O que é xerostomia e como manejá-la?

A xerostomia é a sensação subjetiva de boca seca. É comumente causada pela redução da produção de saliva (hipossalivação) [1–3]. Vários fatores podem causar esta condição e o manejo será de acordo com a causa identificada.  As causas mais comuns podem ser visualizadas no quadro 1. 

Quadro 1. Causas mais comuns relacionadas à xerostomia.

Fatores Locais Tratamento oncológico:

  • Radiação da região de cabeça e pescoço;
  • Quimioterapia.
Tabaco
Respiração bucal
Lesões de boca:

  • Sialolitiase ou sialodenite;
  • Doença mão-pé-boca;
  • Herpes;
  • Neoplasias em boca ou glândula salivar.
Causas odontológicas:

  • Doença periodontal;
  • Prótese dentária.
Fatores Sistêmicos Doenças inflamatórias crônicas:

  • Síndrome de Sjogren;
  • Artrite reumatóide;
  • Lúpus;
  • Artrite juvenil;
  • Sarcoidose;
  • Granulomatose de Wegener;
  • Cirrose Biliar.
Distúrbios endócrinos:

  • Hipotiroidismo;
  • Hipertiroidismo;
  • Diabetes Mellitus tipo 1 ou 2.
Distúrbios neurológicos:

  • Depressão ou ansiedade;
  • Parkinson.
Distúrbios metabólicos:

  • Desidratação;
  • Doença renal crônica;
  • Anemia;
  • Bulimia;
  • Abuso de álcool.
Medicamentos Anticolinérgicos:

  • Antidepressivos tricíclicos (Amitriptilina, Imipramina);
  • Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (Citalopram, Escitalopram, Fluoxetina, Sertralina);
  • Antipsicóticos (Olanzapina, Clozapina, Haloperidol, Quetiapina, Risperidona);
  • Anti-histamínicos (Cetirizina, Loratadina);
  • Broncodilatadores (Ipratóprio);
  • Corticoides inalatórios (Budesonida);
  • Medicamentos urológicos (Citrato de potássio, Dutasterida, Tansulosina, Oxibutinina);
  • Escopolamina.
Drogas simpaticomiméticas:

  • Supressores de apetite;
  • Bupropiona;
  • Broncodilatadores beta2 agonistas;
  • Relaxantes musculares;
  • Benzodiazepinicos (Diazepam, Lorazepam);
  • Anti-hipertensivos (Atenolol, Metoprolol, Diltiazem, Verapamil, Nifedipina);
  • Diuréticos (Furosemida, Hidroclorotiazida);
  • Drogas citotóxicas (5-fluorouracil);
  • Terapia antirretroviral;
  • Opioides (Codeína, Tramadol, Morfina).
 Fonte: TelessaúdeRS-UFRGS (2021), adaptado de Dynamed (2021).

Os pacientes com xerostomia queixam-se de desconforto para deglutir ou falar, paladar alterado e ardência bucal [2] Além disso, a diminuição do fluxo salivar pode trazer complicações como aumento da incidência de cárie e doenças fúngicas (candidíase e queilite angular, por exemplo) e retenção insuficiente da prótese [4,6]. Devido às queixas e complicações, a hipossalivação não pode ser desvalorizada, uma vez que pode ter um importante impacto negativo na qualidade de vida do paciente [7]. 

Quanto ao tratamento, pode ser dividido em terapia exógena e endógena, conforme o quadro 2. 

Quadro 2. Tratamento para hipossalivação.

Terapias para hipossalivação
Endógena Exógena
  • Controle de causa quando identificada: troca de medicamentos, cessação do tabagismo, controle de doença sistêmica, diminuição cafeína e de consumo de álcool;
    Estimulação mecânica: goma de mascar sem açúcar*;
  • Estimulação química: pilocarpina** 5mg, 6/6 horas, por 3 meses e reavaliar;
  • Acupuntura.
  • Orientação de higiene bucal: escova de cerdas macias e dentifrício fluoretado;
  • Incentivo sobre maior consumo de água (água gelada e chupar cubos de gelo);
  • Saliva artificial***.
 *Goma de mascar sem açúcar: não é recomendada para pacientes com disfunção temporomandibular. 
**Pilocarpina: não é recomendada para pacientes com doenças cardíacas ou pulmonares. Também não é recomendada para pacientes cuja xerostomia foi causada por medicamentos como betabloqueadores, anticolinérgicos, antidepressivos ou anti-histamínicos

***Disponíveis comercialmente no Brasil: Biotene Oral Balance®, Oncare Spray Oral Hidratante®, Affer®, Xerolacer®, Kin Hidrat®.
 Fonte: TelessaúdeRS - UFRGS (2021), adaptado de UptoDate (2021).

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Referências:

  1. An JY, Darveau R, Kaeberlein M. Oral health in geroscience: animal models and the aging oral cavity. Geroscience. 2018 Feb;40(1):1-10. Doi: 10.1007/s11357-017-0004-9
  2. Bruera E, Dey R. Overview of managing common non-pain symptoms in palliative care [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 23 Fev 2021, citado em 30 Ago 2021]. Disponível em: : https://www.uptodate.com/contents/overview-of-managing-common-non-pain-symptoms-in-palliative-care.
  3. DynaMed.Record No. T576492, Xerostomia [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services, 1995 [atualizado em 30 Nov 2018, citada em 30 Ago 2021]. Disponível em: https://www.dynamed.com/condition/xerostomia.
  4. Regezi SJ. Patologia oral. 5a ed.. Elsevier Brasil; 2008. 512 p.
  5. Einhorn OM, Georgiou K, Tompa A. Salivary dysfunction caused by medication usage. Physiol Int. 2020 Jul;107(2):195-208. Doi: 10.1556/2060.2020.00019.
  6. Little JW, Falace DA, Rhodus NL. Dental management of the medically compromised patient. St Louis: Elsevier; 1993. Disponível em: http://dl.konkur.in/post/Book/Dentistry/Little-and-Falace%27s-Dental-Management-of-the-Medically-Compromised-Patient-9th-Edition-%5Bkonkur.in%5D.pdf.
  7. Niklander S, Veas L, Barrera C, Fuentes F, Chiappini G, Marshall M. Risk factors, hyposalivation and impact of xerostomia on oral health-related quality of life. Braz Oral Res. 2017 Jan 16;31:e14. Doi: 10.1590/1807-3107BOR-2017.vol31.0014.
  8. Vivino FB, Al-Hashimi I, Khan Z, LeVeque FG, Salisbury PL, Tran-Johnson TK, et al. Pilocarpine tablets for the treatment of dry mouth and dry eye symptoms in patients with Sjögren syndrome: a randomized, placebo-controlled, fixed-dose, multicenter trial. P92-01 Study Group. Arch Intern Med. 1999 Jan 25;159(2):174-81.Doi: 10.1001/archinte.159.2.174.
  9. Johnson JT, Ferretti GA, Nethery WJ, Valdez IH, Fox PC, Ng D, et al. Oral pilocarpine for post-irradiation xerostomia in patients with head and neck cancer. N Engl J Med. 1993 Aug 5;329(6):390-5. Doi: 10.1056/NEJM199308053290603.
  10. Mehta NR, Keith D. Temporomandibular disorders in adults [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 19 Abr 2021, citado em 30 Ago 2021].  Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/temporomandibular-disorders-in-adults.
  11. Baer AN, Sankar V. Treatment of dry mouth and other non-ocular sicca symptoms in Sjögren’s syndrome [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 11 Jul 2020, citado em 30 Ago 2021]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/treatment-of-dry-mouth-and-other-non-ocular-sicca-symptoms-in-sjogrens-syndrome.
  12. Galloway T, Amdur RJ. Management and prevention of complications during initial treatment of head and neck cancer [Internet]. Waltham (MA): UpToDate; [atualizado em 01 Mai 2021, citado em 30 Ago 2021]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/management-and-prevention-of-complications-during-initial-treatment-of-head-and-neck-cancer.

Como citar esse documento:

Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia. TelessaúdeRS (TelessaúdeRS-UFRGS). O que é xerostomia e como manejá-la? Porto Alegre: TelessaúdeRS-UFRGS; 08 Out 2021 [citado em “dia, mês abreviado e ano da citação”]. Disponível em: https://www.ufrgs.br/telessauders/perguntas/o-que-e-xerostomia-e-como-maneja-la/.

 

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