O POÏEIN investiga modos de instaurar uma experimentação criadora na docência-pesquisa. Parte de conjugações favoráveis com as ciências, as artes e o pensamento da diferença agenciadas com a didática, o currículo e a formação docente. Instiga, no âmbito educacional, um fluxo de produções que se articulem de muitos modos para inserir, lá onde somente se vê identidade, diferença.
O POÏEIN – microscopias. educação. imanência, surge e se registra como um Grupo de Pesquisa em 2021. Herdeiro do DIF – artistagens, fabulações, variações, se vale da filosofia da diferença para pensar a educação. O termo POÏEIN foi resgatado por Paul Valéry como raiz do verbo grego Fazer. Assim se designa o fazer — não somente o artístico — como uma prática; uma poiética. Trata-se do fazer que envolve corpo e espírito, o fazer como coisa humana.
Nisso, nesse fazer de corpo e espírito colocamos a Educação espremida entre duas palavras microscopias e imanência.
Microscopias, pois nos interessa uma atenção ao detalhe como o de conceber a leitura como escavação. Toda narrativa carrega uma história visível e outra secreta, nos diz Piglia, precisamos ser como arqueólogos escavando entre as camadas de leituras que fazemos. Entre as camadas das palavras. Escavar o íntimo e ínfimo, o banal e o quase nada ou, ainda, aquela língua menor (microscópica) dentro da própria língua. Aquela que vai trabalhando por dentro para desmontar os grandes temas; aqueles que nos fixam e nos sedentarizam. Para isso escolhemos, também, trabalhar com as formas menores, ou periféricas nos fazeres acadêmicos. A biografemática, os diários, as listas, os inventários, os registros, cadernos de notas, fragmentos. Tudo isso como a matéria mesma do qual a escrita é feita ou, ainda, as não nomeadas e até disformes por desconhecidas. A microscopia entra aí como uma palavra que porta uma poiética.
Imanência, pois se pensa que esse fazer não se pauta por uma instância superior que garanta a sua existência ou sentido. Como uma existência mínima, anônima e impessoal, antes de qualquer individuação, já está/faz/existe enquanto potência — como um plano de consistência, que consiste como tudo que existe e se conecta sem mediações. Um acontecimento — aquilo que faz vir à existência algo que ainda não era articulando — um campo de forças em/sobre/com uma singularidade.
“O fazer, o poïein, do qual desejo me ocupar, é aquele que termina em alguma obra e que eu acabarei restringindo, em breve, a esse gênero de obras que se convencionou chamar de obras do espírito. São aquelas que o espírito quer fazer para seu próprio uso, empregando para esse fim todos os meios físicos que lhe possam servir.”
Paul Valéry em Aula inaugural do curso de poética no Collège de France em 10 de dezembro de 1937. Tradução de João Alexandre Barbosa. Variedades. Iluminuras, 1991.

