Defesa de Dissertação – Vanessa Borges da Silva
RELAÇÃO ENTRE OS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS AOS EMPREGADOS, COM A DISTRIBUIÇÃO DE RIQUEZA, PRODUTIVIDADE DO TRABALHO E O DESEMPENHO ECONÔMICO-FINANCEIRO: UMA ANÁLISE DAS COMPANHIAS ABERTAS LISTADAS NA BRASIL, BOLSA, BALCÃO (B3)
Resumo: A presente pesquisa teve como objetivo analisar a relação entre os benefícios concedidos aos empregados e a distribuição de riqueza, a produtividade do trabalho e o desempenho econômico-financeiro, por meio de uma análise das companhias abertas listadas na Brasil, Bolsa, Balcão (B3), no período de 2014 a 2023. A pesquisa foi classificada como quantitativa, descritiva e documental. Para isso, foram aplicadas regressões múltiplas com dados em painel desbalanceado. A variável explicativa foi construída a partir da criação do Índice Geral de Benefícios Concedidos aos Empregados (IGBCE), calculado por meio de um checklist composto por 28 itens. Os resultados evidenciam que a concessão de benefícios ainda é limitada em termos de amplitude e diversidade. A maioria das empresas analisadas apresentou baixos percentuais do IGBCE, sendo possível constatar que 77,72% da amostra evidenciou entre 25% e 49% dos benefícios, distribuídos entre Benefícios de Curto Prazo (BCP), Benefícios de Longo Prazo (BLP) e Benefícios Pós-Emprego (BPE). Apenas 29 empresas, equivalentes a 13,18% da amostra, alcançaram um resultado igual ou superior a 50% no índice. Essa distribuição demonstra que, embora exista um certo nível de concessão de benefícios, este ainda é restrito diante do universo de possibilidades previstas. Observou-se uma tendência de crescimento gradual na divulgação das informações relacionadas ao IGBCE. O tipo de benefício com maior número de observações foi o plano de saúde, com 1.095 registros, seguido pelo treinamento, com 1.084 observações. No entanto, os resultados indicam que as medidas agregadas de benefícios, seja em número absoluto, em percentual em relação ao total de 28 benefícios possíveis, ou padronizadas em relação à média da amostra, não apresentaram efeitos significativos sobre a rentabilidade, a produtividade ou a riqueza distribuída das companhias listadas na B3. Todavia, quando os benefícios foram desagregados em curto prazo, longo prazo e pós-emprego, identificaram-se efeitos positivos dos benefícios de longo prazo sobre a produtividade e sobre a riqueza distribuída, embora não sobre a rentabilidade. A análise mais detalhada revelou que empresas que adotam Planos de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) apresentam maiores níveis de riqueza distribuída e indícios de ganhos de produtividade, reforçando a hipótese de que mecanismos de incentivo atrelados ao desempenho exercem papel relevante no alinhamento entre os interesses dos trabalhadores e os objetivos corporativos. Esses achados sugerem que não é a quantidade de benefícios ofertados que determina sua efetividade, mas sim sua natureza e horizonte temporal, com destaque para aqueles capazes de promover engajamento e coesão organizacional. Assim, este estudo oferece contribuições originais e relevantes ao integrar, diferentes dimensões dos benefícios concedidos aos empregados, em um contexto de mercado emergente. Diferencia-se da literatura ao propor um índice de mensuração específico, construído com base na análise empírica de relatórios de sustentabilidade e formulários de referência, algo ainda pouco explorado de forma sistemática no Brasil.
Palavras-chave: Benefícios. Distribuição de Riqueza. Produtividade. Desempenho Econômico-Financeiro

