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Cálculo Numérico - Versão Scilab
O teorema de Bolzano2 nos fornece condições suficientes para a existência do zero de uma função. Este é uma aplicação direta do teorema do valor intermediário.
Teorema 3.1.1 (Teorema de Bolzano). Se , , é uma função contínua tal que 3 , então existe tal que .
Em outras palavras, se é uma função contínua em um dado intervalo no qual ela troca de sinal, então ela tem pelo menos um zero neste intervalo (veja a Figura 3.1).
Solução. Primeiramente, observamos que resolver a equação é equivalente a resolver com . Agora, como e , temos do teorema de Bolzano que existe pelo menos um zero de no intervalo . E, portanto, existe pelo menos uma solução da equação dada no intervalo .
Podemos usar o Scilab para estudarmos esta função. Por exemplo, podemos definir a função e computá-la nos extremos do intervalo dado com os seguintes comandos:
Alternativamente (e com maior precisão), podemos verificar diretamente o sinal da função nos pontos desejados com comando sign:
Quando procuramos aproximações para zeros de funções, é aconselhável isolar cada raiz em um intervalo. Desta forma, gostaríamos de poder garantir a existência e a unicidade da raiz dentro de um dado intervalo. A seguinte proposição nos fornece condições suficientes para tanto.
Em outras palavras, para garantirmos que exista um único zero de uma dada função diferenciável em um intervalo, é suficiente que ela troque de sinal e seja monótona neste intervalo.
Exemplo 3.1.2. No Exemplo 3.1.1, mostramos que existe pelo menos um zero de no intervalo , pois é contínua e . Agora, observamos que, além disso, e, portanto, para todo . Logo, da Proposição 3.1.1, temos garantida a existência de um único zero no intervalo dado.
Podemos inspecionar o comportamento da função e de sua derivada fazendo seus gráficos no Scilab. Para tanto, podemos fazer o seguinte teste:
A discussão feita nesta seção, especialmente o teorema de Bolzano, nos fornece os fundamentos para o método da bisseção, o qual discutimos na próxima seção.
Observamos que a equação é equivalente a . Tomando, então, , temos que é contínua em , e . Logo, do teorema de Bolzano 3.1.1, concluímos que a equação dada tem pelo menos uma solução no intervalo .
E 3.1.3. Interprete a equação como o problema de encontrar a intersecção da curva com . Encontre o valor positivo para o qual essa equação admite exatamente duas raízes positivas distintas.
E 3.1.5. Use o teorema de Bolzano para mostrar que o erro absoluto ao aproximar o zero da função por é menor que .
Escolhendo o intervalo , temos e , isto é, . Então, o teorema de Bolzano nos garante que o zero exato de está no intervalo . Logo, da escolha feita, .
E 3.1.6. Mostre que o erro absoluto associado à aproximação para a solução exata de:
| (3.2) |
é menor que .
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