Pequenos mamíferos não-voadores de ecótonos campo-floresta do Sul do Brasil.
Pequenos mamíferos não-voadores de ecótonos campo-floresta do Sul do Brasil.

Pequenos mamíferos não-voadores de ecótonos campo-floresta do Sul do Brasil.

Autores:
André Luís Luza, Gislene Lopes Gonçalves, Valério DePatta Pillar e Sandra Maria Hartz.

Resumo:
Ecótonos campo-floresta no sul do Brasil são originados pela expansão de ecossistemas florestais sobre os campestres, um processo natural gerado por mudanças climáticas de larga escala espacial e temporal. Este processo provoca mudanças vegetacionais que consequentemente modificam os padrões de distribuição, composição e riqueza faunística. Assim, ecótonos campo-floresta são sistemas adequados para inferir sobre a influência de processos históricos, biogeográficos e ecológicos na estruturação de comunidades.

Objetivos:
Identificar padrões taxonômicos, filogenéticos e funcionais de organização de assembléias de pequenos mamíferos não-voadores em ecótonos campo-floresta. Especificadamente, buscamos: 1) avaliar o papel do ambiente e de dinâmicas espaciais sobre a composição, riqueza de espécies e número de indivíduos em metacomunidades de pequenos mamíferos não-voadores de ecótonos campo-floresta; e 2) inferir sobre os processos gerando os padrões de coexistência de pequenos mamíferos não-voadores em assembléias baseando-se em afinidades filogenéticas e funcionais. Considerando estas similaridades, avaliamos se a diferenciação de nicho ou os filtros ambientais compõem processos importantes para explicar os padrões de coexistência em escalas de hábitat, paisagem e região.

Metodologia:
Para respondermos questões relacionadas a processos agindo em diferentes escalas espaciais, distribuímos as amostragens de modo a obtermos um panorama espacial da estrutura das assembléias. A amostragem de pequenos mamíferos não-voadores foi realizada em nove Unidades Amostrais de Paisagem (UAP) contemplando cada um dos ecótonos demarcados pelo Projeto SISBIOTA. Em cada UAP organizamos duas grades amostrais (UAL) de 140×140 m. distadas entre si pelo menos 1 km, totalizando 18 UALs. Cada grade consistia de oito transecções paralelas a borda e distanciadas entre si 20 m. Cada linha possuía oito pontos de captura distanciados entre si 20 m., os quais possuíam uma armadilha Sherman e uma Tomahawk dispostas no solo. As armadilhas ficaram expostas durante 5 dias consecutivos, sendo revisadas pela manhã e pela tarde. No campo, indivíduos capturados foram identificados e registradas sua presença, medidas corporais, peso e sexo. Outros atributos derivaram de literatura disponível. Foram mensuradas diversas características de hábitat em escala local e variáveis relacionadas ao uso do solo e clima em escala de paisagem e região, cujas foram relacionadas com os padrões taxonômicos, funcionais e filogenéticos das assembléias de pequenos mamíferos não-voadores de ecótonos campo-floresta. O esforço por UAL foi de 1280 armadilhas/grade, e o esforço total do trabalho foi de 19877 armadilhas.

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