Portas Abertas aproxima futuros estudantes e comunidade da universidade pública por meio de atividades

Foto: Marcelo Pires

Vanessa Keppel

Com mais de mil atividades realizadas nos quatro campi da UFRGS, a edição 2025 do Portas Abertas transformou a universidade em um espaço de experimentação e orientação. Oficinas, simulações, práticas interativas e jogos culturais conectaram estudantes, professores, projetos acadêmicos e famílias para viver a Universidade.

No Instituto de Geociências, a experiência foi imersiva. A equipe do Centro Polar e Climático montou uma simulação de acampamento científico na Antártica, com barracas, equipamentos e vestuário utilizado por pesquisadores em expedições reais.

“A ideia é trazer essa experiência para as pessoas. Mostrar toda a curiosidade em torno dos projetos nas regiões polares. As pessoas vestem as roupas, entram nas barracas, tiram fotos — e ao mesmo tempo entendem que a gente está ali para estudar as mudanças climáticas, a poluição, a composição do ar, e como isso afeta o nosso clima aqui no sul do Brasil”, explicou o aluno Felipe Lindau.

A cultura e o idioma também ganharam espaço. No Instituto Confúcio, os visitantes participaram de jogos e atividades que introduziam elementos da língua e da caligrafia chinesa, com direito a nomes escritos em ideogramas.

“É sempre muito bom ver o interesse dos alunos na cultura chinesa. Eles chegam curiosos e se encantam. Temos jogos, mini aulas, apresentações, e os professores escrevem os nomes em chinês para eles levarem para casa”, contou a bolsista Daniela.

Na área de Ciências Exatas, a Física se apresentou de forma nada abstrata. O projeto Conectando Universos montou uma estação chamada Investigação Científica, que combina narrativa e experimentos para explicar como o conhecimento é produzido.

“A ideia é mostrar o caminho da ciência: da observação à formulação, à ferramenta. E isso com coisas simples — luzes coloridas, lentes, espelhos. O pessoal geralmente sai falando: ‘Nossa, a física não é um monstro’. Isso, para a gente, é tudo”, relatou Maxwell, estudante da equipe.

As Ciências da Saúde reuniram centenas de visitantes ao longo da manhã. No Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS), mais de 30 atividades apresentaram aspectos variados da formação biomédica. Desde oficinas de neurociência, com testes de memória e jogos sobre o cérebro, até demonstrações sobre doenças raras, células-tronco e parasitologia.

“Temos atividades espalhadas por três prédios. No Centro, por exemplo, os laboratórios de anatomia recebem multidões. Aqui, no prédio Saúde, temos jogos, práticas, demonstrações. O nosso desafio é receber todo esse público com fluidez e dar a eles uma visão real do que se faz aqui”, explicou a professora Renata, do Departamento de Fisiologia.

Nas atividades de Enfermagem, os visitantes encontraram um cenário que simula, o ambiente de uma unidade hospitalar. Simuladores de média, baixa e alta fidelidade permitiam que o público testasse manobras de ressuscitação, curativos, sondagens e outros procedimentos.

“Eles podem vivenciar práticas reais da enfermagem, com simuladores que interagem. Temos bonecos adultos e pediátricos. É uma oportunidade de entender o que é a assistência na prática”, destacou a professora Taline Bavaresco, coordenadora do laboratório.

Para os estudantes da UFRGS que atuaram como monitores, o evento também se tornou um exercício pedagógico.

“Eu nunca tinha sido monitora antes. E está sendo muito interessante poder explicar os procedimentos que fazemos, com linguagem mais acessível, para quem ainda não está na área. A gente revisita os conteúdos e encontra formas de mostrar com clareza, especialmente quando usamos brinquedos lúdicos para simular o atendimento pediátrico”, relatou Débora, aluna do sétimo semestre.

O trabalho dos monitores não se limitou à técnica — também envolveu escuta e representatividade.

“Quando é o aluno que fala, o diálogo é mais direto. Eles se veem na gente. A gente vira um espelho”, disse Laura Betina.

“E também aprendemos. Estávamos na estação de RCP e manobras de engasgo, e tivemos que relembrar conteúdos já vistos, buscar na literatura, reorganizar o raciocínio para explicar. Isso reforça o que aprendemos e desenvolve uma didática real”, completou Mirela Nunes.

Na área de Educação Física, as atividades ao ar livre foram intensas desde cedo. Escalada técnica, slackline e oficinas de nós ocuparam os espaços externos com interação constante.

“Desde as 8h30 a gente não parou. São atividades que desafiam fisicamente e também ensinam técnicas. Mostramos que a Educação Física é mais do que esporte — é formação, é filosofia de vida”, afirmou o professor Alcides Costa.

Na Comunicação, uma das atividades foi oficina de Relações Públicas no evento. A estudante Zara Mattos, que organizou a atividade com colegas, contou como a proposta surgiu da ausência de iniciativas voltadas ao curso.

“Nunca tinha tido uma oficina só de Relações Públicas, o que era ruim porque as pessoas não sabiam o que é o curso. Então montamos uma dinâmica com Kahoot, perguntas sobre o curso, cadeiras, duração. Enquanto o jogo rolava, a gente explicava e falava da nossa experiência. A sala encheu, a troca foi muito legal. As pessoas estavam realmente interessadas.”

Professores da educação básica também observaram o impacto do evento nos estudantes. “Isso abre várias portinhas na cabeça deles. Eles estão maravilhados. Cada vez que a gente volta, visitamos um curso diferente. E sempre vale a pena”, disse a professora Carolina, da Escola Célia Flores, de Viamão.

O pré-vestibular popular Minervino de Oliveira, de Alvorada, levou estudantes aos diversos campi da Capital. A coordenadora Laura destacou o objetivo da visita:

“Nós queremos mostrar como funciona de verdade. Como chegar de ônibus, onde ficam os cursos, como entrar. É o começo da sensação de pertencimento.”

As alunas Érica e Gabriele concordam.

“Vim por curiosidade e para entender como funciona a universidade e como a gente tem esse acesso. É minha segunda vez aqui, mas agora com mais orientação”, disse Érica.

“Quero fazer Arquitetura. Vim conhecer os prédios. Assim, se eu passar, já vou saber como é”, completou Gabriele.

As famílias também participaram ativamente. Cristina, mãe de Arthur, de 8 anos, levou o filho pela terceira vez:

“É uma forma dele entrar em contato com diversas coisas que ele não tem no dia a dia. Ele adora ciência, principalmente física e química. Aqui ele aprende com curiosidade.”

Com uma programação ampla e diversificada, o Portas Abertas 2025 transformou a UFRGS em espaço de escuta, acolhimento e descoberta — reafirmando seu compromisso com a formação de excelência e o acesso democrático ao conhecimento.