Fear of Missing Out (FoMO) – O que é o “medo de ficar de fora” e como lidar com ele?

O atual desenvolvimento da internet, dos smartphones e das mídias sociais impactou fortemente o modo como nos comunicamos e nos relacionamos. Graças às tecnologias de que dispomos hoje em dia, é possível mantermos contato instantâneo com as pessoas e acompanharmos o que se passa na vida delas através de suas publicações.

Por um lado, isso traz alguns benefícios, como a manutenção de vínculos e a troca de experiências mesmo à distância, por exemplo. Por outro lado, para algumas pessoas, pode gerar a expectativa de que é necessário manter-se constantemente conectado e a par das atualizações de amigos e conhecidos.

O Fear of Missing Out (FoMO) ou medo de ficar de fora se refere ao temor de perder experiências significativas vividas pelos demais por não estar conectado. Ocorre uma grande preocupação em manter-se conectado para saber o que as pessoas estão fazendo e publicando nas mídias sociais. Geralmente é acompanhado de uma série de sentimentos negativos e pode prejudicar a qualidade de vida.

De que forma o FoMO pode nos afetar?

Pessoas que apresentam um padrão de preocupações e de uso excessivo de mídias sociais costumam ter menores níveis de bem estar e de satisfação com a vida. São comuns problemas relacionados à autoestima, à ansiedade e ao humor.  Embora não seja possível estabelecer uma relação de causa e efeito entre esses fenômenos, eles costumam ocorrer juntos.

A comparação recorrente com as experiências relatadas pelos demais em suas redes pode gerar um sentimento de insuficiência. Receio de perder seguidores, medo de tornar-se menos popular, temor de não receber curtidas nas publicações e frustração quando as postagens não geram o engajamento esperado são frequentes.

É comum que haja dificuldades nos estudos. As notificações dos aplicativos e a preocupação constante em verificar as atualizações dos amigos geram distrações, prejudicando a concentração nas atividades acadêmicas.

Do mesmo modo, pode ser difícil usufruir das atividades e das interações presenciais devido à verificação compulsiva das atualizações nas redes. Pessoas que caminham ou dirigem usando o telefone celular têm um risco maior de sofrerem acidentes.

O tempo excessivo gasto na internet contribui para uma maior prevalência de comportamentos sedentários e para uma piora na qualidade da alimentação. A exposição prolongada à luz azul dos aparelhos eletrônicos traz prejuízos ao sono (sem contar que é difícil dormir com as notificações do celular ligadas).

Como lidar com as redes sociais de forma equilibrada?

Nem todas as pessoas percebem que estão enfrentando problemas quanto ao uso da internet ou das mídias sociais. Você já parou para pensar em como se sentiria se passasse alguns dias sem acessá-las? Tem ideia de quanto tempo gasta com elas? Que tal refletir a respeito?

Em geral, os smartphones dispõem de ferramentas para monitorar o tempo gasto na internet e fornecem informações sobre o uso de cada aplicativo ou mídia social. Verifique se o seu aparelho oferece esse tipo de serviço e acompanhe seu histórico de uso. Você pode estabelecer limites de uso diário e configurar seu dispositivo.

Procure atividades que ajudem a tirar o foco da sua atenção da internet. Você pode passear em parques e museus, ir ao cinema, encontrar as pessoas de quem você gosta, praticar esportes, etc. Ah, e não é necessário postar tudo que você faz!

Também pode ser benéfico desligar as notificações de alguns aplicativos. Assim você poderá dedicar sua atenção às suas atividades de lazer, aos estudos e mesmo dormir melhor.

Lembre-se que as pessoas divulgam uma versão editada de suas vidas nas mídias sociais. Nem sempre a realidade corresponde ao que é publicado. Além disso, as pessoas são diferentes e não significa que suas vivências sejam menos significativas que as experiências de seus amigos.

Fique atento quanto às suas crenças e expectativas a respeito das interações online. Pensamentos como: “se eu não responder aos meus amigos imediatamente eles ficarão zangados comigo”; “se meus amigos não curtirem minhas publicações isso significa que não gostam de mim ou que eu fiz algo errado”; “se eu não estiver conectado eu perderei importantes oportunidades de interação”; etc; costumam ser ideias equivocadas que geralmente não traduzem o que se passa de fato nas relações.

Muitas pessoas demoram para responder mensagens quando estão ocupadas com tarefas de trabalho ou estudos, por exemplo. Alguns de seus amigos podem não ter curtido uma publicação sua simplesmente porque não a visualizaram. Em todas essas situações, a falta de respostas ou de curtidas não é causada por problemas com você!

Além disso, é importante reconhecer que se afastar da enxurrada de conteúdos online e do que acontece nas mídias sociais não é necessariamente sinal de insuficiência, de desconexão com os demais, de falta de reciprocidade ou de interesse pelas pessoas. Pelo contrário: em muitos momentos, essa pode ser uma medida necessária de autocuidado e proteção da saúde e da qualidade de vida!

Texto escrito por: Thais Ferrugem Sarmento – Psicóloga (CRP 07/17106), mestre em psicologia social e institucional (UFRGS)

Referências

ALUTAYBI, Aarif; AL-THANI, Dena; MCALANEY, John; ALI, Raian. Combating Fear of Missing Out (FoMO) on Social Media: The FoMO-R Method. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 17, n. 6125, 2020.

GUPTA, Mayank; SHARMA, Aditya. Fear of missing out: A brief overview of origin, theoretical underpinnings and relationship with mental health. World Journal of W J C C Clinical Cases, v. 9, n. 19, p. 4881-4889, 2021.

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