Superadas essas dificuldades, o Brasil deverá ser capaz de identificar adequadamente os EIM, corrigindo o provável subdiagnóstico hoje verificado nas doenças do metabolismo intermediário, instituindo precocemente o tratamento nos casos em que ele é possível. Embora alguns desses tratamentos dependam de insumos importados e tenham custo elevado, a relação custo/benefício é certamente compensadora em função da diminuição do tempo de diagnóstico (eliminando investigações desnecessárias, hospitalizadores prolongadas), sem levar em conta o menor stress familiar e o custo social de uma pessoa deficiente que seria evitado ou minimizado. Nos casos em que o tratamento não é mais possível, as famílias podem se beneficiar da detecção precoce de novos casos e/ou da sua prevenção através da identificação de portadores em risco e do aconselhamento genético.
Adicionalmente, a REDE-EIM-BR deverá produzir dados sobre a freqüência absoluta e relativa de distúrbios específicos em cada região do país, subsidiando políticas públicas para a abordagem dessas condições. A provável identificação de bolsões de maior prevalência de determinadas condições poderá contribuir para programas específicos de manejo e prevenção que contribuam para reduzir o seu impacto. A esse respeito, pode-se esperar que regiões com reconhecida alta taxa de consangüinidade, como os estados do Nordeste, o sul de Minas, o norte do Paraná e a região de Campinas no interior paulista, venham a ser identificadas como áreas de maior prevalência de EIM e que devem receber atenção especial por parte de programas de diagnóstico e manejo.
Eventualmente, os dados gerados poderão servir como subsídio ao Programa Nacional de Triagem Neonatal para revisar o elenco de doenças incluídas no programa em cada região.
O registro a ser estabelecido neste projeto gerará dados relevantes sobre a história natural dessas condições, certamente importantes para o estabelecimento de linhas de cuidado para essas patologias.
Adicionalmente, o armazenamento de amostras de forma sistemática em um Banco de Amostras Biológicas (seguindo as normas da CONEP para esse tipo de iniciativa) será instrumental para alavancar pesquisas na área, permitindo uma maior inserção do país no cenário internacional também nesse tema.
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