Você já deve ter ouvido de algum psicólogo ou nutricionista um “depende” como resposta ao seu questionamento acerca da dieta ideal ou da fórmula para o bem-estar e a saúde mental. Afinal, por que “tudo depende” no ramo da nutrição e da psicologia? Por que não existem “receitas de bolo” que nos tragam respostas rápidas e fáceis para perdemos peso, nos alimentarmos melhor e ter maior qualidade de vida e saúde?
As respostas para tais perguntas também não são exatamente simples. “Tudo depende” porque cada pessoa possui uma história de vida, ou seja, uma história clínica e de desenvolvimento, assim como uma rotina diferente, fatores de risco e fatores de proteção à saúde, interesses e preferências diversos.
Existem alguns parâmetros gerais baseados em estudos e pesquisas bem fundamentadas que devem ser considerados pelo profissional durante o acompanhamento. Por exemplo, a Organização Pan-Americana de Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam pelo menos 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada a vigorosa por semana para todos os adultos, incluindo quem vive com doenças crônicas ou incapacidade, ou seja entre 21 e 43 minutos diários. A média por dia para crianças e adolescentes é maior, em cerca de 60 minutos.
No que se refere à alimentação, o Guia Alimentar para a população brasileira na sua segunda edição, lançado em 2014, sugere que se prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados. O outro pilar importante para a nossa saúde e bem-estar refere-se ao sono. A Associação Brasileira do Sono sugere que adultos/idosos entre 18 a 64 anos apresentem de 7 a 9 horas diárias de sono.
Porém, o grande diferencial é justamente a individualidade. Antes de qualquer procedimento, é necessário escutar a pessoa que procura orientação. Conhecer a história além das queixas, a rotina do indivíduo e os seus hábitos de vida, além do seu contexto cultural, social e econômico, torna-se imprescindível a fim de estabelecermos condutas de orientação em nutrição e saúde mental.
Regras genéricas podem ser importantes para balizar condutas gerais de saúde, afinal, temos um aparelho biológico e uma história na evolução humana que nos conduz ao estabelecimento de determinados hábitos que são considerados mais positivos para a nossa saúde, como hábitos de sono e alimentação. No entanto, são nas intervenções personalizadas para cada indivíduo de acordo com suas especificidades que se encontram os grandes potenciais de adesão a comportamentos saudáveis e resultados positivos em saúde.
A pretensão desta desta série de pequenos textos reflexivos que serão postados neste Blog é fazer uma aproximação de quem os lê com possíveis ferramentas ou recursos que possam ser utilizados no decorrer do processo pessoal – que é individual – de crescimento. Não substitui nenhum tipo de acompanhamento profissional individual e também não traz “fórmula mágica”. A ideia é que, através da ciência de algumas importantes informações, veiculadas de forma clara e gentil, ocorra o despertar da auto-observação com relação aos temas abordados. A partir deste olhar e, muito importante, sem julgamentos, começa a se abrir um espaço para eventuais novas atitudes.
Texto elaborado por:
Gabriella Koltermann
Psicóloga CRP 07/32311
Mestre e Doutora em Psicologia
Patricia Petroski
Nutricionista CRN 02/11247
Especialista e Mestre em Nutrição
Referências
Brasil (2014). Guia Alimentar para a População Brasileira. Retirado de: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf
Brasil (2021). Guia de Atividade Física para a População Brasileira. Retirado de: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_atividade_fisica_populacao_brasileira.pdf
