A primeira tarde de oficinas da 18ª edição do Salão de Extensão reuniu um mosaico com tanta multiplicidade que proporcionou aos participantes e a quem passasse pelo andar térreo do Instituto de Letras uma verdadeira imersão, entre tantas atividades, propostas, interações e conteúdos oferecidos pelos projetos de extensão da Universidade.
Desde a dança e seus estímulos ao desenvolvimento do ser, passando pela renovação da saúde mental, o direito das crianças à educação de qualidade, economia solidária, agroecologia, sensibilização pela educação ambiental até projetos lúdicos que trazem a territorialidade e o reconhecimento da cultura africana em nossa comunidade. Todo esse conjunto de atividades sintetiza a proposta da edição 2017 do Salão UFRGS, com a Extensão significando uma instituição múltipla, inovadora e inspiradora.
O projeto “As Viagens do Tambor” mostrou inovação ao propor o reconhecimento da territorialidade e comunidade negra de Porto Alegre, através de um jogo de tabuleiro, com personagens e locais de referência do povo negro na capital gaúcha. Um tambor se desloca através de vários pontos conhecidos da cidade, como o Quilombo do Areal, Ilhota, Restinga, Igreja do Rosário, Mercado Público, Parque da Redenção, reconhecendo os locais de representatividade do povo negro. O professor da Faculdade de Educação, Nilton Mullet Pereira, destaca que a metodologia conjunta para construção do projeto, envolvendo membros da comunidade negra, associações e da comunidade acadêmica, assegura um caráter coletivo e democrático nesse processo. Por ser um projeto pedagógico lúdico e interativo, é voltado não só para professores e alunos, mas para conscientização do público em geral.
O déficit no atendimento à saúde pública aumenta as demandas e confere muito significado ao projeto “Loucura: outros modos de dizer”, que atua na rede de atenção psicossocial na esfera da saúde mental. De acordo com Analice Palombini, professora do Instituto de Psicologia e coordenadora da atividade, foi por meio de uma disciplina eletiva, com atenção a pacientes portadores de DSM, que a ação se desenvolveu. A partir de então, um novo olhar no atendimento a pessoas com esquizofrenia ou outras doenças mentais começou a ser praticado por estagiários, residentes e docentes. Esses profissionais aprendem a desconstruir diagnósticos, para deles se obterem uma visão poética sobre a vida. Várias instituições públicas, entre elas os centros de referência especializados em assistência social, buscam os serviços do projeto, informa Vera Pasini, também coordenadora e docente do Instituto de Psicologia.

A transformação do ser e abertura de potenciais de vida, foram evidenciados na oficina “Diversos Corpos Dançantes”. Coordenado pela professora Carla Vendramin, do Curso de Dança da ESEFID, o projeto teve início na Casa de Cultura Mário Quintana, abrangendo posteriormente, outros espaços públicos. O trabalho criou também um grupo focal, com docentes e extensionistas que contribuíram com vivências e dinâmicas para o projeto. Podem participar das vivências pessoas portadoras ou não de deficiência, resultando em habilidades mistas, indicando o aspecto integrativo do projeto. Nas vivências, os participantes potencializam individualmente consciência sobre seu próprio corpo, observando e integrando as relações de tempo e espaço, além da criatividade que o improviso da dança proporciona.


