Dentre as diversas modalidades de monitoria na UFRGS, você já parou para pensar em como o bom uso da monitoria acadêmica pode aliviar o estresse e a ansiedade na academia, sendo inclusive benéfica para você? Para começar a falar disso, uma rápida definição de estresse e ansiedade é fundamental. Tanto um quanto o outro são respostas fisiológicas naturais e saudáveis do sujeito frente a ameaças que ocorrem ao longo da vida: o estresse pode ser gerado diante de qualquer ameaça, como o aparecimento de uma cobra, e a ansiedade pode decorrer de ameaças futuras, como a preocupação que uma cobra apareça. No entanto, tais respostas, quando geradas em níveis excessivos e prolongados, podem provocar adoecimento para o sujeito, como esgotamento físico e mental, pânico, crises de ansiedade, estresse pós-traumático e depressão.
Na universidade, momentos desafiadores e que atuam de forma estressora e ansiogênica fazem parte da rotina acadêmica do estudante, como provas, apresentação de trabalhos e preocupações sobre a carreira depois da graduação. Contudo, tais momentos podem produzir estresse e ansiedade excessivos e de longa duração, tanto em estudantes, como em professores, quando processos de ensino-aprendizagem e de qualificação profissional são dificultados pela falta de infraestrutura da universidade, e pela dificuldade de muitos docentes não conseguirem atender as demandas acadêmicas dos alunos nesse percurso. Diante desses contextos, pensar em estratégias pedagógicas que ajudem discentes e docentes a não saírem prejudicados e adoecidos mentalmente da sala de aula torna-se urgente, e a monitoria acadêmica se apresenta como uma ferramenta possível para ajudar na resolução desses conflitos.
No âmbito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o programa de monitoria é regulado pela Instrução Normativa 02/2008 da Pró-Reitoria de Graduação. Tal documento define como objetivos da monitoria os de contribuir para qualidade de formação dos estudantes e do ensino de graduação por meio da mediação dos monitores nos processos pedagógicos, criando também para o monitor e a monitora condições de aprofundamento teórico e de desenvolvimento de habilidades não só relacionadas à atividade docente, mas também à atividade profissional. Nesse sentido, observa-se que a função da monitoria acadêmica estabelecida pela normativa ganha relevância como atenuante do estresse e ansiedade no espaço universitário, pois ela visa dar qualidade aos processos de ensino-aprendizagem e de qualificação profissional.
Dito isso, nessas últimas duas décadas, pesquisas em diferentes estados brasileiros, ainda que escassas e limitadas, foram produzidas sobre o assunto, e é possível identificar os efeitos benéficos da monitoria acadêmica na saúde mental dos discentes e dos docentes na universidade. Em relação aos resultados que foram gerados, verificou-se uma diminuição de fatores estressantes para aprender o que era ensinado em sala de aula, pois o papel do monitor não só tendeu a facilitar o processo de ensino-aprendizagem, tanto para o próprio monitor, quanto para os estudantes, mas também pode servir como elemento fundamental de interlocução e mediação entre este e a turma, socializando com o docente as limitações dos alunos. Dessa forma, é possível perceber o quanto a figura do monitor serviu para melhorar a qualidade tanto do ensino, quanto do ambiente da sala de aula, o que é benéfico também para a saúde mental dos estudantes, evitando, assim, o surgimento de possíveis estressores.
Ademais, no que tange ao estresse e a ansiedade que podem ser gerados frente às preocupações sobre a carreira depois da graduação, verificou-se que a monitoria acadêmica aumenta as chances para o ingresso na pós-graduação, a aprovação em concursos públicos e a ascensão à carreira como docente. Isso é explicado pelo fato de o aprimoramento do currículo com a experiência de monitoria contribuir para os critérios de ingresso nesses espaços. Além disso, identificou-se que o exercício da monitoria pode fomentar experiências enriquecedoras para que o acadêmico não só compreenda as finalidades da profissão, assim como as diversas áreas que compõem as particularidades de sua futura profissão, o que é importante para se inserir no mercado de trabalho. Por conta desse potencial que a monitoria acadêmica possibilita para a própria formação profissional, é que se verifica uma diminuição de possíveis fatores estressores e ansiogênicos frente às preocupações sobre a carreira depois da graduação.
Com base no exposto, conclui-se que o bom uso da monitoria acadêmica pode trazer benefícios para a academia no que se refere à aprendizagem e à saúde, pois saúde mental também se faz melhorando a qualidade do ambiente acadêmico. Caso tenha gostado, para mais informações, consulte com sua comissão de graduação as monitorias acadêmicas ofertas pelo seu curso. Nem todas as disciplinas estarão no sistema, por isso, peça também aos professores que não solicitaram a possibilidade de bolsa, principalmente para aqueles cujas matérias você gostou!
Sobre o autor: Esse texto foi elaborado por Jonas Scheele Queiroga Silva, acadêmico do curso de Psicologia da UFRGS, como trabalho final da disciplina eletiva de Divulgação Científica e Educação Continuada, oferecida pelo curso de Psicologia da UFRGS.
Referências:
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MORETTI, Felipe Azevedo; HUBNER, Maria Martha Costa. O estresse e a máquina de moer alunos do ensino superior: vamos repensar nossa política educacional?. Rev. psicopedag., São Paulo , v. 34, n. 105, p. 258-267, 2017 . Disponível em . acessos em 25 ago. 2023.
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