Quais as causas e qual a investigação inicial de linfonodomegalia periférica?

Publicado em 09/01/2018

Pergunta-da-Semana

Há diversas causas para linfonodomegalias e, portanto, as características clínicas e o exame físico são fundamentais para orientar a investigação inicial. Na avaliação clínica deve-se atentar para:

  • Tempo de evolução dos sintomas;
  • Características do linfonodo (tamanho, consistência, mobilidade e cadeias acometidas)
  • Presença de sintomas B (perda de peso involuntária, sudorese noturna, febre);
  • Suspeita de infecção local ou sistêmica (faringite, toxoplasmose, mononucleose, ulceração cutânea);
  • Exame físico com evidência de esplenomegalia;
  • Fatores de risco para HIV, sífilis, hepatites;
  • História de neoplasia prévia ou outros sinais e sintomas que sugiram neoplasia atual;
  • História epidemiológica local (áreas endêmicas para doenças como leishmaniose);
  • Uso de medicamentos (alopurinol, atenolol, captopril, carbamazepina, cefalosporinas, hidralazina, penicilina, fenitoína, primidona, pirimetamina, quinidina, sulfonamidas).

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Fonte: TelessaúdeRS-UFRGS (2016).

 

As indicações para biópsia de linfonodo são:
  • Linfonodomegalia supraclavicular;
  • Linfonodomegalia com características de malignidade (indolor, aderidos a tecidos profundos, endurecido, massa de linfonodos fusionados);
  • Linfonodomegalia (≥ 2 cm) persistente (após 4 semanas) sem causa definida.

Pacientes com suspeita de linfoma (linfonodomegalias/esplenomegalia com alterações hematológicas sem indicação de emergência, linfonodomegalia em pessoas com sintomas B, linfonodomegalia e esplenomegalia sem associação com quadro infeccioso) devem ser encaminhados para serviços especializados de hematologia ou onco-hematologia para avaliação breve.

Devem ser encaminhados para emergência, preferencialmente com hematologista, os pacientes com suspeita de lise tumoral (sintomas como náusea, vômito, diarreia, letargia, câimbras, arritmia – geralmente em pessoas com massas grandes) ou sintomas compressivos (como dispneia, síndrome da veia cava superior, síndrome de Horner). Pacientes com citopenias associadas à linfonodomegalia e esplenomegalia, não explicadas por quadro infeccioso agudo, também têm indicação de encaminhamento para emergência.

 

Referências:

DYNAMED PLUS. Record n. 116501, Lymphadenopathy [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services, 2016. Disponível, mediante senha e login, em: <http://www.dynamed.com/topics/dmp~AN~T116501/Lymphadenopathy>. Acesso em: 05 jan. 2018.

FERRER, R. L. Evaluation of peripheral lymphadenopathy in adults. Waltham (MA): UpToDate, 2017. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/evaluation-of-peripheral-lymphadenopathy-in-adults>. Acesso em: 05 jan. 2018.

GADDEY, H. L.; RIEGEL, A. M. Unexplained lymphadenopathy: Evaluation and differential diagnosis. American Family Physician, Kansas City, v. 94, n. 11, p. 896-903, 2016. Disponível em: <https://www.aafp.org/afp/2016/1201/p896.html#sec-3 >. Acesso em: 05 jan. 2018.

MCCLAIN, K. L. Peripheral lymphadenopathy in children: Evaluation and diagnostic approach. Waltham (MA): UpToDate, 2017. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/peripheral-lymphadenopathy-in-children-evaluation-and-diagnostic-approach>. Acesso em: 05 jan. 2018.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia. TelessaúdeRS/UFRGS. RegulaSUS: protocolos de encaminhamento para hematologia adulto [Internet]. Porto Alegre: TelessaúdeRS-UFRGS, 2016. Disponível em:  <https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/protocolos_resumos/protocolo_encaminhamento_hematologia_20161108.pdf >. Acesso em: 05 jan. 2018.

Teleconsultoria respondida por: Luíza Emília Bezerra Medeiros, Médica e Teleconsultora do TelessaúdeRS-UFRGS, com residência médica em Medicina da Família e Comunidade pelo HCPA, graduada em Medicina pela UFRN.

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