiva, estimada em torno de 400 espécies. Há registros de ocorrência de 300 espécies de plantas com flores. Atualmente, uma das espécies de mata atlântica mais abundante é a maria-mole (Guapira opposita). A dominância se deve, principalmente, ao baixo valor econômico, deixando essa e outras espécies, como a capororoca, chá de bugre, o mata-olho e o cafeeiro do mato, praticamente intocadas. A vegetação campestre se encontra principalmente no topo e na encosta norte, onde o gênero Eryngium, composto pelos caraguatás, é abundante, assim como Moritzia ciliata, esta última uma espécie exclusiva da região do morro.

Há 22 espécies de mamíferos registradas, dentre elas as frugívoras como morcegos e macacos, que são importantes para a manutenção de ambientes fragmentados. O Morro também abriga animais como mão-pelada, tatu, graxaim, gato-palheiro e ouriço-cacheiros.

micoufrgs

     Macaco-prego, Sapajus nigritus (Raquel K. Plausen)         

Podemos encontrar cerca de 25 espécies de répteis, dentre elas estão os lagartos como o teiú, cobras-de-vidro (que são na realidade lagartos sem patas), serpentes peçonhentas como a jararaca-verdadeira, a jararaca-pintada, a cobra-verde e a famosa cobra-coral e outras espécies sem peçonha como a cobra-cipó, papa-lesmas e outras também são muito encontradas.

Entre os anfíbios ocorrem espécies muito conhecidas e familiares como a rã-chorona, sapo-cururu e a rã-manteiga. Também, pode-se encontrar o sapinho-de-barriga-vermelha, que é uma espécie ameaçada de extinção.

Cerca de 89 espécies de aves habitam o morro. Entre elas, estão algumas raras para o meio urbano, como aracuã, inhambuí, vira-folha, sabiá-cica e saíra, sendo que muitos destes já não encontram seu habitat, no caso, as matas altas. Espécies familiares aos porto-alegrenses, como bem-te-vi, sabiá e sanhaçu-azul também podem ser vistos. Cerca de 10% das aves do morro são migratórias.

Fábio Mello (3)

Beija-flor-dourado, Hylocharis chrysura (Fabio Melo)

Os Morros de Porto Alegre são importantes refúgios para espécies polinizadoras como borboletas, pois há uma grande riqueza de flores disponíveis para esses animais. Nas nascentes, que ainda estão relativamente preservadas, e em corpos d’água podemos encontrar lagostins que são detritívoros e  servem de alimento para alguns mamíferos. Os microhabitats propiciam a presença de invertebrados que não teriam chances em meio urbano. A relativa riqueza de espécies encontradas sugere que o Morro Santana ainda se encontra em razoável estado de preservação, apesar do impacto já sofrido.

Jessica rosiak (1)

Borboleta polinizando (Jéssica Rosiak)

PROTEÇÃO E CONSERVAÇÃO, URGENTE.

O Morro Santana, refúgio da vida silvestre em meio a cidade, é um patrimônio ambiental que corre perigo devido, principalmente, a especulação imobiliária e a falta de planejamento urbano recorrente nas cidades brasileiras. O Campus do Vale – UFRGS está localizado na base de um verdadeiro laboratório vivo que possibilita práticas interdisciplinares entre todas as áreas do conhecimento acadêmico e popular.

Além de possuir nascentes importantes que desaguam no Guaíba, o morro também auxilia a regulação do clima da região, que vem sendo alterado pela construção de grandes edifícios (dificultam a circulação do ar), grandes avenidas e, consequentemente, a emissão de poluentes atmosféricos por automóveis.

Essas e outras características tornam o Morro Santana um ambiente único na paisagem da cidade, digno de reconhecimento, valorização e, principalmente, preservação. Por isso, a criação de uma UC é de extrema importância e urgência. Para tanto, estudantes e professores do curso de Ciências Biológicas tem se reunido, novamente, para encontrar os melhores caminhos para a efetivação desse processo.

O Diretório Acadêmico da Biologia (DAIB) realiza há muitos anos subidas ao Morro com os calouros, permitindo aos novos alunos vivenciar um pouco mais da riqueza biológica que se encontra fora da sala de aula.  Alguns professores também realizam trabalhos de campo e pesquisas, afim de coletar informações e utilizar a área como estudos de casos para diversas áreas dos conhecimentos acadêmicos. Essas e outras ações, incluindo atividades de educação ambiental com as comunidades residentes e o trabalho conjunto com outros institutos e cursos, devem continuar sendo realizadas. Assim, mesmo com a demora da implementação de uma UC, o Morro Santana possa manter-se vivo, preservando sua biodiversidade e garantindo o bem-estar da população da região metropolitana de Porto Alegre.

Confira algumas outras fotos da exposição:

SAMSUNG DIGITAL CAMERA

Parodia ottonis, Cacto bola (Ítalo Rakowski)

Eduardo Vélez (5)

Deste ângulo, podemos ver a grande cobertura verde do morro e ao longe o Campus do Vale e a Vila Santa Isabel (Eduardo Vélez)

SONY DSC

A necessidade de guardas para acompanhar as trilhas dos estudantes e professores evidencia a falta de segurança no morro  (Heitor Jardim)

Fábio Mello (1)

Pica-pau-do-campo, Colaptes campestris  (Fábio Melo)

Kassiane - 01

Aruá-do-mato,  Megalobulimus oblongus  (Kassiane Garcia)

Dudi (23)Batatinha-de- purga, Cypella herbertii (Luíza Machado)

 

Visita ao Parque Natural Municipal Tupancy

Nosso grupo teve a oportunidade de conhecer, no último dia 13 de julho, o Parque Natural Municipal Tupancy. Fomos recebidos pela gestora do Parque, Marta Maria da Silva e pelo Técnico em Meio Ambiente Marcus Munhoz Vini.

tupancy_drone_

Vista aérea do Parque. Foto cedida pela gestora Marta Maria da Silva.

O Parque, localizado no município de Arroio do Sal, tem a importante função de preservar 21 hectares remanescentes de mata atlântica de restinga, associada ao um sistema de dunas, banhados e três lagoas (Banho, Remanso, e Tupancy). Esses ecossistemas representam  boa parte da paisagem do Litoral Norte do Rio Grande Sul, que vem se alterando continuamente devido à expansão imobiliária. Consequentemente, espécies que dependem da manutenção dessas áreas para a sua sobrevivência, vêm sofrendo um declínio em suas populações, tornando-se cada vez mais suscetíveis às atividades humanas. Alguns exemplos são o tuco-tuco (Ctenomys minutus), pequeno roedor que depende das dunas para a sua sobrevivência, assim como a lagartixa-das-dunas (Loeliemus oscipitalis), ambas com ocorrência no Parque Tupancy. Outros mamíferos roedores que também podemos encontrar lá são a capivara (Hydrochaeris hydrochaeris) e o ratão-do-banhado (Myocastor coypus), que podem ser observados próximos à lagoa Tupancy. Também ali podemos visualizar uma bela avifauna, representada por biguás, savacus, jaçanãs, marrecas, frangos-d’água, martins pescadores, garça-moura, entre  muitas outras. 

SONY DSC

 

SONY DSC

A gestão do Parque construiu, com o apoio do Clube de Observadores de Aves (COA-POA), um observatório para visualização, tanto das aves e mamíferos, quanto da paisagem como um todo. O observatório ainda possui um material didático sobre as principais espécies da avifauna que ocorrem ali.

SONY DSC

Salientamos, aqui, a importância de conhecer Parques como o Tupancy. Muitas Unidades de Conservação (UC) do Rio Grande do Sul estão abertas a visitas agendadas previamente, para qualquer público interessado. Ainda assim, os gestores são pouco procurados e ainda enfrentam grandes dificuldades para realizar o manejo e gestão das áreas. Reconhecer o trabalho desses profissionais e ainda participar ativamente da implementação das UC é incentivar e fortalecer as Políticas Públicas em Biodiversidade.

Tupancy

Foto cedida por Marcos Munhoz Vini, Técnico Ambiental do Parque.

Portanto, conheçam o Parque Tupancy e outras UC que preservam a história natural da Planície Costeira e do Litoral Norte do Estado! Entrem em contato com os gestores para saber como e quando é possível realizar visitas!

Abaixo, os contatos para agendar visitas, link da pagina no facebook e um vídeo institucional sobre o Parque Natural Municipal Tupancy:

E-mails: marta.as@asnet.com.br; marcos.ambitec@gmail.com

Pagina do Parque no Facebook:

www.facebook.com/pages/Parque-Natural-Municipal-Tupancy/377413209067993?fref=ts

Vídeo Institucional:

 

Fotos: Heitor Jardim

Unidade de Conservação, APP e Reserva Legal não é tudo a mesma coisa!

Autoria: João Pedro Baraldo, Marco Aurich, Letícia Bolzan e Luísa R. Uber.

Ao conversar com interessados e atuantes das áreas ambientais, percebemos que existe uma confusão entre os conceitos de diferentes áreas protegidas. Para elucidar esta diferença, criamos os seguintes materiais informativos:

UC

Reserva Legal

APP

De um modo geral, estas áreas diferenciam-se a partir da legislação que são regidas  e dos objetivos de conservação a que se aplicam.

Reservas Legais (RL) e Áreas de Preservação Permanente (APP) são regidas pela mesma lei (Proteção da Vegetação Nativa – LEI 12.651/2012), porém, as primeiras são consideradas apenas em áreas rurais, principalmente particulares, afim de assegurar a proteção da vegetação nativa.

As APPs são áreas que independem do uso da terra e podem estar inseridas nas RLs, nas Unidades de Conservação (UCs) e até mesmo em áreas urbanas. O Cadastro Ambiental Rural (CAR) surgiu como um instrumento para o mapeamento das APPs e RLs e aplicação da Lei de Proteção a Vegetação Nativa.

As UCs são regidas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e caracterizam-se, principalmente, por proteger uma parcela representativa dos ecossistemas. São, na maioria dos casos, áreas públicas, porém há exceções, como as Reservas Particulares de Patrimônio Natural, entre outras.

Nosso objetivo não é trazer informações aprofundadas, mas esclarecer os conceitos básicos e despertar a curiosidade. Além disso, as imagens estão disponibilizadas para educadores e a quem se interessar.

Consulta para Reitor

Autoria: João Pedro Baraldo Mello

É agora, quinta-feira dia 16 de junho, que a UFRGS definirá sua gestão para os próximos 4 anos, um período que muita gente passa pela universidade. O resultado desta eleição sairá dia 17 até o meio dia. Professores, técnicos-administrativos e estudantes da UFRGS tem direito a voto, vamos aproveitar os espaços que temos para fazermos valer nossa opinião.

Confira nosso vídeo sobre a Consulta para Reitor:

 

Informe-se sobre as 3 chapas existentes, ainda dá tempo.

Mais informações: http://www.ufrgs.br/ufrgs/consulta-re…

Apoio à Fundação Zoobotânica

Autoria: João Pedro Baraldo Mello

Tendo em vista o contexto vivido pela Fundação Zoobotânica (FZB) no segundo semestre do ano passado, o PET Biologia UFRGS  utilizou dos recursos que disponibilizava para apoiar e dizer um não rotundo à sua extinção, como era proposto pelo  Projeto de Lei nº 300/2015. 

Compreendemos e valorizamos a importância do trabalho da Fundação Zoobotânica, sendo a única instituição  a nível estadual que trabalha com pesquisa e conservação da biodiversidade diretamente. Foi a FZB a coordenadora da lista de espécies da fauna gaúcha ameaçada de extinção, um trabalho imprescindível para subsidiar políticas públicas e avaliar o impacto humano no ambiente.

Todas as 3 instituições da FZB, Museu de Ciências Naturais (MCN), Jardim Botânico (JB) e Parque Zoológico (Zoo), possuem sua função primordial. O MCN, trabalha diretamente com pesquisa e possui uma coleção riquíssima da fauna e da flora do RS, além de possuir uma diversa coleção paleontológica que descreve com fidelidade as espécias que habitavam a região antes de chegarmos aqui. O Jardim Botânico, além de ser uma linda área verde, possui uma coleção viva da flora do RS, do Brasil e de partes do globo,  trabalhando diretamente com projetos de educação ambiental, como o jardinação e distribuição de mudas nativas a baixo custo. O Zoo é fundamental, pois, além de trabalhar de educação ambiental, possui um Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), um dos poucos que é habilitado a receber animais vítimas de tráfico, posse ilegal e atropelamentos.

Acreditamos que a fundação permite um trabalho harmônico entre os setores da pasta ambiental, possuindo um papel único, que não pode ser desenvolvido por nenhum outro setor. O Núcleo Regional de Ofidiologia de Porto Alegre (NOPA/MCN -FZB) é a única instituição do RS que envia peçonha para Rio de Janeiro, possibilitando a produção de um soro antiofídico completo, pois as serpentes do sul do Brasil possuem uma peçonha diferente das demais serpentes.  Sem a Fundação Zoobotânica quem ficará responsável pelas pesquisas? Quem ficará responsável por todo o Patrimônio da Fundação? 

Desestruturar a Fundação ou extingui-la significa comprometer severamente a conservação da biodiversidade sul-riograndense o que aumentará ainda mais a nossa dívida com o meio natural e causando consequências irreversíveis para a nossa sociedade. A Natureza exige respeito e devemos viver em comunhão, pois fazemos parte dela.

Abaixo seguem os vídeo gravados em 2016, apoio à Fundação Zoobotânica:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abaixo seguem as entrevistas dos Pesquisadores da FZB reportando a importância desta instituição: