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Cálculo Numérico - Versão Scilab
Nesta seção, utilizaremos a seguinte descrição abstrata para o conceito de “resolver um problema”: dado um conjunto de dados de entrada, encontrar os dados de saída. Se denotamos pela variável os dados de entrada e pela variável os dados de saída, resolver o problema significa encontrar dado . Em termos matemáticos, a resolução de um problema é realizada pelo mapeamento , ou simplesmente .
É certo que, na maioria das aplicações, os dados de entrada do problema — isto é, — não são conhecidos com total exatidão, devido a diversas fontes de erros, como incertezas na coleta dos dados e erros de arredondamento. O conceito de condicionamento está relacionado à forma como os erros nos dados de entrada influenciam os dados de saída.
Para fins de análise, denotaremos por , os dados de entrada com precisão absoluta e por , os dados com erro. Definiremos também a solução , do problema com dados de entrada , ou seja, .
Estamos interessados em saber se os erros cometidos na entrada influenciaram na saída do problema . No caso mais simples, temos que e . Assumindo que seja diferenciável, a partir da série de Taylor
| (2.121) |
obtemos (subtraindo dos dois lados)
| (2.122) |
Para relacionarmos os erros relativos, dividimos o lado esquerdo por , o lado direito por e obtemos
| (2.123) |
sugerindo a definição de número de condicionamento de um problema.
Definição 2.8.1. Seja uma função diferenciável. O número de condicionamento de um problema é definido como
| (2.124) |
e fornece uma estimativa de quanto os erros relativos na entrada serão amplificados na saída .
De modo geral, quando depende de várias variáveis, podemos obter
| (2.125) |
Uma matriz de números de condicionamento também poderia ser obtida como em [5].
Exemplo 2.8.1. Considere o problema de calcular em . Se usarmos , quanto será o erro relativo na saída? O erro relativo na entrada é
| (2.126) |
O número de condicionamento do problema calcular a raiz é
| (2.127) |
Ou seja, os erros na entrada serão diminuídos pela metade. De fato, usando e , obtemos
| (2.128) |
Exemplo 2.8.2. Considere a função e com um erro absoluto na entrada de .
Calculando temos
| (2.129) |
Mas qual é a estimativa de erro nessa resposta? Quantos dígitos significativos temos nessa resposta?
Sabendo que , o número de condicionamento é
| (2.130) |
o que nos fornece para ,
| (2.131) |
Como o erro relativo na entrada é
| (2.132) |
temos que o erro na saída será aproximadamente
| (2.133) |
ou seja um erro relativo de aproximadamente .
Note que se usarmos e (ambos no intervalo do erro absoluto da entrada) encontramos
confirmando a estimativa de .
Solução. Temos que com erro absoluto de . Neste caso, calculamos , isto é, o erro absoluto ao calcular , por:
| (2.136) |
Como , temos:
Portanto, o erro absoluto ao calcular quando é de .
Exemplo 2.8.4. Calcule o erro relativo ao medir sabendo que é conhecido com de erro e é conhecido com de erro.
Solução. Calculamos as derivadas parciais de :
| (2.139) |
e
| (2.140) |
Calculamos o erro absoluto em termos do erro relativo:
| (2.141) |
| (2.142) |
Aplicando a expressão para estimar o erro em temos
Portanto, o erro relativo ao calcular é estimado por
| (2.145) |
Exemplo 2.8.5. No exemplo anterior, reduza o erro relativo em pela metade e calcule o erro relativo em . Depois, repita o processo reduzindo o erro relativo em pela metade.
Solução. Na primeira situação temos com erro relativo de e . Calculamos e o erro relativo em de . Na segunda situação, temos com erro de e . Calculamos e o erro relativo em de . Observe que mesma o erro relativo em sendo maior, o erro em é mais significante na função.
Exemplo 2.8.6. Considere um triângulo retângulo onde a hipotenusa e um dos catetos são conhecidos a menos de um erro: hipotenusa metros e cateto metros. Calcule o erro absoluto ao calcular a área dessa triângulo.
Solução. Primeiro vamos encontrar a expressão para a área em função da hipotenusa e um cateto . A tamanho de segundo cateto é dado pelo teorema de Pitágoras, , ou seja, . Portanto a área é
| (2.146) |
Agora calculamos as derivadas
| (2.147) |
| (2.148) |
e substituindo na estimativa para o erro em termos de e :
Em termos do erro relativo temos erro na hipotenusa de , erro no cateto de e erro na área de
| (2.151) |
E 2.8.1. Considere que a variável é conhecida com um erro relativo de e a variável com um erro relativo de . Calcule o erro relativo associado a quando:
| (2.152) |
Suponha que você precise conhecer o valor de com um erro de . Você propõe uma melhoria na medição da variável ou ? Explique.
E 2.8.2. A corrente em ampères e a tensão em volts em uma lâmpada se relacionam conforme a seguinte expressão:
| (2.153) |
onde é um
número entre
e e
é tensão nominal
em volts. Sabendo que
e ,
calcule a corrente e o erro relativo associado quando a tensão vale
.
Obs:. Este problema pode ser resolvido de duas formas distintas: usando a expressão
aproximada para a propagação de erro e inspecionando os valores máximos e
mínimos que a expressão pode assumir. Pratique os dois métodos.Dica: lembre
que
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